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        <title>Blog Pontos de Partida - Fernando Molica</title>
        <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/</link>
        <description>Blog Pontos de Partida escrito por Fernando Molica. Parte integrante do site www.fernandomolica.com.br</description>
        <language>pt</language>
        <copyright>Copyright 2008</copyright>
        <lastBuildDate>Mon, 01 Dec 2008 00:14:18 -0300</lastBuildDate>
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            <title>Amigos de letras</title>
            <description><![CDATA[<p>. O amigo Guilherme Fiúza, autor do best seller "Meu nome não é Johnny", lançou, na semana passada, "Amazônia, 20° andar -  de Ipanema ao topo do mundo, uma jornada na trilha de Chico Mendes". Conta a história de uma epópeia amazônica.</p>

<p>. Outro grande e generoso amigo, o Antônio Torres, faz, nesta quarta, um bate-papo para lançar a versão de bolso do espetacular "Essa terra". O livro sai pela Best Bolso, um selo da Record. Vai ser na Estação das Letras, rua Marquês de Abrantes, 177 / 108,  Flamengo, a partir das 19h. Antônio é ótimo falando e escrevendo. O evento é imperdível.<br />
 </p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2008/12/amigos-de-letras.php</link>
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            <pubDate>Mon, 01 Dec 2008 00:14:18 -0300</pubDate>
        </item>
        
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            <title>Nobel</title>
            <description><![CDATA[<p>Acabo de descobrir que um exemplar do "Bandeira negra, amor" (Objetiva, 2005) passou a fazer parte, em agosto passado, do acervo da Biblioteca Nobel. Segundo o site da instituição - http://www.nobelbiblioteket.se/ - a biblioteca tem a função de dar assistência à Academia Sueca nas avaliações necessárias ao Prêmio Nobel de Literatura. Uau! </p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2008/11/nobel.php</link>
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            <pubDate>Sat, 29 Nov 2008 10:21:13 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Primeiríssima Estação</title>
            <description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><a href="http://www.fernandomolica.com.br/blog/mangueira.php" onclick="window.open('http://www.fernandomolica.com.br/blog/mangueira.php','popup','width=200,height=150,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.fernandomolica.com.br/blog/mangueira-thumb-200x150.jpg" width="200" height="150" alt="mangueira.jpg" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></span></p>

<p><em>Sou a cara do povo...Mangueira<br />
Eterna paixão<br />
A voz do samba é verde-e-rosa<br />
E nem cabe explicação</em></p>

<p>O samba da Mangueira para 2009 é belíssimo, emocionante, tem a cara da Estação Primeira, evoca a história do samba, a idéia de um Brasil utópico, meio populista, meio inatingível. Mas é bonito pacas, Darcy Ribeiro, o inspirador do enredo, aprovaria, aplaudiria. Ouça <a href="http://www.youtube.com/watch?v=S_Fzg1f4y7I">aqui</a> (não é a gravação oficial), a letra segue abaixo.</p>

<p><strong>A Mangueira traz os Brasis do Brasil mostrando a formação do povo brasileiro</strong></p>

<p>Compositores: Lequinho, Jr. Fionda, Gilson Bernini e Gustavo Clarão</p>

<p>Deus me fez assim filho desse chão<br />
Sou povo, sou raça...miscigenação<br />
Mangueira viaja nos Brasis dessa nação<br />
O branco aqui chegou<br />
No paraíso de encantou<br />
Ao ver tanta beleza no lugar,<br />
Quanta riqueza pra explorar<br />
Índio valente guerreiro<br />
Não se deixou escravizar...lutou<br />
E um laço de união surgiu<br />
O negro mesmo entregue a própria sorte<br />
Trabalhou com braço forte<br />
Na construção do meu Brasil<br />
É sangue, é suor e religião<br />
Mistura de raças num só coração<br />
Um elo de amor à minha bandeira<br />
Canta a Estação Primeira</p>

<p>Cada lágrima que já rolou<br />
Fertilizou a esperança<br />
Da nossa gente, valeu a pena<br />
De norte a sul desse país<br />
Tantos Brasis, sagrado celeiro<br />
Crioulo, caboclo, retrato mestiço<br />
De fato, sou Brasileiro!<br />
Sertanejo, caipira, matuto...sonhador<br />
Abraço o meu irmão<br />
Pra reviver a nossa história<br />
Deixar guardado na memória...o seu valor</p>

<p>Sou a cara do povo...Mangueira<br />
Eterna paixão<br />
A voz do samba é verde-e-rosa<br />
E nem cabe explicação.</p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2008/11/primeirissima-estacao.php</link>
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            <pubDate>Wed, 26 Nov 2008 00:51:17 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Curtinhas - porque hoje é domingo</title>
            <description><![CDATA[<p>. Nosso presidente continua derrapando nos seus improvisos - e ninguém parece dar muita bola pra isso. A última foi na quinta-feira, no Dia Nacional da Consciência Negra. Animado, Lula disse que  o Brasil criou "uma raça de perfeição extraordinária". A intenção foi boa, mas a frase é terrível. Acho que só Hitler e seus seguidores - com outros e terríveis propósitos, é bom frisar - falariam uma besteira como essa. </p>

<p>. Por falar nisso. Quem é contra as cotas para negros em universidades costuma usar um argumento bem respeitável: o correto é melhorar a qualidade do ensino público. Também acho, mas, vem cá: as cotas começaram a ser implantadas há cinco anos, alguém acha que o ensino público melhorou desde então? Não tem jeito, a suposta injustiça das cotas - um sistema imperfeito, admito - é ainda a única forma de se tentar corrigir uma outra injustiça, muito mais grave.</p>

<p>. Pauta para os colegas, especialmente para o pessoal da "Lide", a revista do Sindicato dos Jornalistas do Rio. O Aydano André Motta, amigo e concorrente (trabalha no "Globo", na coluna do Ancelmo Góis), merece uma reportagem intitulada "E ele ainda ganha pra isso...". O sujeito é o organizador do concurso que elege a mais bela entre as mulatas das escolas de samba cariocas. Recebe as moças no jornal, orienta fotos e filmagens e ainda posa com elas.<br />
</p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2008/11/curtinhas-porque-hoje-e-doming.php</link>
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            <pubDate>Sun, 23 Nov 2008 13:31:09 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>TV Senado - ERRATA</title>
            <description><![CDATA[<p>Caramba, agora é que descobri que a informação anterior estava errada. A minha entrevista ao Maurício Melo Junior, do programa "Leituras", vai ao ar domingo, às 8h e às 20h30. Aos sábados, às 9h30 e às 20h, a TV Senado reprisa o programa exibido no domingo anterior. Aqui no Rio, a TV Senado fica ali no canal 8 da NET. </p>

<p>A TV Senado  também pode ser sintonizada nos canais UHF 51, em Brasília (DF); 36, no Gama (DF); 40, em João Pessoa (PB); 43, em Fortaleza (CE); 52, em Natal (RN); 53, em Salvador (BA); 55, em Recife (PE); e 57, em Manaus (AM). Pelos canais de assinatura 7, da Net Brasília; 17, da Tecsat; 118, da Sky; e 217, da Direct TV. Pode também ser acompanhada ao vivo pelo site www.senado.gov.br/tv. </p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2008/11/tv-senado.php</link>
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            <pubDate>Tue, 18 Nov 2008 00:19:41 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Dedadas em vão</title>
            <description><![CDATA[<p>Parece até brincadeira: acabo de ler nos jornais que o Inca, Instituto Nacional de Câncer, desaconselha a realização, de forma rotineira, do exame de toque retal. O tal exame, diz um comunicado oficial, só deve ser feito por recomendação médica, a partir de determinados sintomas.</p>

<p>Bem, a primeira reação é de alívio: aos 47 anos, nunca me submeti ao dito cujo: muita gente dizia que, a partir dos 45, a dedada teria que ser obrigatória, seria uma irresponsabilidade adiá-la. Mas fui adiando, ainda que temendo a aproximação do meu cinqüentenário. Aos 50, não teria saída: pelo menos é o que diziam todas aquelas campanhas feitas por sociedades médicas. </p>

<p>Eu escapei, mas... Quantos amigos meus já não se submeteram ao exame? Quantas intimidades não foram devassadas, quantas dedadas em vão, quantos chistes desperdiçados! Quantas considerações inúteis foram feitas, em meio a risadas amarelas, em mesas de bar, sobre a dimensões dos dedos de médicos? Imagine o número de piadas que são agora descartadas! Numa das mais famosas, o médico introduz o dedo e pergunta ao paciente:</p>

<p>- Bah, o que sentes, tchê?<br />
- Sinto que te amo - responde o sujeito.</p>

<p>Enfim, escapei. Mas fico imaginando a cara de alguns amigos ao se depararem com a notícia. Imagine o sujeito que levou uma inútil dedada na sexta passada, na hora em que o Inca divulgava o tal comunicado? Sei não, eu partia pra briga, processo, porrada, o cacete (ôps!) a quatro. Assim esses irresponsáveis que tanto propagandearam o exame iam aprender a não se meterem (ôps! ôps!) onde não foram chamados.</p>

<p><br />
</p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2008/11/dedadas-em-vao.php</link>
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            <pubDate>Sun, 16 Nov 2008 14:10:34 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Exportadores de gente</title>
            <description><![CDATA[<p>Devo andar meio rabugento, é possível. Mas não consigo entender a festa em torno de histórias de jovens e mesmo crianças que são selecionados para treinar em times de futebol do exterior. A edição de hoje de "O Globo" traz mais uma dessas histórias - desta vez, a de um menino de 9 anos que foi cooptado (o verbo é meu) pelo Roma.</p>

<p>O menino, repito, tem 9 anos. Isso é lá hora pra ele ficar preocupado com carreira, salário, carrões? Desde quando um moleque de 9 anos tem que pensar se quer jogar na seleção brasileira ou na italiana? Imagina o tamanho da frustração do garoto se tudo der errado? Será que ninguém vê o tamanho da irresponsabilidade e da crueldade que é empurrar para esse menino o peso de construir um futuro próspero para ele e para sua família? </p>

<p>Claro que aos 9 anos até eu - um perna-de-pau assumido - sonhava em jogar no Botafogo, na seleção, o escambau. Mas era sonho, só isso. Se tivesse um mínimo de talento poderia até ter imaginado um futuro de jogador profissional, mas isso seria algo a ser construído ao longo dos anos, pertinho de casa, dos meus pais, parentes e amigos. Pegar um garoto de 9 anos e jogá-lo num clube como o Roma é, desde já, amarrá-lo a uma perspectiva de futuro desumana. Ele deve receber uma bolsa, um auxílio qualquer do Roma: isso é suficiente para caracterizar trabalho infantil.</p>

<p>Nem quero saber se o garoto vai perder características de jogador brasileiro.  Fico preocupado é com ele e, de uma maneira mais ampla, com todos nós. Fico triste ao constatar que, 120 anos depois da Abolição, continuamos a comercializar gente. Antes, importávamos negros; agora, exportamos putas, jogadores de futebol e - caramba! - crianças. Estamos assumindo de vez que não vale a pena ficar, que este país é uma droga, que o último a sair é mulher do padre.</p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2008/11/exportadores-de-gente.php</link>
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            <pubDate>Fri, 14 Nov 2008 12:02:17 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Obama é negro</title>
            <description><![CDATA[<p>Mais uma implicância: sempre achei meio esquisito o padrão norte-americano  de classificar como negra qualquer pessoa, por mais branca que fosse, que tivesse algum antepassado negro. A lógica parecia ser a da contaminação: uma gota de sangue "neutro" seria suficiente para derrubar uma certa pureza branca.</p>

<p>O problema é que não havia um mecanismo inverso: um negro, por mais por mais negro que fosse, não seria considerado branco mesmo se tivesse um ou mais antepassados brancos. O processo só servia para discriminar, para ressaltar a "contaminação" de uma linhagem até então branca. Esta lógica serviu também para impedir a existência do mestiço, tão presente aqui no Brasil. Lá, ao contrário daqui, ou se era preto ou branco.</p>

<p>O movimento negro americano soube usar a discriminação a seu favor: se mestiço é negro, o número de negros seria maior. Isso ajudou a aumentar a força política-institucional da luta, inclusive na criação de políticas afirmativas, como a das cotas em universidades.</p>

<p>No Brasil, de certa forma, se dá o mesmo: o IBGE trabalha com, entre outras, as classificações de branco, pardo e preto. Só que pardos e pretos são somados na categoria "negros". Uma classificação meio questionável  mas que, a exemplo do que ocorreu nos EUA, serve para dar maior força política ao grupo. Talvez o mais correto seria tratar os pardos como pardos, ou como mestiços - até para institucionalizar o que sempre ocorreu no Brasil. Por aqui, uma espécie de gradação cromático-racial é usual. Mas essa foi a decisão do IBGE e que acabou legitimada pelo movimento negro, que tem todo o direito de usar os dados a seu favor.</p>

<p>Mas tudo isso é só para revelar uma recente implicância. Na hora de discriminar, os EUA tratavam qualquer mestiço, qualquer moreninho, de negro. Agora que elegeram um cara que sempre seria considerado negro, tratam de chamá-lo de mestiço. OK, o próprio Obama estimulou essa lógica: foi um jeito de diminuir preconceitos e de, com toda a razão, apontar para um futuro em que essas questões sejam menos relevantes. Mas, caramba, não deixa de ser uma certa sacanagem: o cara foi negro a vida inteira. Hoje, até a Ku Klux Klan anda dizendo que o cara é "meio branco". Combinemos, embranquecer o Obama é uma forma de preconceito, de diminuir a importância política e simbólica de sua eleição.</p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2008/11/obama-e-negro.php</link>
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            <pubDate>Sun, 09 Nov 2008 12:15:45 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Copo presente</title>
            <description><![CDATA[<p>Há um ano soube da morte de um amigo, um colega com quem eu trabalhara em meu primeiro emprego. Não o via fazia algum tempo. O cara era relativamente novo, tinha menos de 60 anos. Eu estava fora do Rio, soube da morte graças a um registro publicado no jornal. Levei um susto, liguei para alguns amigos em comum e soube que ele morrera por excesso de birita. </p>

<p>Ontem recebi um e-mail que, no campo de assunto, deixava explícito: era um convite para a missa em memória do tal amigo. Fiquei triste, lembrei do episódio, me dei conta da passagem de um ano da sua morte. Ao abrir o e-mail, comecei a rir (desculpe, meu caro A.): a celebração, a homenagem ao cara que morreu de tanto beber,  era assinada por uma agremiação carnavalesca, a "Quem num güenta bebe água". É ironia demais. Quer saber? Acho que o homenageado também riu, achou legal. Certamente sua alma dará passada por essa  (perdoe-me)  missa de copo presente.</p>

<p>Ah, ia esquecendo. Os caras bebem tanto que trocaram o endereço da celebração: a igreja fica na Marechal Floriano (no Centro), mas o convite fala em Marechal Rondon (que fica no Riachuelo). <br />
</p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2008/11/a-missa.php</link>
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            <pubDate>Sat, 08 Nov 2008 11:45:23 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Valeu Zumbi!</title>
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            <pubDate>Wed, 05 Nov 2008 17:49:17 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Simpatia para o modem</title>
            <description><![CDATA[<p>Pode ser implicância, vá lá. Mas tendo a ver com desconfiança o entusiasmo com que são recebidos esses brinquedinhos eletrônicos que volta e meia são desembarcados no mercado. Gosto de esperar um pouco, prefeiro aguardar que as novidades se consolidem, deixem de ser novidades. Depois, decido se compro a geringonça.</p>

<p>A vida ficou muito complicada. Lembro que, no ano passado, na Flip, o argentino César Aira disse algo bem interessante. Ressaltou que, até essa nossa geração, os segredos das máquinas podiam ser descobertos com sua desmontagem. Ou seja, um bom mecânico desmontaria um fusca e entenderia tudo o que se escondia por trás daquelas peças. Isso valia também para geladeiras, aviões. O mundo vivia numa lógica mecânica.</p>

<p>Com a informática, tudo mudou: desmonte um computador e tente descobrir - mais, tente ver - onde estão os programas, os textos, as planilhas, as ilustrações, o google. Nós sabemos que tudo está ali, programado, mas nada é visível. Isso também serve para carros (cadê ocarburador?), geladeiras e aviões. Como diria a Glória Maria, é tudo meio mágico.</p>

<p>No meio de toda essa magia, me divirto um pouco com uma certa babaquice tecnológica que busca, de forma ansiosa, consumir qualquer novidade. Outro dia li que o tal do I-Phone tem excelente desempenho, faz um cacetal de coisas - mas é meio assim-assim como telefone. Pois.</p>

<p>Bem, tudo é pra dizer que, outro dia, liguei pra Net, fui reclamar de uma falha na minha conexão. A moça deu o diagnóstico: o problema é que o modem aqui de casa estava ligado, havia, creio, 42 dias. E daí? - perguntei. Esse negócio é pra ficar ligado mesmo, né? Nada disso: segundo a moça, é bom tirar o modem da tomada por uns 10/15 segundos a cada semana, ou a cada quinzena. Mas por que? - insisti. Ela não sabia. Segundo ela, ninguém sabia a razão do chilique cibernético do modem. </p>

<p>De uma certa forma, me senti vingado. Aquele aparelhinho todo cheio de sacanagem, que me conecta com o mundo, é carente de uma macumbinha (com todo o respeito), uma simpatia, um jeitinho. Ela não disse, mas talvez o negócio funcione melhor se eu der três pulinhos gritando "skavurzka".</p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2008/11/simpatia-para-o-modem.php</link>
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            <pubDate>Mon, 03 Nov 2008 23:18:08 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Patinhos na Lagoa</title>
            <description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><a href="http://www.fernandomolica.com.br/blog/IMG_00921.php" onclick="window.open('http://www.fernandomolica.com.br/blog/IMG_00921.php','popup','width=3072,height=2304,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.fernandomolica.com.br/blog/IMG_0092-thumb-200x150.jpg" width="200" height="150" alt="IMG_0092.JPG" class="mt-image-right" style="float: right; margin: 0 0 20px 20px;" /></a></span><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><a href="http://www.fernandomolica.com.br/blog/IMG_0095.php" onclick="window.open('http://www.fernandomolica.com.br/blog/IMG_0095.php','popup','width=3072,height=2304,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.fernandomolica.com.br/blog/IMG_0095-thumb-200x150.jpg" width="200" height="150" alt="IMG_0095.JPG" class="mt-image-left" style="float: left; margin: 0 20px 20px 0;" /></a></span>Como diria o velho Leonel Brizola, algo há na alma feminina (quando o Brizola não sabia dizer as razões de suas desconfianças, afirmava simplesmente: "Algo há!"). Cresci ouvindo dizer que as mulheres eram mais sensíveis, delicadas, atentas a um universo menos racional e lógico. Nós, homens, seríamos os brutos, os trogloditas.</p>

<p>Eis que. Outro dia, caminhando às margens da Lagoa, notei que dois sujeitos olhavam em direção ao espelho d´água. Segui o olhar de ambos e me deparei com uma cena bonita, curiosa: dois patos pretos adultos (possivelmente um casal) passeavam com vários patinhos (uns seis ou sete).  Os grandões ainda dividiam pedaços de pão com os pequenos. Bonitinho, né? Saquei minha máquina e comecei a fazer fotos, pensando na coluna lá do <strong>Dia</strong>. Seria legal ter uma foto assim, quase lírica, um contraponto à violência da cidade e, mesmo, à sujeira da Lagoa.</p>

<p>Cheguei feliz à redação: "Já temos foto para amanhã!". Expliquei do que se tratava para a Daniella, jovem repórter que trabalha comigo. Resposta da moça:</p>

<p>- Que coisa de boiola, Molica!</p>

<p>Fiquei com com cara de pato. Insisti. Como as fotos não estavam assim tão boas - na pressa usei o zoom ótico, que é uma porcaria -, decidi não publicá-las. Mas continuei gostando delas. À noite, mostrei o material para outras duas mulheres. A reação foi mais ou menos a mesma:</p>

<p>- Que coisa de viado, hein!?!</p>

<p>Bem, aí vão algumas das fotos. E continuo tentando saber o que aconteceu com a tal da sensbilidade feminina.</p>

<p></p>

<p><br />
</p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2008/10/patinhos-na-lagoa.php</link>
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            <pubDate>Fri, 31 Oct 2008 10:53:57 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Peito juvenil</title>
            <description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><a href="http://www.fernandomolica.com.br/blog/caraspintadas%5B1%5D.php" onclick="window.open('http://www.fernandomolica.com.br/blog/caraspintadas%5B1%5D.php','popup','width=320,height=215,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.fernandomolica.com.br/blog/caraspintadas[1]-thumb-200x134.jpg" width="200" height="134" alt="caraspintadas[1].jpg" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></span><br />
Jovem é um ser esquisito - já fui um deles, hoje convivo com dois aqui em casa. São meio estabanados, nos gestos e nas idéias. Uma linha reta quase nunca é o menor caminho entre dois pontos. Às vezes, como diz meu querido amigo e compadre Oscar Valporto, agem como o jovem Super-Homem: como não sabem a força que têm, arrancam a maçaneta na hora de abrir a porta, derrubam uma parede ao nela se apoiarem. Outras vezes, nos surpreendem com sua fragilidade.</p>

<p>Jovens, por serem jovens, por não estarem - quem bom! - acostumados com a vida com ela é, são capazes de articular algumas belas surpresas. Anteontem fiquei sabendo, já nem me lembro como, que garotas e garotos estavam organizando um protesto contra as eleições no Rio: estavam revoltados com práticas da coligação que derrotou Fernando Gabeira e achavam que a Justiça Eleitoral tinha que fazer algo.</p>

<p>Dei uma pesquisada e descobri uma comunidade no Orkut (chamada de "Pró-democracia") e um <a href="http://pro-democracia.blogspot.com/">blog.</a> Quando fui à comunidade, ela reunia cerca de 7.200 pessoas - resolvi fazer uma nota lá pro <strong>Informe do Dia</strong>. Na hora de concluir a dita cuja, o grupo já reunia umas 8.500 pessoas. Isso, em pouquíssimas horas (agora pela manhã são exatos 11.785). Eles preparam uma manifestação, nesta sexta, no Centro. </p>

<p>Não entro no mérito das razões do protesto. Mas não posso de deixar de achar legal e mesmo emocionante a iniciativa. É muito bom que a indignação, qualquer uma, se transforme em movimento, em articulação, em gestos. Mais legal ainda que isso seja feito por mecanismos que fogem ao tradicional (nas mais-que-legítimas manifestações dos caras-pintadas contra o Collor havia a presença de entidades estudantis, todas amarradas a partidos e tendências). Muita gente reclama da internet, acha que ela reforça uma tendência de isolamento. Essa articulação reforça que não: os meios virtuais podem ser usados para atos concretos, que ocorrem em praças reais, palpáveis. Isso de uma forma que transcende as organizações tradicionais: um dos lideres do protesto é um garoto de 17 anos que, no Orkut, aparece usando uma peruca de Johnny Bravo!</p>

<p>Pelo que  li, os caras acham que foram enganados, que seus direitos não foram respeitados. Foram à luta e enfrentam os desafios de organizar uma manifestação. Colocam posições, brigam, divergem, são vítimas de tentativas de desmobilização, de algum terrorismo virtual. Mas estão lá, aprendendo e ensinando, como diria aquele velho compositor. Que se organizem, que protestem, que se dêem conta de suas possibilidades e de suas limitações. Que não deixem de lutar pelo que acham justo. </p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2008/10/peito-juvenil.php</link>
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            <pubDate>Thu, 30 Oct 2008 08:00:14 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Diálogo Norte-Sul (meu nome é Creuza)</title>
            <description><![CDATA[<p>A eleição do Rio fornece um mote para que seja aprofundada uma boa discussão sobre a cidade, mais especificamente, sobre a divisão Norte-Sul, subúrbios x Zona Sul. Essa discussão sempre foi meio emperrada pelos estereótipos: de um modo geral,  o subúrbio é visto apenas como sinônimo de lugar de gente boa, alegre, casas-simples-com-cadeiras-na-calçada, ou como algo ameaçador, fonte da violência, do funk, do ih-vamos-invadir. </p>

<p>Esses são os aspectos visíveis, exemplos do bem e do mal: a boa convivência na feijoada da Portela, os olhos de horror para a confusão, no entardecer dos domingos de verão, no ponto final do 484, no Posto 6. E que atire o primeiro prato de farofa o morador da Zona Sul que nunca pensou em exilar todos aqueles sujeitos barulhentos no Piscinão de Ramos.</p>

<p>As falas desastradas de Gabeira e sua exploração um tanto quanto exagerada e oportunista são um fato político, relacionado ao processo eleitoral. Mas existe uma constatação maior: a cidade está, mais do que nunca, claramente dividida. Assumidamente dividida, eu diria. Isto fica bem explícito ao compararmos os gráficos de votação das extremidades, Zona Sul e Zona Oeste.</p>

<p>Mas como eu ia dizendo lá em cima. A eleição mostrou que existe uma relação mal resolvida. De um lado, uma Zona Sul arrogante até quando tenta ser solidária e abraça um projeto que aponta para um futuro, digamos, europeu, de civilidade e de convivência. Mas que tem um porta-voz que, em um ato falho, vocaliza que, no fundo, acha que o Rio termina no Túnel Rebouças (algo como "não vou governar só para o Rio de Janeiro"). </p>

<p>No outro lado há um subúrbio ressentido, que não aparece no mapa, como frisou Chico Buarque no seu último CD. Lembro que, quando era criança, ficava irritado ao não ler nos jornais informações sobre os bailes de carnaval que ocorriam na minha vizinhança, no subúrbio. Os jornais só citavam os da Zona Sul, era como se nós não existíssemos. Mesmo assim, o subúrbio já se viu mais integrado à Zona Sul e que, hoje, se sente cada vez mais discriminado. Um subúrbio empobrecido e feio - na minha infância, Piedade era um bairro muito mais bonito do que hoje, mais conservado, cuidado. Morar no subúrbio não era uma condenação, mas (com o perdão da rima), uma opção. Uma alternativa para quem não queria se submeter ao ritmo e à lógica da Zona Sul.</p>

<p>Só que, ao longo dos anos, os investimentos públicos foram sendo concentrados à beira-mar, aplicou-se muito dinheiro para refazer o que estava pronto na Zona Sul - enquanto isso, ainda há ruas não-urbanizadas, não calçadas, no além-túnel. Os efeitos das ondas de recessão foram maiores no subúrbio, muitas empresas fecharam, a violência por lá é mais evidente. Os governantes sabem que a opinião pública é mais organizada na Zona Sul - por aqui moram jornalistas, artistas, políticos. As escolas e os hospitais públicos são melhores nesta parte da cidade.</p>

<p> Deu no que deu: o voto suburbano foi também um voto ressentido. Temo que esta eleição possa aprofundar essa divisão: uma parcela mais reacionária da Zona Sul pode se sentir mais liberada para um discurso preconceituoso e, mesmo, racista. Na campanha, o prefeito agora eleito tratou de ressaltar a divisão, buscou se beneficiar dela. Agora ele tem o desafio de tentar diminuir os antagonismos - até porque ele sabe que dá para ganhar a eleição sem a Zona Sul, mas é muito complicado governar sem ela (é só perguntar para a ex-governadora Rosinha).</p>

<p><br />
Só para ilustrar, aí vai um trecho de uma paródia de "Como uma deusa" cantada, há alguns anos, numa peça-show aqui na Zona Sul, na Gávea, acho.  Ela ajuda a entender as dificuldades na relação Norte-Sul. </p>

<p>"Meu nome é Creuza/<br />
Só ando de trem/<br />
E os vale que o Edmílson dá/<br />
Me levam além.</p>

<p>Tão perto das Sendas/<br />
 tão longe do Freeway..."</p>

<p><br />
</p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2008/10/dialogo-nortesul-meu-nome-e-cr.php</link>
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            <pubDate>Mon, 27 Oct 2008 10:44:01 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Zé Kéti. Quem?</title>
            <description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><a href="http://www.fernandomolica.com.br/blog/zeketti.php" onclick="window.open('http://www.fernandomolica.com.br/blog/zeketti.php','popup','width=400,height=400,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.fernandomolica.com.br/blog/zeketti-thumb-200x200.gif" width="200" height="200" alt="zeketti.gif" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></span><br />
Ontem, enrolado com o fechamento da coluna do <strong>Dia</strong>, fui surpreendido pela pergunta de uma jovem colega - tem 23 anos. Ela queria saber quem era Zé Kéti. É triste, mas não deixa de ser compreensível que ela não soubesse: o grande compositor morreu há quase dez anos e hoje é conhecido apenas por pessoas mais velhas ou pelos que freqüentam as boas rodas de samba. Não é o caso da minha colega.</p>

<p>Eu estava, repito, completamente enrolado com o fechamento, mas não resisti: aproveitei a deixa e comecei a cantarolar o genial e belíssimo "Mascarada", samba de Zé Kéti e Elton Medeiros (que volta e meia é magistralmente interpretado por Rosa Maria Araújo, presidente do MIS, na roda comandada por Aluísio Maranhão e Tutu). A letra do samba é linda, mas a melodia, cheia de variações, é espetacular, emocionante. Fiquei eu lá, para o espanto da moça, desafinando, errando a letra aqui e ali, mas tentando dar pelo menos um exemplo, ainda que de forma trôpega, da obra desse grande compositor. </p>

<p>O samba, cantado por Zé Kéti, pode ser ouvido <a href="http://br.youtube.com/watch?v=X_BYC1opLhI">aqui</a>.</p>

<p><br />
Por falar em Elton Medeiros e na grande amiga Tutu. Na segunda e terça tem um programão gratuito, uma homenagem ao centenário de Cartola: show de Élton no Teatro Nelson Rodrigues, na Avenida Chile. Começa às19h30. A Tutu, uma das mais cândidas pandeiristas do país, é uma das produtoras. Imperdível. Bom pra comemorar ou pra afogar as mágoas eleitorais. Afinal, Cartola, Zé Kéti, Elton Medeiros - e tantos e tantos outros - são maiores que todas essas confusões terrenas.</p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2008/10/ze-keti-quem.php</link>
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            <pubDate>Fri, 24 Oct 2008 09:25:00 -0300</pubDate>
        </item>
        
    </channel>
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