<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<rss version="2.0">
    <channel>
        <title>Blog Pontos de Partida - Fernando Molica</title>
        <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/</link>
        <description>Blog Pontos de Partida escrito por Fernando Molica. Parte integrante do site www.fernandomolica.com.br</description>
        <language>pt</language>
        <copyright>Copyright 2010</copyright>
        <lastBuildDate>Fri, 03 Sep 2010 12:09:19 -0300</lastBuildDate>
        <generator>http://www.sixapart.com/movabletype/</generator>
        <docs>http://www.rssboard.org/rss-specification</docs>
        
        <item>
            <title>Antônio Torres e essa nossa terra</title>
            <description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><a href="http://www.fernandomolica.com.br/blog/AT.php" onclick="window.open('http://www.fernandomolica.com.br/blog/AT.php','popup','width=491,height=327,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.fernandomolica.com.br/blog/AT-thumb-200x133.jpg" width="200" height="133" alt="AT.jpg" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></span></p>

<p>A Universidade Estadual de Feira de Santana vai promover, nos próximos dias 8 e 9, um caprichadíssimo seminário para discutir a obra de Antônio Torres, baiano do Junco - hoje Sátiro Dias -, autor de livros que carregam a elegância de Didi, a eficiência de Pelé, a criatividade de Garrincha e a complexidade que envolve as relações entre um time e sua torcida. Não é pouco.</p>

<p>Li AT pela primeira vez ainda na faculdade, quando tomei um baita susto ao percorrer <em>Um cão uivando para a lua</em>. Sim, percorrer é um bom verbo para tentar traduzir o impacto deste romance de estreia. Reli-o há poucos anos, o nocaute se repetiu. Neste e em outros livros, AT criou uma obra pra lá de consistente, difícil de ser enquadrada até pelos mais notórios coladores de rótulos.</p>

<p>Seus romances podem ser talvez caracterizados por uma permanente tensão - seu regionalismo conflita com o urbano, com o choque causado pela convivência entre mundos tão diferentes. AT não tem pena de seus personagens, joga sobre eles a responsabilidade de resolver dilemas entre cidade e sertão, lucidez e loucura, delírio e realidade: eles que tratem de se virar diante de conflitos insanáveis, como o que contrapõe civilizações tão distintas, abordadas em seus romances de caráter histórico. </p>

<p>Não dá para se tentar aplicar em AT a lógica academicista tão recorrente que delira diante de supostas transgressões narrativas, que uiva ao perceber tentativas de execução do crime perfeito. aquele que jogará o enredo na lata de lixo da história. Como ocorre nos grandes escritores, em AT, trama e maneira de contá-la fazem parte de um mesmo todo, um todo não monolítico, tenso, mantido vivo pela mão de um autor que não tem medo da ousadia, do salto sem rede. </p>

<p>Algoz e cúmplice de seus personagens, AT  também se arrisca na construção de romances  que, como no melhor jazz, envolvem e desafiam. A beleza de um tema é logo quebrada pelo risco de um improviso de tirar o fôlego, que faz duvidar da capacidade do músico de, lá na frente, retomar o fio da meada. AT consegue aliar a experiência clássica de construção do romance com uma invejável capacidade de renová-la. </p>

<p>Ou seja, o programão da semana que vem está no interior da Bahia.</p>

<p><br />
<em>NARRATIVAS E VIAGENS DO JUNCO AO MUNDO - 70 ANOS DE ANTÔNIO TORRES </p>

<p>8 e 9 de setembro de 2010</p>

<p>Local: Auditório 1 - Módulo 1 - UEFS</p>

<p><br />
PROGRAMAÇÃO:</p>

<p>Dia 8 de setembro - quarta-feira - Manhã</p>

<p>8h30 - Credenciamento dos participantes</p>

<p>9h Abertura: </p>

<p>A trajetória do escritor - Diálogo com Antônio Torres</p>

<p>Interlocutores: Leni David e Carlos Mascarenhas</p>

<p>Coordenação: Aleilton Fonseca</p>

<p>9h50h - Hora do cafezinho</p>

<p><br />
10h - Mesa: Aspectos temáticos da ficção de Antônio Torres</p>

<p>Coordenação: Adeítalo Manoel Pinho (UEFS)</p>

<p>A expansão das fronteiras literárias no Junco de Antônio Torres</p>

<p>Ivana Teixeira Figueiredo Gund (UNEB)</p>

<p>Visões da terra e canção popular no romance O cachorro e  o lobo</p>

<p>Leni David (UEFS)</p>

<p><br />
Sonhos quixotescos e jogos narrativos: atalhos poéticos em Carta ao bispo</p>

<p>Eugênia Mateus de Souza (UNEB).</p>

<p>A desconstrução da identidade nacional na construção de O nobre sequestrador</p>

<p>Benedito Veiga (UEFS)</p>

<p>Dia 8 de setembro - quarta-feira - tarde</p>

<p>13h50 - Entrada no Auditório</p>

<p>14h às 17h - Oficina Literária: "Para gostar de ler e ouvir" - com Antônio Torres </p>

<p>17h - Sessão de autógrafos de livros do autor</p>

<p>Dia 9 de setembro - quinta-feira - Manhã </p>

<p>8h45 Entrada no Auditório</p>

<p>9h - Mesa: "Nosso" Querido Canibal: Narrativa, deslocamentos e imagens </p>

<p>Coordenação: Roberto Henrique Seidel (UEFS)</p>

<p>Hospitalidade e canibalismo na literatura de Antônio Torres</p>

<p>Carlos Mascarenhas (UFPE)</p>

<p>Tradição e contemporaneidade: deslocamentos do narrador em Meu querido canibal</p>

<p>Francisco Assis Miranda Mota (UNIJORGE)</p>

<p>Imagens inaugurais e cenas urbanas: recorrências identitárias em Meu querido canibal</p>

<p>Elvya Shirley Pereira (UEFS)</p>

<p>10h20 - Hora do cafezinho</p>

<p><br />
10h30 - Comunicações: Antônio Torres: ficção, situações e vivências </p>

<p>Coordenação: Rosana Ribeiro Patrício (UEFS)</p>

<p><br />
Essa terra: uma terra de lembranças</p>

<p>Mayara Michele Santos de Novais (PpgLDC-UEFS)</p>

<p>"Essa terra me enxota": deslocamento e fragmentação do sujeito no romance Essa terra</p>

<p>Edinage Maria Carneiro da Silva (Esp. Est. Lit.-UEFS)</p>

<p>A travessia pela cidade natal e a metrópole moderna em Antônio Torres</p>

<p>Rafaela Giovana Lima Santana (PpgLDC/UEFS)</p>

<p>Identidades fragmentadas - o olhar profícuo Pelo fundo da agulha</p>

<p>Ulisses Macêdo Júnior (PpgLDC/UEFS)</p>

<p>Caminhos da narrativa: uma leitura de O nobre sequestrador</p>

<p>Maria Goreth Figueredo Vasconcelos (PpgLDC-UEFS)</p>

<p>Representação da mulher nordestina no conto "O dia de São Nunca"</p>

<p>Jeane Freitas dos Reis(IC-Fapesb-UEFS)</p>

<p> Dia 9 de setembro - quinta-feira - tarde</p>

<p>13h50 - Entrada no Auditório</p>

<p><br />
14h - Comunicações: Antônio Torres: comparações, diálogos e inserções</p>

<p>Coordenação: Francisco Ferreira de Lima (UEFS)</p>

<p>Sátiros d'Essa Terra releem Antônio Torres, o caboclo setenta</p>

<p>Cristiana da Cruz Alves (PPGCC-UNEB)</p>

<p>Por um pé de feijão e por um pedaço de chão: diálogos entre o conto de Antônio Torres e "Santana quemo-quemo" de Antônio Carlos Viana</p>

<p>Tatiane Santos de Araújo (PpgLDC-UEFS)</p>

<p>O indígena na cultura brasileira: estudo comparativo de Meu querido canibal e A confederação dos tamoios</p>

<p>Ana Célia Coelho (IC-Probic-UEFS)</p>

<p>Cunhambebe ou Peri? Duas faces de um mesmo mito</p>

<p>Andreia Ferreira Alves Carneiro (PpgLDC -UEFS)</p>

<p>A trilogia de Antônio Torres nos intercalços da migração</p>

<p>Amanda Silva (PpgLDC-UEFS)</p>

<p>As representações do sertão nos contos "Por um pé de feijão", de Antonio Torres, e "O cavaquinho", de Miguel Torga.</p>

<p>Marcelo Brito da Silva (PpgLDC -UEFS)</p>

<p>15h45 - Hora do cafezinho</p>

<p>16 h - Mesa: O conto de Antônio Torres </p>

<p>Coordenação: Roberto Henrique Seidel (UEFS)</p>

<p>Memória e infância em Meninos, eu conto</p>

<p>Thiago Lins da Silva (PpgLDC-UEFS)</p>

<p>Os móbiles da memória em Meninos, eu conto</p>

<p>Aleilton Fonseca (UEFS)</p>

<p>16h40 - Encerramento: Homenagem a Antônio Torres - Palavras finais</p>

<p>17h00 - Lançamento do livro:</p>

<p>             Espaço nacional, fronteiras e deslocamentos na obra de Antônio Torres</p>

<p>             (Organizadores: Roberto Henrique Seidel & Cláudio Cledson Novaes)</p>

<p>             Sessão de autógrafos de Antônio Torres</em></p>

<p><br />
</p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/09/antonio-torres-e-essa-nossa-te.php</link>
            <guid>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/09/antonio-torres-e-essa-nossa-te.php</guid>
            
            
            <pubDate>Fri, 03 Sep 2010 12:09:19 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Unidade de Pacificação Literária</title>
            <description><![CDATA[<p>Foi lá por volta do terceiro chope que o Gabi Martínez, espanhol que veio ao Rio lançar seu romance <em>Sudd</em> (Rocco), fez uma pergunta que insinuava uma resposta positiva:</p>

<p>- Os brasileiros (ou cariocas, não me lembro mais) devem escrever muito sobre favelas, não?</p>

<p>A maioria da mesa gritou "sim"; eu puxei um solitário "não". Uma amiga - escritora, jornalista e roteirista -  tentou contemporizar. Disse que o tema favela chegara a ser predominante na literatura, mas que isso havia passado. Fez uma ressalva em tom meio de lamento: no cinema, aquele mundo outrora de zinco continuava a ser hegemônico. </p>

<p>Discordei de novo. É o oposto: a literatura e o cinema contemporâneos tendem a focar cada vez mais o universo da classe média urbana (meus últimos dois romances vão nesta linha, por sinal). Vale conferir as listas de maiores bilheterias e, no caso dos livros, de premiações. Não se trata, claro, de pedir cota para pobres na ficção, cada um que escreva sobre o que bem entender. Mas é curioso o estigma em relação a livros ou filmes que, de alguma forma, abordam aspectos relacionados às favelas (sei, já tratei do tema <a href="http://www.fernandomolica.com.br/blog/2009/04/escrita-da-brutalidade.php">aqui</a>, mas agora já comecei a escrever de novo, dane-se). Fala-se no suposto gênero livros sobre favela & violência como não se fala em livros sobre a classe média e suas angústias. É como se tratar disto seja o normal, o esperado; tratar daquilo seria um desvio. Pior: livros que, de alguma forma, abordem favelas, pobres e violência seriam todos iguais, teriam as mesmas preocupações, tratariam dos mesmos aspectos.</p>

<p>O grave é se diferenciar obras não por sua qualidade, mas pela renda per capita de seus personagens. Não existe literatura de favela ou literatura de classe média ou literatura de milionários. Existem bons e maus livros. Arrisco um palpite: depois de desejar o fim ou a remoção das favelas, setores da sociedade brasileira querem eliminar a favela de seu imaginário. Uma remoção simbólica, algo como um "tirem esses pobres da minha biblioteca". Não deixa de ser uma forma de se livrar de um problema - pelo menos, enquanto estivermos trancados dentro de casa.</p>

<p>Se não é possível fazer a favela sumir fisicamente, é necessário eliminar sua presença no imaginário, dar uma solução final para os sonhos, desejos, frustrações e ambições de seus habitantes: feios, sujos e malvados, como naquele velho filme italiano. No máximo podemos admiti-los quietos, comportados - pacificados, como se tornou corrente dizer. Na prática, busca-se uma UPL, Unidade Pacificadora Literária, uma tropa de elite que trate de colocar os pobres em seu suposto devido lugar, bem longe das melhores páginas do ramo. Livro sobre pobre só pode subir pelo elevador de serviço e entrar apenas pela porta de serviço.</p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/08/unidade-de-pacificacao-literar.php</link>
            <guid>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/08/unidade-de-pacificacao-literar.php</guid>
            
            
            <pubDate>Fri, 27 Aug 2010 10:12:14 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>&apos;Instabilidade na concessão do bônus&apos; - Ionesco perde de goleada para os call centers brasileiros</title>
            <description><![CDATA[<p><em>Reproduzo a seguir diálogos que, desde o dia 18, venho mantendo on line com o serviço de atendimento da Claro. A história é simples: no dia 10, resolvi migrar meu número de celular da TIM para a Claro. Esta última empresa prometeu que a tal da portabilidade seria feita às 22h do dia 13, sexta passada. Talvez a data  - sexta, 13 - não tenha ajudado. O negócio não foi feito e tenho, desde então, apanhado mais do que marqueteiro do Serra. Fui jogado numa trama absurda, sem saída. Já dei queixa na Anatel, fiz escândalo no Twitter - e nada. A reprodução pública dos diálogos ajuda, pelo menos, a mostrar como andam as relações entre empresas e consumidores no País.</p>

<p>Bem, admito: apesar de todo o perrengue, os textos abaixo podem ser considerados de humor. Há trechos hilariantes - alguns revelam o uso de uma novilíngua  ("Instabilidade na concessão do bônus"); outros apenas reafirmam o desrespeito (a atendente chama de 'senhora' - sinal que mal lia os textos que eu postava - um sujeito que tem o nome de José).</p>

<p>Divirtam-se.</em></p>

<p></p>

<p>	<br />
<strong>Primeiro diálogo, 18/8</strong><br />
	<br />
Paulo S 	Sr(a). jose fernando reis molica, bem-vindo ao Atendimento on-line da Claro. Em que posso ajudar? <br />
(18/08/2010 16:22:30) jose fernando reis molica	em primeiro lugar, não faça como seu colega. não saia do ar. <br />
(18/08/2010 16:23:02) jose fernando reis molica - bem, semana passada, a claro mentiu duas vezes para mim: disse que concluiria a migração de meu celular na sexta à noite - e não o fez. <br />
(18/08/2010 16:23:26) jose fernando reis molica no sábado, atribuiu o problema à TIM - o que era mentira, o que vcs reconheceram depois. <br />
(18/08/2010 16:23:49) jose fernando reis molica depois, prometeram concluir a migração até hoje. <br />
(18/08/2010 16:24:18) jose fernando reis molica Até agora, nada aconteceu. O oestouro do prazo é absurdo - cquando comprei o celular, vocês me disseram que a portabilidade seria concluída em cinco dias - ou seja, até domingo passado. <br />
(18/08/2010 16:24:58) jose fernando reis molica estou com duas contas ativas( uma na TIM - 8111 XXXX) e outra na claro. ah, já me queixei à Anatel. Enfim, este rpoblema aacaba hoje? a que horas? </p>

<p>(18/08/2010 16:26:37) jose fernando reis molica Insisto: a portabilidade será, enfim, concluída hoje? a que horas? <br />
<strong>(18/08/2010 16:27:20) jose fernando reis molica tem <br />
alguém aí? <br />
(18/08/2010 16:28:27) jose fernando reis molica<br />
Você foi embora, Paulo S? </strong></p>

<p><em>(Paulo S havia mesmo ido embora) </em></p>

<p><br />
<strong>Segundo diálogo - 18/8</strong><br />
	<br />
	(18/08/2010 16:44:59) jose fernando reis molica<br />
	O Paulo S foi embora, espero que vc, Paula R, não vá. Espero que vc me responda. <br />
	<br />
	(18/08/2010 16:46:20) Paula R <br />
	Boa tarde. <br />
	<br />
	(18/08/2010 16:46:22) Paula R <br />
	O número do celular informado anteriormente é o mesmo para o qual deseja informações? <br />
	<br />
	(18/08/2010 16:47:01) jose fernando reis molica<br />
	sim <br />
	<br />
	(18/08/2010 16:48:02) jose fernando reis molica<br />
	quero saber quando vcs vão comncluir o processo de portabilidade. é só ler o que escrevi par aseu colega. <br />
	<br />
	(18/08/2010 16:49:26) Paula R <br />
	Este atendimento gerou o número de protocolo 2010162085332 que também será encaminhado por torpedo em até 24h. Peço, por gentileza, que responda as mensagens enviadas por mim em até 03 minutos, evitando uma desconexão automática.<br />
	<br />
	(18/08/2010 16:49:48) Paula R <br />
	<strong>Sr. Jose, verifiquei em nosso sistema e consta que a migração foi concluída. <br />
	<br />
	(18/08/2010 16:50:20) jose fernando reis molica<br />
	acabei de ligar para <br />
	<br />
	(18/08/2010 16:50:38) jose fernando reis molica<br />
	acabei del igar para o 8111 xxxx. tocou o telefone antigo, o da tim. <br />
	<br />
	(18/08/2010 16:50:47) jose fernando reis molica<br />
	a migração não foi concluída! </strong>	</p>

<p>	(18/08/2010 16:51:29) jose fernando reis molica<br />
	faça o teste. insisto: a migração foi não concluída. <br />
	<br />
	(18/08/2010 16:52:06) jose fernando reis molica<br />
	desculpe, mas a situação é absurda. <br />
	<br />
	(18/08/2010 16:52:23) Paula R <br />
	Sr. Jose, como consta em nosso sistema que a migração foi concluída podemos fazer a configuração de rede em seu aparelho. <br />
	<br />
	<strong>(18/08/2010 16:52:40) Paula R <br />
	Sr. Jose, concorda em fazer a configuração de rede em seu aparelho? <br />
	<br />
	(18/08/2010 16:53:10) jose fernando reis molica<br />
	Paula, não tenho a menor ideia do que seja isso. Só quero que meu trelefone novo passe a funcionar com o número antigo. </strong>	<br />
	(18/08/2010 16:54:01) jose fernando reis molica<br />
	O que é configuração de rede? no que implica? <br />
	<br />
	(18/08/2010 16:55:57) Paula R <br />
	Sr. Jose, foi feito o envio de rede ao seu aparelho, por isso peço por gentileza que desegue o aparelho ligue-o novamente após 4 horas, pois o problema com a portabilidade pode estar relacionado a rede. <br />
	<br />
	(18/08/2010 16:56:18) jose fernando reis molica<br />
	qual aparelho que deve ser desligado? o novo? <br />
	<br />
	(18/08/2010 16:56:59) Paula R <br />
	Sr. Jose, o aparelho em que a linha foi ativa na Claro, ou seja o aparelho que foi feito a portabilidade. <br />
	<br />
	(18/08/2010 16:57:44) jose fernando reis molica<br />
	Ok, o outro continuara funcinando, certo? Sou jornalista, faço uma coluna num jornal do Rio, não posso ficar sem ceular durante o dia! <br />
	<br />
	(18/08/2010 16:58:02) Paula R <br />
	Sim senhor. <br />
	<br />
	(18/08/2010 16:58:30) jose fernando reis molica<br />
	daqui a quatro horas isso será concluído, certo? <br />
	<br />
	(18/08/2010 16:58:45) Paula R <br />
	É necessário que desligue apenas o aparelho em que a linha pós-pago foi ativa. <br />
	<br />
	(18/08/2010 16:58:51) Paula R <br />
	Sim senhor. <br />
	<br />
	(18/08/2010 16:59:10) jose fernando reis molica<br />
	já o desliguei. <br />
	<br />
	(18/08/2010 16:59:39) Paula R <br />
	Sr. Jose, algo mais em que possa ajudar?</p>

<p>	<br />
<strong>Terceiro diálogo - 18/8</strong>	<br />
	</p>

<p>(18/08/2010 21:24:01) Fernanda N 	Sr(a). jose fernando reis molica, bem-vindo ao Atendimento on-line da Claro. Em que posso ajudar? <br />
<strong>(18/08/2010 21:24:16) jose fernando reis molica	Vocês falharam de novo. <br />
(18/08/2010 21:24:43) Fernanda N 	Boa noite <br />
(18/08/2010 21:24:56) jose fernando reis molica	Ao contrário do que me disseram há quatro horas atrás, não conseguiram concluir a migração de meu teleofne 8111 XXXX da TIM para a Claro. </strong><br />
(18/08/2010 21:25:12) Fernanda N 	Este atendimento gerou o número de protocolo 2010162330312 que também será encaminhado por torpedo em até 24h. Peço, por gentileza, que responda as mensagens enviadas por mim em até 03 minutos, evitando uma desconexão automática.<br />
(18/08/2010 21:25:27) jose fernando reis molica	O processo teria que ter sido concluído na sexta-feira <br />
(18/08/2010 21:25:30) Fernanda N 	O número do celular informado anteriormente é o mesmo para o qual deseja informações?<br />
(18/08/2010 21:25:42) jose fernando reis molica	claro. <br />
(18/08/2010 21:26:09) jose fernando reis molica	Vocês falharam e mentiram - atribuíram, no sábado, o problema à TIM. Me queixei à Anatel, vocês prometeram resolver tudo hoje. <br />
(18/08/2010 21:26:40) Fernanda N 	Qual o número que o senhor fez a Portabilidade com o DDD? <br />
(18/08/2010 21:26:52) jose fernando reis molica	21 8111 XXXX <br />
(18/08/2010 21:27:01) Fernanda N 	Aguarde um momento, por favor.<br />
(18/08/2010 21:27:19) jose fernando reis molica	Pouco antes da 17h, vocês mentiram de novo: disseram que a portabilidade havia sido feita. Mostrei que não. </p>

<p>(...)</p>

<p>(18/08/2010 21:27:59) jose fernando reis molica	Acabei de fazer o teste: o número 8111 XXXXcontinua na TIM. <br />
(18/08/2010 21:28:27) Fernanda N 	O senhor pode informar o número do Protocolo da solicitação da Portabilidade? <br />
(18/08/2010 21:28:46) jose fernando reis molica	Isto está no contrato <br />
(18/08/2010 21:29:06) jose fernando reis molica	contrato que assinei na terça passada na loja do rio Sul. <br />
(18/08/2010 21:29:17) Fernanda N 	Informe o número do Protocolo da solicitação de Portabilidade? <br />
(18/08/2010 21:29:34) jose fernando reis molica	É absurdo que vocês não o localizem. Esotu no meu trabalho; o contrato está em casa. <br />
(18/08/2010 21:30:11) Fernanda N 	Estou pedindo o número do protocolo que o senhor fez a solicitação da Portabilidade? <br />
(18/08/2010 21:30:22) Fernanda N 	Não é informação sobre o contrato. <br />
(18/08/2010 21:30:36) jose fernando reis molica	Eu fiz a solicitação ao comprar o novo aparelho. <br />
(18/08/2010 21:30:54) jose fernando reis molica	Foi algo automático. O prazo de 13 de agosto me foi passado pela atnedente da loja. <br />
(18/08/2010 21:31:13) jose fernando reis molica	No sábado, quando reclamei por telefone, vocês me deram outro prazo, 18 de agosto. <br />
(18/08/2010 21:31:42) jose fernando reis molica	Não liguei para pedir a portabilidade: eu aproveitei uma promoção da Claro para mudar de operadora. <br />
<strong>(18/08/2010 21:32:24) Fernanda N 	O senhor fez Portabilidade de qual número? <br />
(18/08/2010 21:32:41) jose fernando reis molica	Pela terceira vez neste contato: 21 8111 XXXX.</strong> <br />
(18/08/2010 21:35:05) Fernanda N 	Verifiquei no sistema e consta um protocolo em aberto do dia 16/08/2010.</p>

<p>Protocolo Único 2010160592396 <br />
(18/08/2010 21:35:17) jose fernando reis molica	O atendimento anterior on line gerou o número de protocolo 2010162085332 . Mas, antes, já falara com vocês no sábado. <br />
<strong>(18/08/2010 21:35:50) Fernanda N 	É necessário que o senhor aguarde o prazo de 5 dias úteis, pois a area responsável entrará em contato com o senhor. </strong><br />
(18/08/2010 21:35:59) jose fernando reis molica	Parem de culpar o tal sistema! Vocês me deram um prazo de cinco dias para fazer a portabilidade. Isto, no dia 10. Ainda na loja, disseram que a mudança seria no dia 13, <br />
(18/08/2010 21:36:39) jose fernando reis molica	No sábnado, dia 14, prometeram que a mudança seria feita hoje, dia 18. No dia 16, dei queixa à Anatel. Hoje, mais cedo, vocês mentiram de novo, disseram que protabnilidade <br />
(18/08/2010 21:36:59) jose fernando reis molica	que a portabilidade havia sido feita. Parem de me tratar feito palhaço. <br />
(18/08/2010 21:37:39) jose fernando reis molica	Não tem´nada de cinco dias! Isto é absurdo. ^Terei que abrir nova queixa na Anatel? estou tendo o cuidado de arquivar todas essas trocas de mensagens! </p>

<p></p>

<p><strong>Quarto diálogo - 20/8</strong></p>

<p></p>

<p>(20/08/2010 10:07:29) Carla F  Sr(a). jose fernando reis molica, bem-vindo ao Atendimento on-line da Claro. Em que posso ajudar?  </p>

<p>(20/08/2010 10:07:41) jose fernando reis molica Já decorei as perguntas de vcs.  </p>

<p>(20/08/2010 10:07:49) Carla F  Bom dia.  </p>

<p>(20/08/2010 10:08:07) Carla F  Por gentileza poderia me informar o numero de seu celular?  </p>

<p>(20/08/2010 10:08:12) jose fernando reis molica na verdade, o prblema a não-migração do telefone 21 8111 XXXX, linha originalmente da TIM  </p>

<p>(20/08/2010 10:08:29) jose fernando reis molica no dia 10, comprei um celular claro para fazer a portabilidade.  </p>

<p>(20/08/2010 10:09:00) jose fernando reis molica a claro disse que a transferência seria feita às 22h do dia 13. Não foi feita. reclame seguidas vezes, inclusive com a Anatel. e nada  </p>

<p>(20/08/2010 10:09:13) jose fernando reis molica hoje é dia 20, há uma semana que sou feito de palhaço.  </p>

<p>(20/08/2010 10:09:29) jose fernando reis molica estou com duas contas ativas, pagando por ambas: uma na TIm. outra na Claro.  </p>

<p>(20/08/2010 10:09:59) jose fernando reis molica Ressalto que o prazo máximo para que a portabilidade fosse efetuada seria de cinco dias, ou seja, terminaria no domingo passado.  </p>

<p>(20/08/2010 10:10:06) jose fernando reis molica Isso é brincadeira, tortura?  </p>

<p>(20/08/2010 10:10:15) Carla F  Este atendimento gerou o número de protocolo 2010163319065 que também será encaminhado por torpedo em até 24h. Peço, por gentileza, que responda as mensagens enviadas por mim em até 03 minutos, evitando uma desconexão automática.<br />
 </p>

<p>(20/08/2010 10:10:59) Carla F  Senhor nesse caso o senhor devera ir a loja.  </p>

<p><strong>(20/08/2010 10:11:02) jose fernando reis molica por favor, não me mande ligar para o atendimento telefônico. fiz isto ontem. fiquei, sem exagero, carla f, uma hora sendo enrolado.  </strong></p>

<p>(20/08/2010 10:11:15) jose fernando reis molica devo ir aa loja pq?  </p>

<p>(20/08/2010 10:12:00) jose fernando reis molica pq ir à loja? lá eles irão colocar a culpa no ´sistema´, alegarão que nada poderão fazer.  </p>

<p>(20/08/2010 10:12:57) jose fernando reis molica o problema não é a loja, é a claro. assinei um contrato com a claro, contrato que diz, expressamente, que a migração seria feita no dia 13, às 22h. só exijo o cumprimento do contrato.  </p>

<p>(20/08/2010 10:13:42) jose fernando reis molica vc ainda está aih, carla f?  </p>

<p><strong>(20/08/2010 10:14:10) Carla F  "Sr. Jose, foi constatado uma instabilidade na concessão do bônus e a área responsável está trabalhando para disponibilizá-lo até às 17:00 do dia 20/08/2010. Peço desculpas pelo transtorno. Agradeço a sua compreensão e desejo um bom dia!"<br />
 </p>

<p>(20/08/2010 10:15:00) jose fernando reis molica Instabilidade na concessão do bônus? o que é isso?  </p>

<p>(20/08/2010 10:15:29) jose fernando reis molica que bônus? não pedi bônus nenhum? Desde quando bônus é sinônimo de efetuação da portabilidade?  </p>

<p>(20/08/2010 10:15:51) jose fernando reis molica Instabildiade? Está chovendo? Tempo instável?  </strong><br />
(20/08/2010 10:15:59) Carla F  Desculpe.  </p>

<p>(20/08/2010 10:16:12) jose fernando reis molica Por favor, falem portugues!  </p>

<p>(20/08/2010 10:16:42) Carla F  Sr.Jose, Estamos trabalhando para regularização do serviço em até 48 horas. Pedimos desculpas pelo transtorno e agradeço a sua compreensão. Bom-dia!"<br />
 </p>

<p>(20/08/2010 10:16:46) jose fernando reis molica Não quero Bônus, quero que vcs cumpram com a obrigação de efetuar a transferência do meu número da TIM para a Claro.  </p>

<p>(20/08/2010 10:16:53) Carla F  Esta com estabilidade.  </p>

<p>(20/08/2010 10:17:06) jose fernando reis molica Não me mandem respostas prontas, que já chegam entre aspas.  </p>

<p>(20/08/2010 10:17:20) Carla F  Senhor desculpe enviei erado.  </p>

<p>(20/08/2010 10:17:33) jose fernando reis molica não compreendo nada. estou tendo prejuízo, pagando duas contas, dois planos.  </p>

<p><strong>(20/08/2010 10:17:36) Carla F  Senhora então entre em contato com o 1052.  </p>

<p>(20/08/2010 10:17:56) jose fernando reis molica primeiro, não sou senhora. josé eh nome masculino.  </p>

<p>(20/08/2010 10:18:02) jose fernando reis molica fernando também é nome m asculino.  </p>

<p>(20/08/2010 10:18:32) jose fernando reis molica se vc leu minhas mensagens - duvido que tenha feito, não mleu nem meu nome - teria visto que eu já liguei para o 1052. </strong> </p>

<p>(20/08/2010 10:18:55) jose fernando reis molica liguei ontem, fiquei uma hora falando com uma colega sua.  </p>

<p>(20/08/2010 10:19:41) jose fernando reis molica vocês apenas me empurram de um lado para outro. você gostaria de ser tratada desse jeito, carla f?  </p>

<p>(20/08/2010 10:20:43) jose fernando reis molica já estamos teclando há 12 minutos e, até agora, você não tomou qualquer medida prática para tentar resolver o problema. já notou isso?  </p>

<p>(20/08/2010 10:21:13) jose fernando reis molica já tentou me empurrar para a a loja, para o 1052, já me chamnou de senhora, já fez previsão do tempo (instabilidade...). mas, de prático, não fez nada.  </p>

<p>(20/08/2010 10:22:19) Carla F  Senhor tera que ir na loja ou ligar no 1052.  </p>

<p>(20/08/2010 10:22:39) jose fernando reis molica eu já liguei para o 1052, carla f.  </p>

<p><strong>(20/08/2010 10:22:53) Carla F  Portabilidade não é por aqui.  </p>

<p>(20/08/2010 10:23:09) jose fernando reis molica loja é para vender celulares, não para resolver problemas de sistema.  </p>

<p>(20/08/2010 10:23:26) Carla F  E o que eles disseram ao senhor?  </p>

<p>(20/08/2010 10:23:48) jose fernando reis molica portabilidade não é por aqui! espetacular! certamente não é, portabilidade, definitivamente, não é na claro.  </strong></p>

<p>(20/08/2010 10:24:03) jose fernando reis molica eles fizeram o mesmo que vc, carla f. me enrolaram.  </p>

<p>(20/08/2010 10:24:06) Carla F  Senhor pois portabilidade é feito a loja, poer isso teria que ir a loja.  </p>

<p>(20/08/2010 10:24:40) Carla F  Senhor desculpe-me pelo constranguimento <br />
</p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/08/instabilidade-na-concessao-do.php</link>
            <guid>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/08/instabilidade-na-concessao-do.php</guid>
            
            
            <pubDate>Fri, 20 Aug 2010 10:32:23 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>O grande Gabrielzinho</title>
            <description><![CDATA[<p><br />
<em>Há quase dois anos, em dezembro de 2008, eu coloquei um texto aqui no blog sobre o Gabriel Cavalcante, um músico e cantor que acabara de conhecer. Já então me admirava com aquele sujeito, exagerado na voz, no cavaquinho, no peso  e - admitamos -  na sede. Nesta quarta, dia 11, Gabrielzinho faz seu primeiro show solo, às 19h, no Teatro Rival. Eu dificilmente poderei ir - saio mais tarde do jornal. Mas recomendo, o cara é muito bom. O Moacyr Luz, companheiro das altas rodas, vai dar uma generosa canja.</em></p>

<p><br />
Pra não desperdiçar a chance de, daqui a uns poucos anos, poder dizer que fui o primeiro a escrever sobre isso. O cara da foto aí de cima é exagerado em tudo: na pouca idade (inacreditáveis 21 anos), na sede (bebe direitinho, o rapaz), no peso (três dígitos, fácil), no mau gosto (fez tatuar numa das pernas o escudo daquele time da Gávea, um negócio horroroso), no ótimo gosto (conhece todos os sambas compostos em todos os tempos). E, principalmente, toca muito bem cavaquinho e é um excelente cantor. Vozeirão de gente grande; é afinado, capaz de se sobressair no meio da mais confusa roda de samba. O nome dele é Gabriel Cavalcante, o Gabriel da Muda, presença quase obrigatória nos melhores sambas da cidade. Está sempre ao lado do Moacyr Luz em pelo menos duas ótimas rodas cariocas: o "Samba, Luzia!", às sextas à noite, ali perto do Santos Dumont, e, às segundas à tarde, no "Samba do Trabalhador", no Renascença. Também bate ponto quinzenalmente na rua do Ouvidor, na roda promovida pela livraria Folha Seca e pelo restaurante Antigamente. Ele já registrou sua voz no CD "Samba do Trabalhador", mas já tá na hora dele gravar um disco solo. Ah, ele e o meu colega Eduardo Carvalho têm um o blog, o Samba, boemia e vagabundos!, em http://sbvagabundos.blogspot.com/ .</p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/08/o-grande-gabrielzinho.php</link>
            <guid>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/08/o-grande-gabrielzinho.php</guid>
            
            
            <pubDate>Tue, 10 Aug 2010 00:20:29 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Um mundo impossível de Tojal</title>
            <description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><a href="http://www.fernandomolica.com.br/blog/livro-oasis.php" onclick="window.open('http://www.fernandomolica.com.br/blog/livro-oasis.php','popup','width=124,height=169,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.fernandomolica.com.br/blog/livro-oasis-thumb-200x272.jpg" width="200" height="272" alt="livro-oasis.jpg" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></span>O amigo Altamir Tojal lança amanhã, terça, na Travessa do Leblon, a partir das 19h, seu livro de contos <em>Oásis azul do Méier</em> (Calibán Editora). Comecei a leitura na semana passada e tomei um agradável susto. Autor do romance <em>Faz que não vê </em>(2006), Tojal se reinventou no novo livro: não que este seja melhor que o primeiro, mas as diferenças entre eles são muito grandes. As narrativas são surpreendentes, apresentam personagens meio patéticos, meio absurdos que se deparam diante de situações inusitadas - como a de um condenado à morte que precisa cometer um crime para justificar a sentença prévia. Ou como a de um autor em busca de sua única leitora. </p>

<p>Tojal levou seus personagens a uma perigosa beira de abismo - um passo em falso e todos cairiam. Soube, porém, mantê-los vivos, tensos e instigantes, protagonistas de uma prosa que flerta com o delírio da poesia. Não é gratuito o elogio de Alberto Mussa que, na apresentação de <em>Oásis</em>, o classifica de um dos melhores livros de contos da produção contemporânea brasileira. Ah, Tojal mantém um blog, o <a href="http://www.estemundopossivel.com.br/">Este mundo possível</a>.</p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/08/um-mundo-impossivel-de-tojal.php</link>
            <guid>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/08/um-mundo-impossivel-de-tojal.php</guid>
            
            
            <pubDate>Mon, 02 Aug 2010 09:11:14 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>O lado ativo da corrupção</title>
            <description><![CDATA[<p>Há uns anos - seis, sete, sei lá - sugeri ao <em>Fantástico</em>, onde então trabalhava, uma reportagem razoavelmente simples: testaríamos o funcionamento de um mecanismo básico da corrupção, a tal cervejinha para o guarda de trânsito. Queria saber até que ponto a iniciativa do suborno partia do motorista.</p>

<p>A Guarda Municipal topou a instalação de uma microcâmera num de seus funcionários. Conversei com o sujeito, expliquei que em nenhum momento ele poderia insinuar qualquer, digamos, possibilidade de desenrolo.  A equipe acompanharia as abordagens de longe, dentro de uma van sem o logo da Globo.</p>

<p>Foi mole: a maioria dos motoristas flagrados cometendo alguma irregularidade (avanço de sinal, conversão proibida) ia até o guarda e propunha algum acordo. A velha história do "como é que a gente pode resolver isto, parceiro?" Uns falaram em dinheiro, outros na tal cervejinha - um ousou falar em pagar um guaraná.</p>

<p>Ou seja, a reportagem apenas comprovou o óbvio. A ideia da corrupção como mecanismo de resolução de problemas está entranhada entre nós. É mais fácil morrer numa graninha para o guarda do que acertar as contas com o Estado. Claro que a possibilidade do desenrolo estimula a infração - pelo menos, diminui o medo de cometê-la. </p>

<p>E é claro também que, numa emergência, em meio a uma tragédia, o recurso aos mecanismos informais e ilegais acabe sendo a primeira opção de muita gente. Só que, de vez em quando, a situação se complica, a vítima não é pobre, o crime tem repercussão, a sacanagem emerge. Mas, mesmo assim, nossos instrumentos de proteção social continuam a agir: os PMs subornados pelo pai do atropelador da Gávea estão presos; o autor confesso do suborno, o mesmo que admitiu ter tentado eliminar uma das provas do crime, continua solto. O cara ainda não foi sequer indiciado pelo crime que confessou ter cometido.</p>

<p><br />
Ah, vale lembrar uma lição básica do jornalismo: notícia é o fato inesperado, quando um homem morde um cachorro. O inverso é usual, não merece destaque. Pois. Os jornais cariocas hoje dão destaque a dois PMs que - caramba! - não aceitaram suborno e ainda prenderam o autor da proposta. Pior: acho que os colegas não erraram ao enfatizar o caso.</p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/07/o-lado-ativo-da-corrupcao.php</link>
            <guid>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/07/o-lado-ativo-da-corrupcao.php</guid>
            
            
            <pubDate>Thu, 29 Jul 2010 09:40:41 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>A expulsão do Jobson e o risco do Garrincha</title>
            <description><![CDATA[<p><em>Recebi, nesta manhã, um e-mail indignado do alvinegro Cesar Oliveira, que protestava contra a absurda expulsão do Jobson no jogo de ontem contra o Palmeiras. Ele driblou um sujeito, foi agredido, não reagiu - e foi expulso. Mandei a seguinte resposta para o Cesar</em>:</p>

<p>Também fiquei muito irritado com a atitude do árbitro. Mais: fiquei revoltado. No início, ao não perceber que o Jobson também tinha sido expulso, até admirei a suposta personalidade do juiz de mandar para fora um troglodita que se sentira humilhado diante do brilhante futebol do adversário. Mas não. O covarde fez o manda o manual da lavagem de mãos (Pilatos deveria ser o símbolo da arbitragem brasileira): expulsou os dois jogadores. Fui para o twitter - este divã eletrônico sempre a postos para ouvir nossas queixas - e reclamei muito.</p>

<p>Esse tipo de covardia da arbitragem ajuda a acabar com os poucos momentos de brilho do futebol praticado no Brasil: de uns anos pra cá, driblar virou sinônimo de ofensa pessoal, é quase como xingar a mãe. Foi assim quando aquele desclassificado zagueiro (ou lateral, sei lá) do Flamengo partiu, dedo em riste, para cima do Maicosuel - tudo porque havia sido driblado. Isto, claro, depois de agredi-lo. E o medíocre não foi expulso de campo. Ontem, a mesma coisa: o Jobson ousou fazer aquilo que tantas alegrias deu a tantos e tantos torcedores. Jobson tentou sair do óbvio, tentou driblar. Foi agredido por um adversário e punido pelo encarregado de manter o respeito às normas. Isso é inacreditável, assustador. Hoje, as matérias do <em>Dia</em> e do <em>Globo</em> classificam de injusta a expulsão do Jobson. Mas é preciso fazer mais, é preciso alertar, bater bumbo para o risco de banalização deste crime de lesa-futebol. Chegamos a um ponto em que falta é recurso e drible virou ofensa. Fui dormir pensando no que seria de Garrincha nos dias de hoje - iria apanhar mais do que amante de goleiro do Flamengo e talvez viesse a ser banido do futebol. <br />
</p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/07/a-expulsao-do-jobson-e-o-risco.php</link>
            <guid>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/07/a-expulsao-do-jobson-e-o-risco.php</guid>
            
            
            <pubDate>Fri, 23 Jul 2010 10:18:15 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Peladas em Vila Isabel</title>
            <description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><a href="http://www.fernandomolica.com.br/blog/conviteVila.php" onclick="window.open('http://www.fernandomolica.com.br/blog/conviteVila.php','popup','width=1200,height=850,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.fernandomolica.com.br/blog/conviteVila-thumb-200x141.jpg" width="200" height="141" alt="conviteVila.jpg" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></span>Parece até manchete do bravo 'Meia Hora', mas explico: neste sábado, dia 24, eu e o Moacyr Luz iremos conversar sobre nossos livros - <em>O misterioso craque da Vila Belmira </em>e <em>Camisa, short e meião </em>- na Livraria Nobel do Shopping Iguatemi, em Vila Isabel. Uma conversa sobre livros, futebol e peladas de rua. Será a partir das 16h.</p>

<p>Engraçado, por falar em futebol: nos anos 80, morei ali pertinho, num prédio da Teodoro da Silva (751, se não me engano: bloco 2, apartamento 506). O shopping foi construído no terreno que abrigava o campo do América. A mudança - de pequeno estádio para shopping - tem um pouco a ver com os nossos livros.<br />
</p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/07/peladas-em-vila-isabel.php</link>
            <guid>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/07/peladas-em-vila-isabel.php</guid>
            
            
            <pubDate>Wed, 21 Jul 2010 12:03:38 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>La Roja e los colequinhas</title>
            <description><![CDATA[<p>E a Espanha ganhou a Copa. Parabéns, parabéns. Claro que os jogadores da Holanda não tinham nada a ver com o apartheid, mas seria muita sacanagem histórica que eles ganhassem o mundial na África - o apartheid, afinal, foi obra de imigrantes holandeses. Espetacular o beijo do Casillas na igualmente espetacular repórter da TV espanhola. E é emocionante a comemoração dos coleguinhas do <em>Marca</em>. Veja <a href="http://www.marca.com/2010/07/11/futbol/mundial_2010/1278871226.html?a=20cca84766e8e1cd22bb63cb0e7f5950&t=1278904035">aqui</a>.</p>

<p>Ah, Forlán, do Botafogo genérico, foi o melhor jogador da Copa.</p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/07/la-roja-e-los-colequinhas.php</link>
            <guid>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/07/la-roja-e-los-colequinhas.php</guid>
            
            
            <pubDate>Mon, 12 Jul 2010 00:13:28 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>O polvo (alemão e com brócolis) no Twitter - minutos finais do jogo entre Espanha e Alemanha</title>
            <description><![CDATA[<p><em>38 minutos do segundo tempo:</em><br />
Polvo começa a olhar desconfiado para o cozinheiro, que começa a selecionar o brócolis.</p>

<p><em>40 minutos do segundo tempo:</em><br />
Tensão: dentro do aquário, o polvo escuta barulho seco do facão cortando pedaços do brócolis. Comprime os tentáculos. </p>

<p><em>43 minutos do segundo tempo:</em><br />
Aumenta a tensão do polvo alemão. A água na panela atinge o ponto de fervura. O cozinheiro separa uma faca maior do que a usada no brócolis. </p>

<p><em>45 minutos do segundo tempo:</em><br />
Em algum lugar do mundo, alguém prepara uma nova sátira de "A queda". Hitler pergunta: "Quem trouxe este polvo para cá?"</p>

<p><em>Fim de jogo, 48 minutos do segundo tempo:</em><br />
O cozinheiro liga o CD player e, faca na mão, vai em direção ao aquário. O polvo reconhece a introdução de "Lili Marlene" e fecha os olhos. </p>

<p><br />
(Antes de ser picotado, o polvo liga para Bruno e sussurra: "Um dia nós vamos rir disso tudo".)</p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/07/o-polvo-alemao-e-com-brocolis.php</link>
            <guid>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/07/o-polvo-alemao-e-com-brocolis.php</guid>
            
            
            <pubDate>Thu, 08 Jul 2010 00:31:30 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Pátria minha (e a camisa amarela na gaveta)</title>
            <description><![CDATA[<p>Aprendi a torcer pela seleção brasileira antes mesmo de saber ao certo o que era o Brasil. Em 1969, nas eliminatórias, acompanhei pelo rádio - sim, não havia transmissão ao vivo pela TV - jogos disputados em países vizinhos que então me pareciam distantes. Um jogo duro aqui, uma e outra goleada contra a Venezuela (5 a 0 e 6 a 0, se não me engano), a vitória contra o Paraguai, em Assunção, testemunhada pelo meu pai.</p>

<p>Em 1970, aos 9 anos, eu já me sabia alvinegro, comemorara os campeonatos de 1967 e 1968 conquistados pelo Botafogo. Conhecia o Campeonato Carioca, seus jogos, sua lógica. Mas o Brasil era muito grande, muito maior que a distância entre Piedade e o bairro de Botafogo, onde ficava o estádio de General Severiano. O Botafogo era meu, do meu pai, seria também do meu irmão, então um bebê. Já o Brasil - como assim? - era grande demais, superava rivalidades, abarcava todos nós, alvinegros, tricolores, cruzmaltinos, rubro-negros e até paulistas e mineiros. De uma certa forma, o Brasil me foi imposto, uma doce imposição que se transformou em vitória, em tricampeonato.<br />
 <br />
A partir de 1970, torcer pela seleção brasileira virou rotina. Ao longo de mais de duas décadas esperei a repetição da euforia testemunhada no ano do tri. Em 1974, não entendi a derrota, não imaginava a possibilidade de o Brasil não vencer. Pelo Brasil, superei rivalidades clubísticas, esperei que Zico fizesse pela seleção o que já me acostumava a, com muito sofrimento, ver no Maracanã.  Não deu. Em 1978, ele e o time caíram nos buracos do estádio de Mar del Plata, sucumbiram diante do arranjo de peruanos e argentinos.</p>

<p>Em 1982 e 1986, mais decepções. Quatro anos depois saí pelas ruas do Andaraí antes de o jogo contra a Argentina terminar, inconformado pelo gol de Caniggia. Em 1994, enfim, voltei a comemorar uma Copa, um grito ainda mais efetivo, já que compartilhado com meus dois filhos. E vieram o amargo1998 (Quem é que sobe? Zidane!), o penta de 2002 e a nova decepção de 2006 - esta, uma Copa marcada pelo descompromisso, pela irresponsabilidade. Mas, pelo menos, torci, reclamei, procurei culpados. </p>

<p>Há menos de um mês, antes do início do Mundial, escrevi <a href="http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/06/dunga-o-libertador.php">aqui</a> um agradecimento irônico ao Dunga, ressaltei que, pela primeira vez, não me sentia obrigado a torcer pela seleção. Havia um incômodo em compartilhar da histeria, da patriotada, do autoritarismo, da patotagem, do desprezo pelo talento. Aos 49 anos, me sentia livre para não aderir a uma lógica que me feria, atentava contra princípios que, ao longo da vida, aprendera a valorizar. </p>

<p>Para minha surpresa, o sentimento foi verdadeiro. Não fiquei à vontade para torcer pelo Brasil, sequer tirei da gaveta a camisa da seleção que comprara um mês antes da Copa. A grosseria de Dunga depois do jogo contra a Costa do Marfim me afastou ainda mais do time. A corrente-pra-frente pró-técnico esboçada em seguida aumentou meu susto: como assim, transformar aquilo em algo louvável, fazer da covardia uma suposta manifestação de coragem? A tendência autoritária que se mantém na sociedade brasileira é assustadora, perigosa. A perspectiva de vitória da seleção se transformou num risco ao culto à repressão, à incivilidade, à ditadura. Não dá para torcer a favor desta escalação. </p>

<p>Admito que, durante o primeiro tempo do jogo contra a Holanda, a seleção quase me seduziu. Pela primeira vez na Copa eu comemorei com algum prazer um gol brasileiro. Achei que, enfim, minha má vontade seria superada pelos jogadores. Mas não deu: a pisada que aquele sujeito deu no adversário foi definitiva. Mais do que os gols holandeses, o gesto  descontrolado do Felipe Melo revigorou minha decisão de manter distância daquele time. Um time que, enfim, assumia a cara de seu comandante - para aqui usar uma palavra tão cara ao hoje ex-técnico. Naquela sexta, voltei a direcionar minha torcida para o Uruguai, para o Loco Abreu, para o Botafogo. </p>

<p>Mas há pouco li na internet um texto de um colega, o Bernardo Pombo. Um <a href="http://oglobo.globo.com/blogs/bolademeia/posts/2010/07/02/da-mao-ferida-ao-coracao-partido-305071.asp">texto</a> em que ele narra toda sua tristeza pela derrota da seleção. Conta que machucara a mão ao comemorar o gol de Robinho e complementa: "A ferida na mão vai sarar rapidamente. Mas o coração está partido, destruído, dilacerado." Engraçado, mas o relato me pegou pelo pé, contribuiu para uma certa melancolia. No fim deste domingo, percebi que o Dunga roubara de mim até mesmo o direito de sofrer pela seleção, de chorar sua derrota. Ele, que tanto arrotou patriotismo, embotou meu carinho e meu respeito por um time responsável por tantas alegrias, que sempre despertou em mim a certeza de que o Brasil viria a ser melhor do que é. Um país que produz tantos talentos não é compatível com a pobreza, com o autoritarismo, com a ignorância. Mas Dunga - invasor de minha pátria, tão diferente da que ele cultiva -  conseguira tirar o meu time de campo.</p>

<p>Que Dunga seja feliz, que seja mais tolerante, afável, educado, que retome sua carreira cheia de sucessos. Mas, caramba, acho que vou demorar a perdoar o exílio que me foi imposto nesta Copa, o sequestro da vontade de torcer pela seleção brasileira: um banimento que ele me impôs. Nunca imaginei que não fosse ter o desejo infantil de vestir a camisa amarela.  </p>

<p><em>Pátria Minha</p>

<p>Vinicius de Moraes</p>

<p>A minha pátria é como se não fosse, é íntima<br />
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo<br />
É minha pátria. Por isso, no exílio<br />
Assistindo dormir meu filho<br />
Choro de saudades de minha pátria.</p>

<p>Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:<br />
Não sei. De fato, não sei<br />
Como, por que e quando a minha pátria<br />
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água<br />
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa<br />
Em longas lágrimas amargas.</p>

<p>Vontade de beijar os olhos de minha pátria<br />
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...<br />
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias<br />
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos<br />
E sem meias pátria minha<br />
Tão pobrinha!</p>

<p>Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho<br />
Pátria, eu semente que nasci do vento<br />
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço<br />
Em contato com a dor do tempo, eu elemento<br />
De ligação entre a ação o pensamento<br />
Eu fio invisível no espaço de todo adeus<br />
Eu, o sem Deus!</p>

<p>Tenho-te no entanto em mim como um gemido<br />
De flor; tenho-te como um amor morrido<br />
A quem se jurou; tenho-te como uma fé<br />
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito<br />
Nesta sala estrangeira com lareira<br />
E sem pé-direito.</p>

<p>Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra<br />
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra<br />
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu<br />
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz<br />
À espera de ver surgir a Cruz do Sul<br />
Que eu sabia, mas amanheceu...</p>

<p>Fonte de mel, bicho triste, pátria minha<br />
Amada, idolatrada, salve, salve!<br />
Que mais doce esperança acorrentada<br />
O não poder dizer-te: aguarda...<br />
Não tardo!</p>

<p>Quero rever-te, pátria minha, e para <br />
Rever-te me esqueci de tudo<br />
Fui cego, estropiado, surdo, mudo<br />
Vi minha humilde morte cara a cara<br />
Rasguei poemas, mulheres, horizontes<br />
Fiquei simples, sem fontes.</p>

<p>Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta<br />
Lábaro não; a minha pátria é desolação<br />
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta<br />
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular<br />
Que bebe nuvem, come terra <br />
E urina mar.</p>

<p>Mais do que a mais garrida a minha pátria tem<br />
Uma quentura, um querer bem, um bem<br />
Um libertas quae sera tamem<br />
Que um dia traduzi num exame escrito:<br />
"Liberta que serás também"<br />
E repito!</p>

<p>Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa<br />
Que brinca em teus cabelos e te alisa<br />
Pátria minha, e perfuma o teu chão...<br />
Que vontade de adormecer-me<br />
Entre teus doces montes, pátria minha<br />
Atento à fome em tuas entranhas<br />
E ao batuque em teu coração.</p>

<p>Não te direi o nome, pátria minha<br />
Teu nome é pátria amada, é patriazinha<br />
Não rima com mãe gentil<br />
Vives em mim como uma filha, que és<br />
Uma ilha de ternura: a Ilha <br />
Brasil, talvez.</p>

<p>Agora chamarei a amiga cotovia<br />
E pedirei que peça ao rouxinol do dia<br />
Que peça ao sabiá<br />
Para levar-te presto este avigrama:<br />
"Pátria minha, saudades de quem te ama...<br />
Vinicius de Moraes."</em></p>

<p>Texto extraído do livro "Vinicius de Moraes - Poesia Completa e Prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 383.<br />
</p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/07/patria-minha.php</link>
            <guid>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/07/patria-minha.php</guid>
            
            
            <pubDate>Mon, 05 Jul 2010 00:32:59 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Recordar é viver</title>
            <description><![CDATA[<p>Em 25 de julho de 2006, logo após o anúncio da ida do Dunga para a seleção, coloquei o seguinte post no meu então blog (http://molica.blogspot.com).</p>

<p><br />
Dunga<br />
 <br />
Ainda a seleção. Todos os comentários a respeito da convocação de Dunga para o comando da seleção falam em cobrança de raça, de espírito de luta, de garra. Ninguém fala muito em futebol, em estilo de jogo, em esquema tático. Fica a pergunta: se é pra isso, por que não chamar para técnico o, digamos, comandante do Bope? </p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/07/recordar-e-viver.php</link>
            <guid>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/07/recordar-e-viver.php</guid>
            
            
            <pubDate>Fri, 02 Jul 2010 13:02:45 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Clube fechado</title>
            <description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><a href="http://www.fernandomolica.com.br/blog/fifa.php" onclick="window.open('http://www.fernandomolica.com.br/blog/fifa.php','popup','width=374,height=560,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.fernandomolica.com.br/blog/fifa-thumb-200x299.jpg" width="200" height="299" alt="fifa.jpg" class="mt-image-right" style="float: right; margin: 0 0 20px 20px;" /></a></span><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><a href="http://www.fernandomolica.com.br/blog/TROPHIE-JULES-RIMET.php" onclick="window.open('http://www.fernandomolica.com.br/blog/TROPHIE-JULES-RIMET.php','popup','width=265,height=450,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.fernandomolica.com.br/blog/TROPHIE-JULES-RIMET-thumb-200x339.jpg" width="200" height="339" alt="TROPHIE-JULES-RIMET.jpg" class="mt-image-left" style="float: left; margin: 0 20px 20px 0;" /></a></span><br />
Entrar para o clube dos campeões do mundo é quase tão díficil quanto conseguir uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, privilégio de apenas cinco países. Os vencedores de copas são sete - só que, em tese, essa última confraria não é fechada. Dos que levantaram a taça, quatro ( Brasil, Alemanha, Argentina e Uruguai) ainda estão vivos na África do Sul. Este grupo têm 12 dos 18 títulos até hoje disputados, 66% do total.</p>

<p>O bloqueio é muito difícil de ser furado - a Inglaterra e a França só foram campeãs uma vez; assim mesmo, quando disputaram copas em suas próprias casas. Além da óbvia qualidade de bons jogadores - o Brasil já é um dos favoritos para as copas de 2018 e 2022, alguém duvida? -, há diversos outros fatores que ajudam os campeões. O peso de uma camisa cheia de estrelinhas conta muito, para os adversários e mesmo para os juízes. Marcar um pênalti contra o Brasil ou Alemanha é, na prática, muito mais difícil do que fazer o mesmo com seleções menos vencedoras.</p>

<p>Não é fácil furar o bloqueio. A Holanda bateu na trave duas vezes, a Espanha mal chegou perto da grande área (até parece o Brasil em busca da tal vaga na ONU). Como bem lembrou o Galvão - sim, ele - Argentina, Itália, Brasil e Alemanha (14 títulos juntos!) são escandalosamente hegemônicos, uma dessas quatro equipes sempre esteve presente em todas as decisões de copas. Por seis vezes - um terço do total - o último jogo da competição reuniu dois dos quatro grandes. E daí? Daí que Brasil, Alemanha e Argentina são os favoritas. O Uruguai, se perder o medo de ganhar (e parar de recuar quando está na frente), tem chances (principalmente se o Loco Abreu for escalado). No mais, Holanda e Espanha conquistaram outra oportunidade de tomar vergonha na cara. Engraçado mesmo é se der Gana ou Paraguai - mas nem eles acreditam nisso.</p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/06/clube-fechado.php</link>
            <guid>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/06/clube-fechado.php</guid>
            
            
            <pubDate>Wed, 30 Jun 2010 11:40:10 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Jazz e Cortázar com Antônio Torres</title>
            <description><![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><a href="http://www.fernandomolica.com.br/blog/antonio_torres.php" onclick="window.open('http://www.fernandomolica.com.br/blog/antonio_torres.php','popup','width=150,height=180,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.fernandomolica.com.br/blog/antonio_torres-thumb-200x240.jpg" width="200" height="240" alt="antonio_torres.jpg" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></span><br />
Tão bom quanto ler Antônio Torres - autor de, entre outros, <em>Um cão uivando para a lua </em>e <em>Essa terra </em>- é ouvi-lo falar. O sujeito é um grande contador de histórias, profundo conhecedor de literatura e de jazz, tem uma excelente capacidade de relacionar autores, livros, músicos e compositores. Consegue fazer ótimas conexões entre tal livro/conto e uma determinada interpretação de um tema jazzístico - o mais curioso é dá certo.</p>

<p>Desde o ano passado que ele vem ministrando cursos na Casa do Saber, no Rio. As aulas são imperdíveis. No próximo dia 6, ele começará uma nova oficina, <a href="http://www.casadosaber.com.br/curso.php?cid=1999">Ritmos do Jazz em Prosa & Imagens</a>. Serão quatro reuniões em torno do conto <em>O perseguidor</em>, obra-prima de Júlio Cortázar, ao som de Charlie Parker e imagens dos filmes <em>Bird</em>, de Clint Eastwood, e <em>Round Midnight</em>, de Bertrand Tavernier (dois espetaculares longas sobre jazz). Haverá espaço para a leitura e análise de textos dos participantes. </p>

<p>Se eu fosse você, correria para me inscrever (eu bem que gostaria, mas saio muito tarde do jornal).<br />
 <br />
<em><br />
Casa do Saber - Rio de Janeiro</p>

<p>Oficina Literária Ritmos de Jazz em Prosa & Imagens<br />
Início: 6 julho</p>

<p>Duração: 4 encontros<br />
Terças-feiras, às 19h (06/07, 13/07, 20/07, 27/07)<br />
Valor: R$ 200,00 na inscrição + 1 parcela de R$ 240,00 <br />
Tel.: (21) 2227-2237 222-SABER <br />
E-mail: inforio@casadosaber.com.br</em></p>

<p></p>

<p> </p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/06/jazz-e-cortazar-com-antonio-to.php</link>
            <guid>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/06/jazz-e-cortazar-com-antonio-to.php</guid>
            
            
            <pubDate>Mon, 28 Jun 2010 14:50:15 -0300</pubDate>
        </item>
        
        <item>
            <title>Vila Belmira na CBN e na Pelada como ela é</title>
            <description><![CDATA[<p>Na segunda passada, a Lúcia Hippolito, âncora da CBN, fez uma simpática entrevista comigo sobre <em>O misterioso craque da Vila Belmira</em>. Ela havia lido o livro, o que ajudou a tornar a conversa mais legal. E, mais importante, disse que gostou muito do que leu. A conversa pode ser ouvida <a href="http://cbn.globoradio.globo.com/cbn-rj/2010/06/21/O-LIVRO-O-MISTERIOSO-CRAQUE-DA-VILA-BELMIRO-DRIBLA-AS-EXPECTATIVAS-DO-LEITOR-AO-CONTAR-A.htm">aqui</a>.</p>

<p>Já o amigo Sergio Pugliese colocou um depoimento meu sobre o livro em seu ótimo blog <em>A pelada como ela é</em>. Para ver, basta <a href="http://oglobo.globo.com/blogs/pelada/posts/2010/06/24/a-pelada-da-infancia-302703.asp">clicar</a>. </p>]]></description>
            <link>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/06/vila-belmira-na-cbn.php</link>
            <guid>http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/06/vila-belmira-na-cbn.php</guid>
            
            
            <pubDate>Wed, 23 Jun 2010 10:36:25 -0300</pubDate>
        </item>
        
    </channel>
</rss>
