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    <title>Blog Pontos de Partida - Fernando Molica</title>
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    <subtitle>Blog Pontos de Partida escrito por Fernando Molica. Parte integrante do site www.fernandomolica.com.br</subtitle>
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    <title>O dia dos 11 gols</title>
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    <published>2010-03-10T10:31:25Z</published>
    <updated>2010-03-10T10:38:19Z</updated>

    <summary>E já que falei no livro do Sérgio, não custa lembrar que hoje, quarta, a partir das 19h, haverá o lançamento de 11 gols de placa: uma seleção de grandes reportagens sobre o nosso futebol. Será lá Livraria DaConde, na...</summary>
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        <name>Fernando Molica</name>
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        <![CDATA[<p>E já que falei no livro do Sérgio, não custa lembrar que hoje, quarta, a partir das 19h, haverá o lançamento de <a href="http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/02/11-gols-de-placa.php"><em>11 gols de placa: uma seleção de grandes reportagens sobre o nosso futebol</em></a>. Será lá Livraria DaConde, na Conde de Bernadotte, 26, no Leblon. Dá tempo de ir e de ver o jogo... do Caracas. Até porque a livraria é cercada de bares com TV. </p>]]>
        
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    <title>Os escritores do Sérgio Rodrigues</title>
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    <published>2010-03-09T14:18:16Z</published>
    <updated>2010-03-09T15:20:03Z</updated>

    <summary>O Sérgio Rodrigues vai lançar amanhã, na Travessa de Ipanema, seu Sobrescritos - 40 histórias de escritores, excretores e outros insensatos, livro da Arquipélago editorial que reúne pequenos contos publicados no site Todo Prosa, que ele mantém há algum tempo....</summary>
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        <![CDATA[<p>O Sérgio Rodrigues vai lançar amanhã, na Travessa de Ipanema, seu <em>Sobrescritos - 40 histórias de escritores, excretores e outros insensatos</em>, livro da Arquipélago editorial que reúne pequenos contos publicados no site <a href="http://www.todoprosa.com.br">Todo Prosa</a>, que ele mantém há algum tempo.</p>

<p>Os contos são ótimos. Deles escorre um fino veneno contra escritores. Manias, arrogância, vaidade, inveja, incompetência - Sérgio não nos perdoa, não se perdoa. Distribui carapuças de forma generosa e democrática. Escrever os contos já representa uma ironia - ao publicá-los num site voltado para a discussão literária, Sérgio leva o sarcasmo à estratosfera. O círculo de ironia se fecha quando os textos ganham o suporte do livro de papel, espaço nobre e consagrado da escrita.</p>

<p>Como frisa o também escritor de ficção Arthur Dapieve na orelha de <em>Sobrescritos</em>, é grande a tentação de tentarmos identificar este ou aquele autor como alvos das flechas lançadas por Sérgio. Besteira: em maior ou menos escala estamos todos ali. Uns bem mais do que outros, claro. </p>

<p></p>

<p></p>

<p><br />
</p>]]>
        
    </content>
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    <title>Notícias de jornal</title>
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    <published>2010-03-03T04:05:09Z</published>
    <updated>2010-03-03T12:39:45Z</updated>

    <summary>A edição de &quot;O Dia&quot; desta terça trouxe duas matérias que nos fazem chorar. Uma delas, espetacular, é do Ricardo Albuquerque e do Paulo Alvadia: trata de três irmãos - de 7,11 e 12 anos - que batem um bolão...</summary>
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        <![CDATA[<p>A edição de "O Dia" desta terça trouxe duas matérias que nos fazem chorar. Uma delas, espetacular, é do Ricardo Albuquerque e do Paulo Alvadia: trata de três irmãos - de 7,11 e 12 anos - que batem um bolão no judô. Eles - duas meninas e um menino - colecionam medalhas. Ah, além de irmãos, são muito pobres, vivem no maior miserê, os pais são catadores de sucata, todos moram num prédio invadido.</p>

<p>As meninas e o menino - Tainara, Eduarda e Pablo - representam o que temos de melhor e de pior. De um jeito ou de outro, na porrada, seus pais conseguiram manter um sentimento de família, as crianças sorriram orgulhosas para o fotógrafo, cheias de medalhas, soberanas em seus quimonos azuis. É escandaloso que aquela família viva daquele jeito. Não porque há atletas promissores por ali. Mas porque há pessoas que merecem uma vida melhor. Esse país que anda tão cheio de si, que alega ter surfado na marolinha, deveria - diante de Tainara, Eduarda e de Pablo - ter vergonha de arrotar suas conquistas. O país que conta é o país da Tainara, da Eduarda e do Pablo. Um país que só será digno quando meninas e meninos como eles, atletas ou não, tiverem uma vida decente.</p>

<p>Na mesma edição está a reportagem sobre seis - seis! - meninos e adolescentes presos na Zona Sul do Rio. Todos são da mesma família, irmãos e primos e viviam de furtos, arrombavam carros, levavam CDs players. Haverá uns panacas que dirão bem-feito,  destilarão teses sobre vocações criminosas. Eu prefiro me recolher na vergonha de viver numa sociedade que produziu uma situação como essa. A prisão desses jovens bandidos nos condena.</p>]]>
        
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    <title>11 gols de placa</title>
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    <published>2010-02-27T21:58:15Z</published>
    <updated>2010-03-10T10:36:08Z</updated>

    <summary>O novo filhote da coleção Jornalismo Investigativo - um acordo entre a Abraji e a Editora Record - acaba de nascer. O livro 11 gols de placa - uma seleção de grandes reportagens sobre o nosso futebol começa a chegar...</summary>
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        <![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><a href="http://www.fernandomolica.com.br/blog/convite_11golsdeplaca_final_web.php" onclick="window.open('http://www.fernandomolica.com.br/blog/convite_11golsdeplaca_final_web.php','popup','width=945,height=472,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.fernandomolica.com.br/blog/convite_11golsdeplaca_final_web-thumb-200x99.jpg" width="200" height="99" alt="convite_11golsdeplaca_final_web.jpg" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></span>O novo filhote da coleção Jornalismo Investigativo - um acordo entre a Abraji e a Editora Record - acaba de nascer. O livro <em>11 gols de placa - uma seleção de grandes reportagens sobre o nosso futebol</em> começa a chegar às livrarias neste fim de semana. Segue a mesma lógica dos anteriores - <em>10 reportagens que abalaram a ditadura</em> e <em>50 anos de crimes</em>: traz reportagens acompanhadas de relatos sobre os bastidores da apuração. </p>

<p>Como das outras vezes, fui responsável pela organização do livro. Os textos sobre as reportagens são assinados por André Rizek, Diogo Olivier Mello, Fernando Rodrigues, João Máximo, Juca Kfouri, Leonardo Mendes Júnior, Marceu Vieira, Marco Senna, Marcos Penido, Mário Magalhães, Michel Laurence e Sérgio Rangel. </p>

<p>O lançamento no Rio será no próximo dia 10, a partir das 19h, na Livraria DaConde, na Rua Conde de Bernadotte, 26. Será ótimo receber os amigos do blog - a livraria é bem simpática e fica cercada de bares por todos os lados. </p>

<p><br />
Aí vai a lista das reportagens: <br />
 <br />
Futebol brasileiro: o longo caminho da fome à fama",  Jornal do Brasil.</p>

<p>"O jogador é um escravo", O Estado de S.Paulo.</p>

<p>"Irregularidades na Federação de Futebol do Rio, O Globo. </p>

<p>"A viagem do contrabando", Folha de S.Paulo.</p>

<p>"Contratos da CBF", Folha de S.Paulo. </p>

<p>"Wanderley é gato", Época e "Fábrica de Gatos", Placar.</p>

<p>"Desemprego Futebol Clube", Zero Hora.</p>

<p>"Pelé e Unicef", Folha de S.Paulo. </p>

<p>"Profissão na marca do pênalti", O Dia.</p>

<p>"Ronaldinhos do futuro", Gazeta do Povo.</p>

<p>"Escândalo na arbitragem", Veja.</p>

<p><br />
 </p>]]>
        
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    <title>Vilma, Maria Helena, Joãosinho, Jamelão</title>
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    <published>2010-02-21T16:45:19Z</published>
    <updated>2010-02-21T18:26:43Z</updated>

    <summary>Na madrugada de hoje, há algumas horas, me emocionei ao ver Vilma dançar. A veterana porta-bandeira desfilou na Grande Rio ao lado de seu antigo parceiro, o mestre-sala Benício. Agora, pela manhã - ôps, são quase duas da tarde -...</summary>
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        <![CDATA[<p>Na madrugada de hoje, há algumas horas, me emocionei ao ver Vilma dançar. A veterana porta-bandeira desfilou na Grande Rio ao lado de seu antigo parceiro, o mestre-sala Benício. Agora, pela manhã - ôps, são quase duas da tarde - lembro que já a assistira no Sambódromo, mas em desfiles da Tradição, clone imperfeito da Portela. Não foi a mesma coisa. Hoje, há algumas horas, a vi, pela primeira vez, dançar com a bandeira de sua verdadeira escola. Foi um privilégio estar lá.  </p>

<p>Mangueirense desde sempre, gosto da Portela - talvez pela identificação da escola com o Botafogo. Isso ajuda a explicar o impacto da presença de Vilma Nascimento na avenida. Mas há outras razões. Ao lado de Vilma estavam Maria Helena e Chiquinho, mãe e filho, ex-primeiro casal da Imperatriz. Lembro que os entrevistei em algum Carnaval passado (comecei a cobrir desfiles em 1982, sou da era pré-Sambódromo!). Nesta madrugada, os dois voltaram a exibir e a proteger a bandeira da escola.</p>

<p>No mesmo desfile da Grande Rio também havia Joãosinho Trinta, destaque no carro que relembrava o pra lá histórico "Ratos e urubus" (foi em 1989, era dia claro, eu estava na pista e, como tantas e tantas pessoas, fui quase nocauteado por uma Beija-Flor que enchia o Sambódromo de mendigos e radicalizava na teatralização do desfile). Foi emocionante ver o carnavalesco aplaudido, esforçando-se para ficar de pé (um AVC o obriga a usar uma cadeira de rodas). O desfile foi encerrado com uma alegoria que homenageava Jamelão - mais do que justo.</p>

<p>Aplaudi muito todas essas pessoas que tanto ajudam a tornar minha vida mais alegre e bonita. Era a única forma de agradecer a  esses personagens que, há muitos carnavais, me surpreendem e renovam minha esperança num país mais justo e feliz. É meio chavão dizer isso, mas é impossível não acreditar na capacidade de um povo que faz um espetáculo como o das escolas de samba. </p>

<p>Aquelas ilustres presenças contribuíram para renovar algo essencial nas escolas de samba - e, claro, nas religiões afro-brasileiras: a lógica da ancestralidade, a certeza de que estamos aqui apenas porque houve quem nos precedeu. São pessoas que merecem todo o nosso carinho, honrá-las é também um jeito de preservarmos nossas próprias histórias nas vidas que seguirão às nossas. Mantê-las vivas é uma forma de buscar alguma imortalidade para nós mesmos. </p>

<p>Nunca simpatizei com a Grande Rio, que sempre me pareceu artificial, desenraizada, nascida de um projeto de legitimação pessoal. Uma escola nova (é de 1988) e rica,  nova-rica. Volta e meia eu ignorava seus desfiles: até brincava, dizia que a Susana Vieira era a única representante de sua velha guarda. Desta vez, a escola me emocionou. Mais, ao elaborar um enredo com base em grandes momentos de outros carnavais, a Grande Rio pode ter dado, enfim, um grande passo para sua legitimação. Ao reconhecer a precedência de outras agremiações e sambistas, a escola bateu cabeça, cultuou seus ancestrais no mundo do samba. Tomara que tenha aprendido - Vilma, sozinha, vale mais do que todos aqueles atores da escola que já foi chamada de Unidos do Projac.</p>

<p>Ah, vale registrar: na noite de sábado, logo depois do desfile da Mangueira, Delegado - o próprio, o maior mestre-sala do Carnaval, honra e glória da Estação Primeira - sentou-se na mureta daquele viaduto que passa atrás da passarela, na altura do setor 9 das arquibancadas. Vestido de verde e rosa, sozinho, parecia feliz, tranquilo. Volta e meia era reconhecido e cumprimentado por pessoas que estavam por ali,  em torno da passarela. <br />
</p>]]>
        
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    <title>Carnaval</title>
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    <published>2010-02-17T17:00:08Z</published>
    <updated>2010-02-17T17:47:53Z</updated>

    <summary>Pitacos desorganizados antes do início da apuração das escolas de samba: 1. Os carnavalecos deveriam aprender que esculturas de pessoas feitas em fibra de vidro ficam muito feias. Quando tendem à caricatura são até aceitáveis, mas ficam terríveis quando tenta...</summary>
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        <![CDATA[<p>Pitacos desorganizados antes do início da apuração das escolas de samba:</p>

<p>1. Os carnavalecos deveriam aprender que esculturas de pessoas feitas em fibra de vidro ficam muito feias. Quando tendem à caricatura são até aceitáveis, mas ficam terríveis quando tenta reproduzir o rosto do homenageado. Nos desfiles deste ano, isso ficou evidente na Mangueira e no JK da Beija Flor.</p>

<p>2. Por falar na escola de Nilópolis: ela deveria voltar a fazer aqueles enredos de sempre, sobre índios. A escola muda apenas o nome da tribo e os gritos guturais do refrão do samba (de ÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔ para ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ). A escola é uma espécie de Irmãos Villas-Boas, ótima para cuidar de índio. Por falar nisso: acho que aquele índio voador que veio no abre-alas já sobrevoou a passarela outras vezes.</p>

<p>3. Com todo respeito: escola de samba de São Paulo não sabe nem comemorar título.</p>

<p>4. Pelo jeito, o Renato Lage vai insistir com acrobatas no abre-alas até o dia em que eu aprender a falar Intrépida Trupe sem errar.</p>

<p>5. O Max Lopes derrapou na Imperatriz. Faltou emoção no desfile, a relação do povo com as religiões não foi enfatizada. O belíssimo samba fala que "a Imperatriz é um mar de fiéis" e eles, os fiéis, não apareceram. Saudade da ala de romeiros que a Viradouro, anos atrás, apresentou na reedição do enredo "Círio de Nazaré". O desfile da Imperatriz ficou parecendo cerimônia do Vaticano: muito luxo e pouca fé.</p>

<p>6. A Grande Rio melhora quando fala de enredos alheios.</p>

<p>7. O samba da Vila é muito bonito (com exceção daquela história de "Fez a passagem  pro espaço sideral". Alma vai pro céu, pro além, pro infinito. Quem vai pro espaço sideral é astronauta, é foguete). Mas como eu ia dizendo: o samba é bem bonito, mas não serviu como samba-enredo. Não conta uma história, não alinhava um enredo. Faz pouca relação entre Noel e seu tempo (fala apenas do cometa e da Revolta da Chibata). Também não relacionou o compositor e suas músicas (o que seria uma outra alternativa para desenvolver a história na avenida). Tudo isso prejudicou o desenvolvimento do enredo, que ficou muito preso à figura do Noel. Que sirva de lição para a Mangueira quando, enfim, fizer o enredo sobre Cartola.</p>

<p>8. Unidos da Tijuca: ao contrário de outros, acho até que faltou ousadia. O Paulo Barros pareceu até meio contido pelas críticas que andou recebendo. Esperava mais surpresas. Mas foi um belo desfile, aposto na escola para campeã.</p>

<p>9. Assim que acabou o desfile da Tijuca recebi uma mensagem indignada de um grande amigo imperiano. Revoltado, ele dizia que o desfile perdera sentido, se transformara em Broadway, que Homem Aranha tinha virado mais importante que Cartola. Respeito, mas discordo. Desde sua origem que as escolas de samba do Rio (como mostra o livro do Simas e do Mussa) representam uma tensão entre a tradição e a aceitação. Não chegariam ao atual patamar se não fosse a presença de pessoas de fora - em São Paulo, por exemplo, elas continuam mais nos guetos, não foram legitimadas pelo resto da sociedade, pela classe média (esta, vem brincar no Rio). Esta tensão permitiu às escolas cariocas negociar sínteses entre suas origens e as demandas, digamos, da modernidade (o dado mais evidente é a submissão a um padrão estético externo, elaborado, muitas vezes, por professores de artes plásticas). As escolas não podem temer influências externas, são capazes de incorporá-las e de recriá-las. Não é justo negar às escolas o direito de serem influenciadas por culturas externas - afinal, é o que defendemos para a música, para o cinema, para a literatura. Se admitimos a presença do universo pop em outras produções culturais, não podemos negar o mesmo às escolas de samba. E, convenhamos, elas são muito mais fortes que os tais super-heróis. De vez em quando, uma ou outra escola exagera - e se ferra. A ligação com suas comunidades originais é que lhes garante vida e relevância. </p>

<p>10. Ah, todo mundo concorda que a tal da Lesga é uma versão muito piorada da Liesa que, por sua vez, não é lá essas coisas. </p>

<p>11. E viva o Carnaval de rua. A cidade virou um imenso blocódromo. Que bom. </p>]]>
        
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    <title>Sambas, boemia e vagabundos</title>
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    <published>2010-02-08T19:47:57Z</published>
    <updated>2010-02-08T20:08:49Z</updated>

    <summary>Nesta quarta, dia 10, a partir das 19h, o amigo Eduardo Carvalho lança Samba, boemia e vagabundos, livro que reúne crônicas que ele publicou no blog que ele mantém com o Gabriel Cavalcante. Sou suspeito: afinal, escrevi a orelha do...</summary>
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        <![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><a href="http://www.fernandomolica.com.br/blog/eduardo.php" onclick="window.open('http://www.fernandomolica.com.br/blog/eduardo.php','popup','width=1000,height=1000,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.fernandomolica.com.br/blog/eduardo-thumb-200x200.jpg" width="200" height="200" alt="eduardo.jpg" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></span>Nesta quarta, dia 10, a partir das 19h, o amigo Eduardo Carvalho lança <em>Samba, boemia e vagabundos</em>, livro que reúne crônicas que ele publicou no<a href="http://sbvagabundos.blogspot.com/"> blog</a> que ele mantém com o Gabriel Cavalcante. Sou suspeito: afinal, escrevi a orelha do livro. Um livro que é um pouco de (e sobre) todos nós, que gostamos  de samba e que nos encontramos em tantas rodas pela cidade. Citados ou não nos textos, estamos todos lá: o Eduardo é um de nossos grandes tradutores. Ah, o lançamento será no Espaço Multifoco, na Mem de Sá, 126 - na Lapa, claro.</p>]]>
        
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    <title>Os sambas de Mussa e Simas</title>
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    <published>2010-02-03T01:08:15Z</published>
    <updated>2010-02-03T01:41:09Z</updated>

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        <![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><a href="http://www.fernandomolica.com.br/blog/Livro_Simas.php" onclick="window.open('http://www.fernandomolica.com.br/blog/Livro_Simas.php','popup','width=400,height=300,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.fernandomolica.com.br/blog/assets_c/2010/02/Livro_Simas-thumb-200x150.jpg" width="200" height="150" alt="" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></span>Nesta quarta, dia 3, os amigos Alberto Mussa e Luiz Antonio Simas lançam <em>Samba de enredo - história e arte</em> (Civilização Brasileira), um grande levantamento sobre o gênero musical que tanto nos embala. Mussa é um escritor consagrado; professor de história, Simas é talvez o melhor blogueiro do Brasil. Um grande cronista, dono de um texto espetacular.  O lançamento será a partir das 18h, no Al-Farabi, na Rua do Rosário, 30/32, no Centro. </p>]]>
        
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    <title>Recesso e boas leituras</title>
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    <published>2010-01-19T12:39:50Z</published>
    <updated>2010-01-19T17:30:40Z</updated>

    <summary> O blog entra em recesso por umas duas semanas, mas deixa dois lembretes - e dicas: . Amanhã, dia de São Sebastião, haverá o lançamento de Canções do Rio (Casa da Palavra), livro organizado por Marcelo Moutinho e que...</summary>
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        <name>Fernando Molica</name>
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        <![CDATA[<p><br />
O blog entra em recesso por umas duas semanas, mas deixa dois lembretes  - e dicas:</p>

<p>. Amanhã, dia de São Sebastião, haverá o lançamento de  <em>Canções do Rio </em>(Casa da Palavra), livro organizado por Marcelo Moutinho e que traz ensaios de João Máximo, Sérgio Cabral, Nei Lopes, Ruy Castro, Hugo Sukman e Silvio Essinger. Todos tratam da relação entre o Rio e a música brasileira. A festa começa às 14h, com roda de samba e choro na ótima livraria Folha seca, na Rua do Ouvidor, 37. </p>

<p>. Está para chegar às livrarias <em>Sambas de enredo - História e arte</em> (Civilização Brasileira), de Alberto Mussa e Luiz Antonio Simas, um inventário sobre o gênero que há tantas décadas nos move durante (e depois) de cada Carnaval. Além de estudiosos, os dois são praticantes - no ano passado, chegaram à finalíssima da escolha de samba do Salgueiro. <br />
</p>]]>
        
    </content>
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    <title>A história não tem donos</title>
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    <published>2010-01-12T11:49:16Z</published>
    <updated>2010-01-12T15:39:47Z</updated>

    <summary>Primeiro, uma correção: ao contrário do que foi dito na madrugada de hoje, no Jornal da Noite, da Band, as organizações armadas de esquerda não torturaram. Fizeram - não dá para deixar de reconhecer - algumas besteiras graves, cometeram crimes....</summary>
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        <name>Fernando Molica</name>
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        <![CDATA[<p>Primeiro, uma correção: ao contrário do que foi dito na madrugada de hoje, no Jornal da Noite, da Band, as organizações armadas de esquerda não torturaram. Fizeram - não dá para deixar de reconhecer - algumas besteiras graves, cometeram crimes. Mas não torturaram, o que representa um importante divisor de águas e de histórias. O não uso da tortura permite que ex-militantes dessas organizações revelem sua participação, sua responsabilidade em sequestros, atentados, assaltos a bancos e execuções - estas, então apelidadas de "justiçamentos". Viabiliza até mesmo a autocrítica.</p>

<p>A vergonha gerada pelo flagelo imposto a pessoas indefesas impede que ex-carrascos se orgulhem do que fizeram. Mesmo anistiados, eles não dizem "Eu torturei". Não contam, não revelam, não assumem, sequer tentam se justificar. Sua defesa é feita por colegas de farda, advogados improvisados que não se constrangem de, com seu gesto, compremeterem as Forças Armadas, de manchá-las com a defesa da tortura. A responsabilidade de alguns passa a ser debitada na conta da instituição, a tortura acaba sendo incorporada, de forma acrítica, à história militar brasileira. </p>

<p>A peitada que os comandantes militares deram no seu chefe - o presidente da República - teria que ter sido punida. Ao aceitar a ameaça de demissão em bloco, o presidente Lula errou, não deixou clara a subordinação do poder militar ao poder civil, constituído pela sociedade. O poder civil não pode ser refém de qualquer outro poder.</p>

<p>Mas não tem jeito: formar uma comissão que apure crimes cometidos durante a ditadura é essencial, é o único jeito de zerarmos aquele jogo. Esqueletos precisam ser retirados do armário, minha vizinha de mais de 90 anos - sim, é uma adorável e lúcida senhora - merece saber o que foi feito do corpo de seu filho. O problema é que a possibilidade de punições pode impedir uma apuração detalhada. Passado tanto tempo, talvez seja mais razoável se fazer julgamentos históricos, não cíveis nem penais. </p>

<p>Não dá também para separar alguns dos crimes da esquerda dos cometidos pelo aparelho repressivo. Estes têm origem mais grave, ocorreram à sombra do Estado, em nome da sociedade. São, de cara, mais covardes. O agente que matava, que torturava, estava na ponta de uma cadeia que começava nos palácios e nos quartéis. Matava e torturava como representante do Estado.</p>

<p>Mas não é possível revelar apenas um lado da história. A apuração histórica vai permitir também reavaliar o papel das organizações da esquerda e, importante, eliminar alguns mitos que se transformaram em verdade. O mais grave: as organizações armadas <em>também</em> lutavam contra a ditadura militar, mas seu foco principal era outro. Elas queriam derrubar o capitalismo pela via revolucionária e implantar o socialismo, a tal da ditadura do proletariado. A democracia como hoje concebemos era desprezada, vista como "democracia burguesa" - sua restauração não era o objetivo da guerrilha.</p>

<p>Não é verdadeiro dizer que tentativas guerrilheiras e de rompimento institucional surgiram apenas depois do Golpe de 64. Animadas pelos ventos cubanos, algumas organizações - Polop, MRT, PCdoB - pregavam e articulavam a revolução antes da derrubada de Jango. Isso fica evidente em livros de autores insuspeitos, como Jacob Gorender (<em>Combate nas trevas</em>). </p>

<p>Da mesma forma, é mentira afirmar que o AI-5, baixado no fim de 1968, foi o único reponsável pela radicalização da esquerda. Ao longo daquele ano ocorreram várias ações ditas revolucionárias, como a invasão de um Hospital Militar em São Paulo (e a posterior explosão de um carro-bomba na sede do então 2º Exército - este atentado matou um soldado, Mário Kozel Filho). Nem todas as vítimas de ações da esquerda ocorreram em trocas de tiros, houve vários "justiçamentos", alguns de militantes das próprias organizações, como no caso de Márcio Leite de Toledo, assassinado por um comando da ALN.</p>

<p>Enfim, a tal comissão é necessária, fundamental. Será dolorosa para torturadores, para políticos hoje travestidos de democratas e mesmo para integrantes de organizações armadas de esquerda. Mas é preciso chegar o mais perto possível da verdade histórica. A questão mais importante é que, ao contrário do que vem ocorrendo, a discussão sobre as investigações sobre esse passado recente não deve se guiar pelo interesse dos antigos antagonistas. A apuração não é importante apenas para repressores e reprimidos, é necessária para a sociedade, para que erros e crimes cometidos há algumas décadas não voltem a nos assombrar. Essa história não tem donos, é de todos nós, pertence à sociedade brasileira.</p>

<p><br />
 </p>

<p><br />
</p>]]>
        
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    <title>Loco pelo Botafogo</title>
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    <published>2010-01-04T00:13:41Z</published>
    <updated>2010-01-04T12:30:45Z</updated>

    <summary> Sei que ainda está meio cedo, o contrato do Botafogo com o Sebastián &apos;El Loco&apos; Abreu nem foi assinado. Mas o cara e a diretoria do clube dão como certa a contratação, um furaço da Amanda Kestelman, de &quot;O...</summary>
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        <![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><a href="http://www.fernandomolica.com.br/blog/elLoco.php" onclick="window.open('http://www.fernandomolica.com.br/blog/elLoco.php','popup','width=570,height=368,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.fernandomolica.com.br/blog/elLoco-thumb-200x129.jpg" width="200" height="129" alt="elLoco.jpg" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></span><br />
Sei que ainda está meio cedo, o contrato do Botafogo com o Sebastián 'El Loco' Abreu nem foi assinado. Mas o cara e a diretoria do clube dão como certa a contratação, um furaço da Amanda Kestelman, de "O Dia". Assim, fui dar uma busca sobre o Loco. Gostei. O sujeito tem um <a href="http://www.loco13abreu.com/">site</a>, é marrento e tem até uma música composta em sua homenagem, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=kHfm7ifeURU&feature=related">La Cumbia del Loco</a>.</p>

<p>Ah, é autor de algumas frases intessantes: "...la receta para ganarlos es 70% fútbol y 30% huevos"; "...sólo con un balazo me sacan de un clásico". Bem, depois de tanto tempo de tristeza, de timidez e - mesmo - de medo de ganhar, não deixa de ser interessante contratar um sujeito assim. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Sie8T5YU4mA&feature=related">Aqui</a>, alguns gols do Loco.</p>]]>
        
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    <title>Os meninos da árvore</title>
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    <published>2009-12-28T11:45:59Z</published>
    <updated>2009-12-29T19:08:56Z</updated>

    <summary>Quem, de um modo geral, se queixa da árvore de Natal da Lagoa não reclama da árvore. Até pode fazer comentários sobre a dita cuja, realçar seu anacronismo, seu caráter um tanto quanto kitsch. A maioria finge se importar com...</summary>
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        <![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><a href="http://www.fernandomolica.com.br/blog/arvorelagoa.php" onclick="window.open('http://www.fernandomolica.com.br/blog/arvorelagoa.php','popup','width=2835,height=2008,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.fernandomolica.com.br/blog/arvorelagoa-thumb-200x141.jpg" width="200" height="141" alt="arvorelagoa.jpg" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></span>Quem, de um modo geral, se queixa da árvore de Natal da Lagoa não reclama da árvore. Até pode fazer comentários sobre a dita cuja, realçar seu anacronismo, seu caráter um tanto quanto kitsch. A maioria finge se importar com o aumento no trânsito, com o estacionamento ilegal. Mas, no fundo, o que lhes incomoda não está dentro da Lagoa nem em suas pistas destinadas a carros, ônibus e motos. O calo que lhes irrita e ofende é o povo que se aglomera para ver a árvore.</p>

<p>Se não atraísse tanta gente do além-túnel, a árvore seria quase ignorada, passaria assim batida, como há até bem pouco tempo eram tolerados o frescobol e o altinho à beira-mar, como ainda é admissível o baseado que rola na areia. Frescobol, altinho e baseado seriam, digamos assim, coisas nossas, práticas consagradas pelos que vivem do lado de cá do túnel. Yes, we can. Mas só <em>we</em> que can. A praia é <em>nossa</em>, assim como a Lagoa.</p>

<p>A curiosa - e bela - geografia do Rio facilitou a segregação. Há um acúmulo de beleza (e de riqueza) do lado de cá. A pequena Zona Sul é um dos melhores lugares do mundo para se viver. Outras grandes cidades do mundo têm áreas nobres espalhadas; as nossas, graças à proximidade do mar, acabaram concentradas. Num processo agravado nas últimas décadas, a Zona Sul virou sinônimo de Rio; pelo menos, do Rio desejado, que exporta gostos, modas e costumes. Nem a produção literária escapou disso - de um modo geral, a perspectiva é a de quem mora do lado de cá (mesmo que o livro trate de favelas, pobres, subúrbios e que tais).</p>

<p>Lembro que, menino de Piedade, gostava de passear pela Zona Sul, volta e meia pedia a meu pai que desviasse o caminho e passasse por Copacabana, Ipanema e Leblon. Naquela época, o subúrbio era mais bonito e tranquilo, menos degradado e violento. Mas, mesmo assim, gostava de ver aquele Rio diferente, mais iluminado. Um Rio que tinha praia, que olhava de perto para o Cristo e para o Pão de Acúcar.</p>

<p>Se, na minha infância, houvesse a árvore na Lagoa, insistiria com meus pais para levar-me até ela. Iria querer participar da festa, compartilhar daquele Rio que saia bem na foto dos jornais. Às margens da Lagoa, comeria pipoca e algodão doce, tomaria mate, tiraria fotos, me encontraria com algum colega de escola - quem sabe, com aquela menina que tanto desejava. Sonharia com uma foto de nós dois abraçados, tendo a árvore como fundo. Foto que, tímido, nunca ousaria pedir.</p>

<p>Nas margens da Lagoa de hoje, vejo muitos meninos como fui. Meninos que vieram de Piedade, do Engenho de Dentro, de Quintino, de Realengo. Eles acreditam que a cidade também é deles, que o Rio não é apenas dos que são louros, têm pele mais clara e muito, muito mais dinheiro. Meninos que, de tão felizes com a árvore, com a pipoca, com o algodão doce, com o mate e com o sonho da menina amada, não notam que às suas costas, do alto dos prédios, muita gente reclama de sua presença, ironiza seus hábitos, suas fotos, seu entusiasmo, suas roupas, seus gritos e, mesmo, sua cor. Pessoas que defendem o banimento da árvore, seu exílio no Piscinão de Ramos. Para elas, apenas os locais podem parar seus carros sobre as calçadas da Zona Sul.</p>

<p>Os meninos - ainda bem - ignoram, mas eles não são tolerados por quem acha que a Lagoa, as praias, o Cristo refletido nas águas pertencem a poucos, paisagens hereditárias, excludentes. Pessoas preconceituosas e bobas: não sabem como a presença daqueles meninos e meninas humaniza o Rio,o torna mais afável, tolerante. Acreditam - tolinhos - ser possível construir uma cidade com base na separação, não conseguem ver o quanto isso já nos custou. O Rio se fez diferente porque soube conviver com a diferença; por ser porto e capital, aprendeu a trocar com estrangeiros, com gente de outros estados. O branco Noel subiu o morro; o preto Carlola foi para o asfalto. Num botequim simbólico, eles se encontraram a criaram a música brasileira. Isso vale para Nazareth, Pixinguinha, Chico Buarque, Villa-Lobos, Nelson Cavaquinho. </p>

<p>Os meninos que atravessam o túnel para ver a árvore não sabem, mas a presença deles por aqui - escrevo, fazer o quê?, do ponto de vista de quem agora mora do lado de cá - faz o Rio respirar; renova a cidade, reforça a necessidade de convivência e tolerância, faz com que, como dizia Cazuza, olhemos a nossa própria cara. Que sejam bem-vindos. </p>]]>
        
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    <title>Não vale acabar com o Jobson</title>
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    <id>tag:www.fernandomolica.com.br,2009:/blog//1.271</id>

    <published>2009-12-19T15:36:27Z</published>
    <updated>2009-12-20T14:09:39Z</updated>

    <summary>Claro que o Jobson, mais uma vez, fez bobagem. Não dá para um atleta profissional cheirar cocaína, priincipalmente, às vésperas de jogos importantes. Ele agiu de forma irresponsável. Mas é absurda essa ideia de banir o sujeito do futebol. Há...</summary>
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        <name>Fernando Molica</name>
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        <![CDATA[<p>Claro que o Jobson, mais uma vez, fez bobagem. Não dá para um atleta profissional cheirar cocaína, priincipalmente, às vésperas de jogos importantes. Ele agiu de forma irresponsável.</p>

<p>Mas é absurda essa ideia de banir o sujeito do futebol. Há no caso uma questão fundamental: o Jobson não se dopou, ele se drogou. Isso é bem diferente. Cheirou pó da mesma forma que poderia ter enchido os cornos (dizem que ele é bom nisso também), fumado uns dez baseados, tomado um ácido. Ou poderia ter feito tudo ao mesmo tempo, sei lá. Mas nada disso o ajudaria em campo, melhoraria sua performance. Ao contrário: pó, maconha, birita e ácido só prejudicam o desempenho de um atleta.</p>

<p>O caso do Jobson é bem diferente daqueles de atletas que tomam bagulhos para aumentar a musculatura, emagrecer ou dar um gás em seu rendimento. O então atacante do Botafogo apenas agiu de forma irresponsável ao consumir uma droga proibida. Se tivesse bebido até cair uns dois dias antes dos jogos, nada de grave iria lhe acontecer, ele não correria o risco de ser punido. </p>

<p>Há um certo consenso entre os dirigentes esportivos e jornalistas: atletas têm que ser exemplos, não podem fazer besteira, têm que ser melhor do que somos. É como se não pudessem ser humanos. O álcool é, de longe, a droga mais consumida no país e a que mais gera problemas de saúde - uma pesquisa publicada hoje mostra que 70% dos jovens brasileiros já beberam. Mas, como é legalizado, tudo bem, pode. Pó, maconha e que tais não podem. Ok, são proibidas e isso deve ser respeitado. Mas, caramba, não se pode impedir um sujeito de 21 anos de exercer sua profissão. A menos, claro, que se queira afundá-lo de vez. </p>

<p>Muita gente usa drogas ilegais - médicos, cineastas, jornalistas, atores, escritores, cantores, corretores de seguro, motoristas de ônibus, empresários, políticos. E nenhum deles é impedido de exercer sua profissão (a menos, claro, que se droguem durante o expediente ou cometam uma sucessão de besteiras). Não faz assim tanto tempo, um famoso ator foi preso quando ia comprar drogas, acabou internado. Ninguém o crucificou - ao contrário, foi abraçado por colegas de profissão, pela empresa em que trabalha e, mesmo, pelos jornais e revistas. Foi tratado como vítima, não como criminoso. Sobre ele não são despejadas manifestações de preconceito quanto as que ameçam afogar o Jobson.</p>

<p>Entre os pecados cometidos no mundo do futebol, o do Jobson é dos menores. Ele não apitou pênalti inexistente, não recebeu comissão para construir estádios ou viabilizar patrocínios, não embolsou dinheiro em transações de jogadores, não surrupiou renda de jogo beneficente, não recebeu ingresso gratuito para torcer por seu time, não provocou brigas, não matou ninguém. A cocaína, insisto, sequer teria como fazê-lo jogar melhor. Jobson cometeu uma irresponsabilidade que prejudicou apenas uma pessoa, ele mesmo.</p>

<p>O que deve ser feito? Não sei. Talvez um gancho, uma suspensão. É preciso ter um mínimo de responsabilidade em qualquer profissão, o Jobson tem que aprender isso. Mas sei que não se pode acabar com a vida de um jovem que, como tantos outros, fez algumas bobagens. Burrices que - não custa ser redundante - não machucaram ninguém<br />
</p>]]>
        
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    <title>Cariocas na Argentina</title>
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    <published>2009-12-15T12:55:35Z</published>
    <updated>2009-12-15T13:17:16Z</updated>

    <summary>Nesta sexta, dia 18, o escritor argentino Federico Lavezzo lançará, em Rosário, a coletânea de contos 10 cariocas (Ferreyra Editor). Estou entre os autores, ao lado de Marcelo Moutinho, Cecilia Gianetti, Ana Paula Maia, Paulo Henriques Brito, Bráulio Tavares, João...</summary>
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        <![CDATA[<p><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><a href="http://www.fernandomolica.com.br/blog/Tapa_10_cariocas_flyer.php" onclick="window.open('http://www.fernandomolica.com.br/blog/Tapa_10_cariocas_flyer.php','popup','width=825,height=1240,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.fernandomolica.com.br/blog/Tapa_10_cariocas_flyer-thumb-200x300.jpg" width="200" height="300" alt="Tapa_10_cariocas_flyer.jpg" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;" /></a></span>Nesta sexta, dia 18, o escritor argentino <a href="http://www.federicolavezzo.com.ar">Federico Lavezzo</a> lançará, em Rosário, a coletânea de contos <em>10 cariocas</em> (Ferreyra Editor). Estou entre os autores, ao lado de Marcelo Moutinho, Cecilia Gianetti, Ana Paula Maia, Paulo Henriques Brito, Bráulio Tavares, João Paulo Cuenca, Leandro Salgueirinho, Manoela Sawitzki e Sérgio Sant'Anna.</p>

<p>Como alguém já teve ter notado, nem todos os autores nasceram no Rio, o Bráulio Tavares, por exemplo, veio da Paraíba, a Manoela é gauchíssima. Lavezzo acabou utilizando uma lógica há muito consagrada aqui no Rio - carioca é quem vive por aqui; os que adotam a cidade e por ela são adotados. No processo de organização, o Lavezzo - morador de Copacabana - apenas pediu que os os contos fizessem alguma referência à cidade. Como a edição é bilíngue, é possível que chegue por aqui. </p>]]>
        
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    <title>Livros, abismos e o canto do ringue</title>
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    <id>tag:www.fernandomolica.com.br,2009:/blog//1.269</id>

    <published>2009-12-12T13:58:04Z</published>
    <updated>2010-01-16T14:50:53Z</updated>

    <summary>O ponto da partida foi mais cedo para o chuveiro. Após ganhar de Acenos e afagos, de João Gilberto Noll, acabou derrotado por Flores azuis, de Carola Saavedra, nas quartas de final da Copa de Literatura Brasileira. O jogo foi...</summary>
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        <name>Fernando Molica</name>
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    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://www.fernandomolica.com.br/blog/">
        <![CDATA[<p><em>O ponto da partida</em> foi mais cedo para o chuveiro. Após ganhar de <em>Acenos e afagos</em>, de João Gilberto Noll, acabou derrotado por <em>Flores azuis</em>, de Carola Saavedra, nas quartas de final da <a href="http://copadeliteratura.com/">Copa de Literatura Brasileira</a>. O jogo foi decidido por Leandro de Oliveira.</p>

<p>Nada a reclamar, claro: como já ressaltei aqui, o mais importante da Copa é a oportunidade de se discutir a produção literária. Para fazer isso, o torneio brinca com a possibilidade de enfrentamento entre romances. Este quase paradoxo - livros não são escritos para participar de disputas - dá gás e areja esse pequeno universo. No caso específico, o Leandro foi equilibrado, ressaltou qualidades nas duas obras e fez uma escolha baseada em suas próprias expectativas como leitor. E é bom que tenha julgado na condição de leitor, livros existem para serem lidos.<br />
 <br />
Aproveito o embalo para levantar um tema que considero fundamental. A relação - ou melhor, a inexistência de uma relação - do público com a produção literária contemporânea brasileira. De um modo geral, não somos lidos por muita gente, é só conferir as listas de mais vendidos. Disse no outro parágrafo que livros existem para serem lidos. Deveria ser assim. Na prática, sofremos todos com uma incômoda ausência de leitores. Exceções como os livros de Chico Buarque não contam - o ótimo <em>Budapeste</em> vendeu muito porque nasceu assinado por um nome que é referência de qualidade para boa parte da população. Como diria nosso presidente, Chico não faz merda. Dá pra comprar sem muito risco.</p>

<p>Talvez estejamos todos - autores, editores, críticos - fascinados por uma festa em que somos os únicos convidados. Melhor, uma festa que só tem melhorado: os encontros literários se multiplicam, ganham visibilidade, charme e, volta e meia, rendem um cachê.  Mas, como diz o Marçal Aquino, não saímos da nossa confraria, nos consumimos, nos frequentamos, nos elogiamos - nem brigar temos brigado.  Nossa produção pouco circula fora do universo do leitor profissional. Não dá para achar que isso é normal, que podemos abrir mão do diálogo com leitores comuns, não ligados ao mercado editorial. </p>

<p>Não chego ao radicalismo dos que veem numa certa busca da inovação pela inovação a responsabilidade por esse não-encanto do leitor. Para eles, o jogo literário teria assim se transformado numa brincadeira auto-referente. Algo para iniciados, que excluiria os que estivessem de fora do baile. Mas este argumento radical não deve ser descartado, é bom trazê-lo para a discussão.</p>

<p>O problema é que a inanição do público também afeta autores que, em tese, poderiam ser mais populares. Nem dá para se falar numa conspiração formalista - ainda que o aspecto da suposta inovação seja volta e meia alardeado como fundamental para se definir a qualidade de um livro. Não é difícil encontrar resenhas que insistem em enfatizar, de uma maneira mais elaborada e sofisticada, a separação entre forma e conteúdo: aquela costuma ser apontada como mais relevante do que este. Tenho dificuldades para separar uma boa história de um bom jeito de narrá-la - um quesito depende do outro.</p>

<p>Tendo também a desconfiar desta busca pela suposta novidade. Antes de ser escritor, sou um leitor; um leitor desorganizado e não-sistemático, meus gostos são muito variados e não-enquadráveis - não consigo dizer que um livro é bom porque inova ou que é ruim pelo mesmo motivo. Um livro é bom porque se impôs, despertou meu interesse, me fez ter vontade de retomar logo a leitura. Não dá para medir a qualidade de um improviso pelo tempo em que o saxofonista ficou sem respirar. Machado de Assis morreu há cem anos, mas continua jovem, inovador. Ao mesmo tempo, há novidades que nascem caquéticas.</p>

<p>Talvez por isso - o critério é mais do leitor do que do escritor - me assusto pela busca literária do equivalente a um duplo twist carpado (ou esticado, ou com mortal na segunda pirueta). Na literatura, o tamanho do salto e seu índice de dificuldade não podem ser usados como referências finais de qualidade - até porque, na vida e nos livros, quedas costumam ser muito mais interessantes que as vitórias.  Temo que uma eventual hegemonia desses critérios leve a literatura a um impasse como o que, de certa forma, empurrou as artes plásticas para o canto do ringue. A menos que, a exemplo do personagem de <em>Cordilheiras</em>, do Galera, estejamos todos fascinados pelo abismo. </p>

<p>Claro que nenhuma opção pode ser condenada de cara - ainda mais num momento que nem mesmo o livro em si, o próprio objeto, capas e miolo, se vê ameaçado por suas versões eletrônicas. Repito: não quero ser excludente nem separar e qualificar livros por suas características mais ou menos formais. Como dizem os bicheiros, vale o escrito, o publicado.</p>

<p>Admito, claro, que na literatura, não dá para associar qualidade a um bom desempenho de vendas. Mas não podemos cair no oposto: passarmos a considerar como bom o livro que não vende, que não é lido. Ter uma boa história não é sempre garantia de qualidade de um livro; assim como a ausência de um enredo mais palpável não deve ser vista como sinônimo de excelência. Talvez seja preciso um pouco menos de arrogância, de predisposições contra e a favor. O livro tem que valer pelo que é, pelo impacto que nos causa. Tanto melhor se essa experiência vier a ser compartilhada por muitas pessoas - não nos orgulhemos da exclusão deliberada. As melhores saídas não podem ser o desejo do canto do ringue ou o fascínio pelo pulo no abismo.<br />
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