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Pontos de Partida, o Blog do Fernando Molica

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dezembro 2021 Archives

André Giusti: "Precisamos falar disso sempre"

separador Por Fernando Molica em 27 de dezembro de 2021 | Link | Comentários (0)

Em seu blog, o escritor e jornalista André Giusti também recomendou a leitura de 'Elefantes no céu de Piedade'.

Ao contrário de Argentina, Chile e Uruguai o Estado e a sociedade brasileiros, de modo geral, não olham de frente as marcas da ditadura militar.

No lugar disso, de uns anos para cá há um trabalho espúrio de tentar abrandar suas chagas.

No Brasil, o avivamento da memória desse tempo de horror é tarefa executada principalmente pelas artes, e a literatura se destaca em manter em evidência as hashtags Para que Nunca Esqueçamos Para que Jamais se Repita.

Elefantes sobre o Céu de Piedade, novo livro de Fernando Molica, arregaça as mangas e faz esse trabalho, mostrando um ângulo de visão diferente sobre a brutalidade daqueles tempos.

Revela também que não apenas quem se envolveu na luta armada, promoveu reuniões, participou de passeatas ou lia e guardava livros "suspeitos" sofreu as consequências de 20 estúpidos anos da vida nacional.

Como toda forma de expressão que é veículo para que não se esqueça da barbárie, o livro de Molica é importante, principalmente nesses tempos em que o passado vive de ameaçar o presente e assuntar o futuro.


Olga de Mello sobre 'Elefantes no céu de Piedade': "Um trabalho sensível e primoroso de reconstituição de uma época"

separador Por Fernando Molica em 27 de dezembro de 2021 | Link | Comentários (0)

Em texto publicado na coluna de Anna Ramalho, a jornalista e escritora Olga de Mello incluiu 'Elefantes no céu de Piedade' entre indicações de presentes natalinos:

"Já aquele tio que sente saudade dos anos de chumbo pode se interessar pelas recordações de uma infância ficcional na Zona Norte do Rio nos anos 60/70 em Elefantes no céu de piedade (Patuá, R$ 45), de Fernando Molica. A rotina de um menino se transforma quando sua família de classe média típica precisa abrigar um parente que se tranca na casa e esconde um passado misterioso. O menino observar as estranhezas do comportamento dos adultos, que não comentam também a prisão de um tio depois do assalto ao banco em que ele trabalhava. Um trabalho sensível e primoroso de reconstituição de uma época em que pequenos e grandes segredos turvam a inocência das crianças."


O Botafogo continuará a ser meu

separador Por Fernando Molica em 25 de dezembro de 2021 | Link | Comentários (3)


Botafogotaca.jpg


Alguns amigos perguntam o que achei da venda do Botafogo. Acho um negócio meio esquisito, mas, pelas condições, inevitável. Clubes são resultado de decisões comunitárias, todos são criados por um grupo de amigos, vizinhos, correligionários. Não são fundados por uma pessoa, mas por um coletivo.

E o Botafogo de futebol - na prática, o que está sendo vendido - nasceu de maneira poética, é fruto do arroubo de alguns adolescentes que se reuniam no Largo dos Leões. Uma criação quase mitológica, que se encaixa tão bem nos textos de Paulo Mendes Campos sobre nossa paixão em comum.

Há muito que os grandes clubes deixaram de representar apenas determinados grupos ou comunidades, ainda que mantenham alguns pontos desse DNA. Descendentes de portugueses são, majoritariamente, vascaínos. Por ter sido criado na Zona Norte, por imigrantes ligados ao comércio, até hoje o Vasco tem uma torcida reduzida na Zona Sul.

Os clubes que ficaram presos às suas comunidades foram perdendo força, casos de Bonsucesso, Olaria, Campo Grande, São Cristóvão - que, não por acaso, carregam seus bairros de origem em seus nomes (essa é outra característica curiosa do futebol carioca, percebida também no Botafogo e no Flamengo, instituições que, ao longo dos anos, superaram as limitações geográficas originais).

Por conta do crescimento, os grandes clubes superaram seus fundadores, são muito mais representados por suas torcidas do que pelos seus sócios, frequentadores de suas sedes. Isso, na prática, já representou um rompimento com suas origens. Eles cresceram, ganharam o mundo, que bom.

De alguma forma, os clubes passaram a pertencer - não apenas no campo simbólico - aos seus torcedores, mesmo que estes não fossem sócios das respectivas agremiações. A pressão exercida sobre dirigentes reforça essa ideia de pertencimento, o quem manda aqui somos nós.

Mas, enfim, o mundo mudou, futebol virou um grande negócio, gigantes europeus pertencem a empresas, conglomerados, e nem assim deixaram de ter torcedores. O amadorismo que resistia à profissionalização tem a ver com o amor, mas também propiciou oportunismo, interesses políticos e roubalheira - muitos e muitos dirigentes ditos amadores ficaram ricos com o futebol.

Há algumas décadas times com características do Botafogo até conseguiam tocar o barco, beliscar títulos importantes. O problema é que, por conta de diversos fatores - entre eles, o pagamento das cotas de TV, valores que há até pouco tempo eram baseados apenas no tamanho das torcidas -, o futebol brasileiro ficou mais hierarquizado. Hoje, poucos times podem sonhar com o título do Brasileirão - triunfos de equipes como Guarani, Coritiba, Sport e Bahia ficaram para trás.

Nas atuais condições, o Botafogo não teria como repetir a vitória de 1995, estaria condenado a lutar para ficar na Série A, a batalhar por uma vaga na Sul-Americana e a sonhar com uma Pré-Libertadores. É muito pouco. Futebol é competição, envolve investimentos e busca de títulos, não dá para viver na base do hors-concours, o Botafogo não pode ser apenas um retrato na parede.

É constrangedor almejar ser vendido, ficar como as crianças pobres que, no Peru, há uns 30 anos, ofereciam bugigangas aos turistas aos gritos de "Compra-me, señor". É meio como estar na calçada, na batalha, torcendo para ser chamado por um senhor rico, a bordo de um carrão. Não é bom, mas era isso ou o fim. A questão agora é torcer para que a diretoria do Botafogo tenha brigado para colocar no contrato pontos que garantam o investimento no time e a preservação da marca e dos símbolos alvinegros.

O Botafogo sempre foi meu, apesar dos muitos dirigentes desprezíveis que passaram por lá - um deles, o pior, chegou a vender nossa sede e nosso estádio. Continuaremos botafoguenses, nossa estrela seguirá nos conduzindo. O Botafogo, a sua história e a memória de cada um de nós permanecerão, a despeito dos novos donos do futebol do clube. E, agora, teremos a perspectiva de um futuro.

Continuarei a ser dono do dia em que meu pai me levou para ver o primeiro jogo, em General Severiano; do caderno em que anotava o resultado de todas as partidas; da comemoração dos títulos de 1989 e de 1995; do grito de campeão em 2010 ao lado do filho mais novo (o mais velho viajara para fora do país, me ligou quando eu ainda estava no Maracanã); da ida com os dois filhos à inauguração do hoje Nilton Santos; do autógrafo do Nilton Santos; da comemoração, na arquibancada, da volta à Série A; da gaveta que guarda dezenas de camisas do clube - continuarei a hesitar na hora de escolher a que me levará ao estádio e abrirá caminhos para a vitória.

Continuarei a ser dono dos dribles do Garrincha, dos passes do Didi, da força e da técnica de Jairzinho, da rebeldia de Paulo Cézar e Afonsinho, do brilho solitário de Mendonça, das provocações e da pontaria de Túlio e de Loco Abreu. Continuarei a ser dono do que mais me define, do fogo no meu peito que nunca vai se apagar.



Ancelmo Góis: Antônio Torres indica 'Elefantes no céu de Piedade'

separador Por Fernando Molica em 23 de dezembro de 2021 | Link | Comentários (0)

Meu presente de Natal chegou cedinho: a indicação, pelo mestre Antônio Torres, de meu romance 'Elefantes no céu de Piedade'.
A nota foi publicada por outro querido mestre, Ancelmo Góis. O texto traz palavras de Torres sobre o livro:

A dica de hoje de um livro de presente neste Natal é do querido escritor "quase conterrâneo" Antônio Torres, 81 anos, baiano de Junco.

Ele sugere "Elefantes no céu de Piedade", romance de Fernando Molica publicado pela Patuá.

"A obra tem ao fundo os mandos e desmandos da ditadura militar, sob a ótica de um garoto que à época tinha 11 anos e aos poucos vai perdendo a inocência em relação às mentiras fabricadas pelo novo regime, nas quais a sua família acreditava. A trama é eletrizante".



Décio Torres: "Linguagem bastante atrativa ao leitor, por vezes com tons poéticos"

separador Por Fernando Molica em 21 de dezembro de 2021 | Link | Comentários (0)

Escritor, crítico literário, professor de literatura da UFBA, poeta (lançou 'Paisagens interiores' pela Editora Patuá), Décio Torres publicou no Facebook esse texto pra lá de gentil sobre 'Elefantes no céu de Piedade'. Aí vai a resenha:

O jornalista Fernando Molica é também um excelente romancista. Seu novo livro, "Elefantes no céu de Piedade", lançado pela Editora Patuá, conta a história de uma família classe média que mora no subúrbio carioca de Piedade, cuja vida é alterada pela chegada de um primo, vindo do Espírito Santo. Mas não há qualquer interferência divina de piedade do espírito santo sob o destino do primo. O que paira no ar o tempo todo é a presença simbólica de elefantes no céu que todos se recusam a ver, preferindo estabelecer um pacto de silêncio criminoso.

O enredo é narrado sob a perspectiva de um garoto de 11 anos na época da ditadura militar no Brasil. Essa visão de um momento histórico sob a perspectiva infantil nos remete ao primoroso filme de Edgard Navarro, "Eu me lembro" (2005), que se utilizou da mesma estratégia narrativa.

No romance de Molica, o garoto vai, aos poucos, perdendo sua inocência à medida em que vai descobrindo as mentiras fabricadas pelo novo governo, nas quais todos ao seu redor acreditavam. Só após descobrir o envolvimento de membros de sua família nas ações contra a ditadura, o personagem narrador começa a desconfiar da história oficial inventada para o controle da população. Com uma linguagem bastante atrativa ao leitor, por vezes com tons poéticos, o narrador nos conduz a um tempo antigo em que cenários de uma novela escondiam uma luta silenciosa pela liberdade e pela recuperação de direitos civis subtraídos.

Destaca-se, no livro, o capítulo sobre a memória como construção, como exercício de criação e ficção, e a tentativa do escritor de ser fiel aos fatos, mesmo sabendo que eles passam pelos filtros da memória através dos anos: "O passado é vivo, mutável, escorregadio. Não somos, ao reconstruirmos histórias, as mesmas pessoas que as vivenciaram ou testemunharam" (p. 138). Apenas pela leitura deste capítulo já vale a pena lê-lo. Mas a história de Cacá e seu primo sobre um período fatídico de nossa História nos arrebata e justifica toda sua leitura, do início ao fim.


Sérgio Rodrigues: "Um romance tão bonito e tão cheio de verdade"

separador Por Fernando Molica em 10 de dezembro de 2021 | Link | Comentários (0)

Autor, entre tantos ótimos livros, de 'A visita de João Gilberto aos Novos Baianos' e 'O drible', Sérgio Rodrigues publicou no Instagram este texto em que faz uma leitura bem legal de 'Elefantes no céu de Piedade', romance que lancei pela Editora Patuá. Fiquei, claro, bem feliz. Obrigado, meu caro.


"O @fmolica escreveu um romance tão bonito e tão cheio de verdade sobre uma infância suburbana de classe média no Brasil da ditadura, início dos anos 70, que só depois do ponto final a gente entende que ele está falando de hoje, de agora. E também que não, não somos menos tristes do que aqueles personagens - talvez até sejamos mais, porque tivemos a chance de aprender e não aprendemos, não estamos aprendendo. Ou estamos?"


'Benditos livros', sobre 'Elefantes no céu de Piedade': "Uma história que mexeu com a minha paz"

separador Por Fernando Molica em 08 de dezembro de 2021 | Link | Comentários (0)


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Uma bela e sensível resenha sobre 'Elefantes no céu de Piedade' publicada em @benditoslivros (e vale muito a pena ir até lá, ler comentários sobre outros livros):

Mais uma vez digo : 2021 é o ano no qual os livros curtos ganharam o meu coração. Em pouco mais de 150 páginas, Fernando Molica, em" Elefantes no céu de Piedade", conseguiu entregar uma história que mexeu com a minha paz.

Nesse livro temos Francisco, um menino típico do subúrbio carioca , que está vendo a vida de sua família prosperar durante a ditadura, e que não tem motivos para duvidar do que ouve sobre o governo militar na escola e na TV.
Isso até o momento em que conhece o primo Carlos Alberto, jovem universitário que vem passar uma temporada na casa da família, no Rio de Janeiro.

Essa visita inesperada vai provocar uma ruptura familiar, quebrar o encanto da infância e trazer muitos aprendizados. Francisco e o leitor vivenciarão pequenas e grandes descobertas sobre o cotidiano social, sobre as relações familiares e sobre o que realmente foi construído ( e destruído) no país sob o discurso do crescimento econômico e a segurança politica.

Ver acontecimentos tão duros pelos olhos de um menino do subúrbio foi uma boa maneira de suavizar o impacto da narrativa histórica e também de discutir como a memória pode ser fluida, um constante exercício de construção e desconstrução .
Hoje somos capazes de enxergar que a narrativa oficial era bem diferente da realidade vivida, e que a ditadura brasileira, período sombrio da nossa história, ainda é repetidamente subestimado .

Contudo, é preciso ler, aprender, e nunca esquecer. Fernando Molica, em poucas páginas, apresenta uma história delicada e dolorosa que mexeu comigo.
Seus elementos de não ficção mostram atos e fatos que desconhecemos, ou que relevamos com o passar dos anos.

Obrigada, @oasyscultural, por mais um livro incrível!


BG
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