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Pontos de Partida, o Blog do Fernando Molica

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julho 2019 Archives

Aquarela do João

separador Por Fernando Molica em 06 de julho de 2019 | Link | Comentários (0)

Há muito que João Gilberto não era mais uma trilha sonora compatível com o Brasil. O país ficou mais bruto, cruel, vulgar, desumano; rompeu com qualquer projeto de carinho, de amor, de busca de alguma paz. O Brasil desafinou, deixou-se embalar pelo ódio, pela repetição de certezas e de chavões - nem a nossa música escapou de tamanha banalização.
João Gilberto apostou no incerto, inventou um jeito de cantar e de tocar violão, mirou a utopia, a afinação absoluta. Sacrificou a própria sanidade em busca no inalcançável, é possível que tenha morrido frustrado por não ter atingido tamanha perfeição. Fomos testemunhas privilegiadas de sua jornada.

Há pouco, ao saber de sua morte, cantarolei `Chega de saudade`, lembrei do dia em que, disfarçado de publicitário, acompanhei o que seria um ensaio dele com Tom Jobim num hotel de Ipanema. João chegou atrasado, foi no quarto da suíte afinar o violão e, ali, a uns três ou quatro metros de onde eu estava, cantou várias vezes a já pra lá de conhecida canção - meninos eu vi, eu ouvi.

Mas acho que essa gravação de 'Aquarela do Brasil' traduz melhor o momento da morte de João. Aqui, Gil e Caetano não escondem a alegria de cantar ao lado do mestre de todos, dá pra sentir a reverência pelo mais velho, por aquele que abriu caminho pra tanta gente.
Ouvir esses três baianos cantando o mineiro Ary Barroso é lindo e triste, remete a um passado em que acreditávamos num país que, no futuro, seria mais justo e doce. O país decidiu se perder, mas, até por conta desses grandes artistas, ainda dá para ter esperança num Brasil melhor, mais bonito, mais harmônico e delicado - pra mim, pra todos nós.


Mendonça, o nosso craque

separador Por Fernando Molica em 05 de julho de 2019 | Link | Comentários (0)

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Mendonça, ídolo de minha adolescência, morreu hoje. Alvinegros que tenham 35 anos ou menos não têm ideia da importância do cara para o Botafogo, onde jogou de 1975 a 1982. No período da Grande Seca, aquele em que ficamos duas décadas sem um reles título, Mendonça foi o nosso grande craque. Depois do roubo sofrido na final do Carioca de 1971, o Botafogo teve muitas dificuldades para montar um bom time, com frequência arrumou equipes sofríveis, cheias de jogadores esforçados.

Houve exceções, claro, mas a situação era terrível. Pra piorar, o Flamengo montou aquele timaço e o Vasco, liderado por Roberto, também tinha uma grande equipe.E nesse período surgiu o Mendonça, nossa - como era chamado - Estrela Solitária. Não foi um super craque, um jogador excepcional, a Wikipedia me diz que ele jogou apenas duas vezes pela seleção brasileira (a concorrência era grande na época).

Mas era o nosso craque, o craque da nossa aldeia. O craque que aplicou o drible Baila Comigo no grande Júnior. Assim como Heleno de Freitas, Mendonça não foi campeão pelo Botafogo - mas uma daquelas coisas que só acontecem com a gente. Mas é um dos meus grandes ídolos, o cara que, em festas tão complicadas, nos botou para dançar, cantar, gritar e pular. Valeu, Mendonça.


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