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O poster de Dines

separador Por Fernando Molica em 22 de maio de 2018 | Link | Comentários (0)

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Parece exagero dizer que me sinto órfão com a morte do Alberto Dines, nunca trabalhei com ele, nunca tivemos muita proximidade. Mas estive algumas vezes em seu 'Observatório da Imprensa'; nos seus 80 anos, fiz, ao lado do Bruno Trezena, uma entrevista com o aniversariante para 'O Dia'. Uma conversa em que ele reafirmou sua fé nos jornais e no jornalismo.

Em 2016, a Abraji concedeu ao Dines o prêmio de Contribuição ao Jornalismo - tive a honra de, na abertura de nosso congresso, fazer a entrega da homenagem à sua mulher, a também jornalista Norma Couri. Hoje, ao saber da morte deste grande cara, fiquei muito triste. Doente há alguns anos, com dificuldades financeiras - como é dura e cruel essa nossa profissão -, Dines continuava a ser uma referência, principalmente num momento tão difícil como o atual, delicado para o país e para a própria imprensa.

Tenho o maior orgulho deste quadro, pendurado em casa, no meu escritório. Em 2014, fui ao JB e comprei a reprodução fotográfica da capa em que o jornal deu um olé na censura ao noticiar o golpe no Chile, ocorrido em 1973. A história é célebre: jornais tinham que ser discretos em suas primeiras páginas, nada de manchete e foto sobre o caso. Dines, que estava em casa, voltou à redação e fez este primor de criatividade e coragem, algo que me emociona sempre - ele fez a capa mais chamativa de todas, sem título, sem foto. Por conta do gesto, acabaria demitido.

Pedi então para que o Dines autografasse a cópia - ele o fez, com o cuidado de só fazer a dedicatória na margem. "Não se pode escrever na obra", ressalvou - uma outra lição. Obrigado por tudo, mestre. Meu reflexo na foto do quadro é proposital, de alguma forma, da maneira menos arrogante e cabotina possível, procuro ser digno deste reflexo.


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