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Os nomes dos generais

separador Por Fernando Molica em 04 de abril de 2018 | Link | Comentários (0)

Comecei na profissão durante o governo do general João Baptista Figueiredo, o último da ditadura. Na época, era fundamental cobrir solenidades como as formaturas na Aman e as visitas dos ministros militares ao Rio (não havia Ministério da Defesa). Saíamos quase no tapa para conseguir declarações dos militares sobre o processo de abertura, eleições diretas. Ficávamos eufóricos com cada palavra arrancada. Até hoje sei os nomes dos ministros do Exército (Walter Pires), Marinha (Maximiano da Fonseca) e da Aeronáutica (Délio Jardim de Matos). Na sucursal do Estadão havia até um repórter, Helio Contreiras, especializado na cobertura de militares.

Pouco depois, fiz, para a Folha, uma grande matéria sobre o processo que gerou a Constituição de 1946, passei umas duas semanas internado na Biblioteca Nacional lendo jornais da época. Fiquei espantado como, naqueles tempos, era importante ouvir chefes militares. Jornais, com frequência, publicavam o que determinado general, almirante ou brigadeiro pensava sobre a política brasileira. E, ao contrário dos ministros do Figueiredo, os militares dos anos 1940 falavam muito. Falavam e agiam, como provam os movimentos que desaguariam em 1964.

Militares ainda foram personagens importantes na transição para o governo José Sarney, seguraram o tranco no impeachment de Collor. Ao longo das últimas décadas, demonstraram respeitar o poder civil, passaram a cuidar das funções inerentes à carreira. Durante cerca de duas décadas, a cobertura de solenidades militares deixou de ser relevante. Agora, em meio a sucessivas crises, militares rompem o silêncio e voltam a falar em voz alta, não se constrangem em tratar da situação política do país. Repórteres voltaram a ter que decorar nomes dos comandantes das Forças Armadas - não consigo achar isso bom pra ninguém, nem mesmo para os chefes militares.


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