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Sobre fotos, selfies e esquecimento

separador Por Fernando Molica em 09 de dezembro de 2017 | Link | Comentários (0)


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"Como ouvir hoje uma fita de rolo, ver um filme em Super 8, um vídeo VHS? Como abrir um arquivo gravado em algum disquete? O caminho será o mesmo para as nossas fotos, nossas selfies, nossos vídeos. O esquecimento passivo não servirá apenas para os amores, a morte física dos fotografados fará com que sumam os registros de seus rostos, de seus corpos, de suas expressões. Hoje ainda é simples deixar no fundo de alguma gaveta as fotos de avós, de bisavôs. Quem, no futuro, ou seja, daqui a três ou quatro anos, terá saco para ficar transferindo as imagens dos velhinhos de cá para lá, quem vai tratar de atualizar o armazenamento daqueles registros? Aos poucos, tudo se perderá, sem drama, sem cerimônias de despedida. Como são fotos virtuais, fluidas, desprovidas do suporte do papel, serão esquecidas, abandonadas em algum cemitério de computadores. Não ficarão nem como registro de época, a ausência delas é que marcará uma época que independe do tempo, onde não haverá passado, um mundo radicalmente contemporâneo, em que fotos servirão apenas para lembrar do ato de se bater uma foto. Ninguém mais suporta baixar tantas e tantas imagens, o relevante é o clique, o instante, o ato de conferir, na hora, o resultado. Não é preciso rever a foto, recordá-la. Vale, no máximo, postá-la em alguma rede social. (...) Criamos a foto sem memória, veja só, a foto que não cobra, que não apresenta qualquer fatura. Uma não foto, incapaz de nos encarar, de jogar na nossa cara o que fizemos de nossas vidas. Inventou-se -- tem certeza de que você não participou disso? Seria ideal para limpar o currículo/folha corrida de seus assessorados -- um passado que não retorna, que fica confinado numa ausência de memória, um desafio à psicanálise, eu, eu, eu, doutor Freud sifudeu."

('Uma selfie com Lenin', Record, 2016).


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