Estação Piedade: a biografia de Fernando MolicaEstante: livros públicados pelo MolicaPáginas Amarelas: textos, artigos e outras palavras maisJulio Reis: Biografia, Músicas e PartiturasBlog: Pontos de PartidaFoto MolicaClique para voltar a página principalFoto Molicawww.fernandomolica.com.brEntre em contato com o Fernando MolicaInformações para imprensa

Blog

Pontos de Partida, o Blog do Fernando Molica

separador
BG

Ano Novo

separador Por Fernando Molica em 29 de dezembro de 2017 | Link | Comentários (0)

A Andréa Pachá lembrou hoje deste texto que publiquei há três anos em O DIA. Com base em seu livro 'Segredo de justiça', tratei de expectativas trazidas por um ano novo. Vale republicá-lo, acho.

Comecei a ler semana passada, em pleno período de Natal e Ano Novo, 'Segredo de justiça', escrito por Andréa Pachá a partir de casos que vivenciou como juíza em varas de família. Foi bom ter iniciado a leitura nesta época em que somos meio instados a fazer um balanço do que se passou e a planejar o ano seguinte. Tendemos a achar que os fogos do Réveillon vão apertar um botão capaz de fazer uma faxina em nós mesmos e, ao mesmo tempo, acionar uma espécie de GPS que ao longo de 365 dias nos guiará por caminhos seguros, cheios de paz, amor e prosperidade.

Mas nada é garantido. Como é frisado num dos primeiros contos, é simples decidir a vida pelo retrovisor, detectar erros anos depois de cometidos -- há algumas décadas, um jogador de futebol declarou que só fazia prognósticos depois dos jogos. As histórias do livro envolvem dramas comuns, nem por isso banais: traições, divórcios, amores transformados em ódio, disputas por pensões alimentícias e pelos filhos.

Mesmo obrigada por ofício a decidir, Andréa não se coloca no papel de Deus, escapa do maniqueísmo de definir o certo e o errado. Compreensiva, busca alternativas, acordos que levem em conta as razões de cada uma das partes. "Maíra, não existe sonho errado. Sonhamos os sonhos possíveis. E nos esforçamos para acertar", diz a narradora -- uma juíza -- à mulher que, depois de forçar a separação, usava os filhos para provocar o retorno do ex-marido.

Espantada com a rapidez que temos para julgar a partir da leitura dos jornais, Andréa consegue entender a mãe que, depois de anos, optou por viver longe do filho esquizofrênico, deixado com o ex-marido. A autora se diz incapaz de condenar aquele comportamento: "(...) não existe um modelo que possa ser imposto a todas as mães naquelas circunstâncias", explica.

Botafoguense, acostumada, portanto, aos altos e baixos, ciente de nossas limitações, à quase certeza de que a euforia traz alguma dor, a autora, ao revisar tantos dramas, não insinua que a vida nos condena a uma segunda divisão; o livro é até otimista. Como afirmavam os palmeirenses e, agora, repetem os alvinegros, amor não tem divisão -- um jeito de dizer que o bom mesmo é jogar. Criança, percebi, depois de uma passagem de ano, que nada havia mudado; apesar da barulheira e da festa, o céu continuava igual. Mais tarde entendi a importância do ritual, da necessidade de um marco para o recomeço. Ao revelar dúvidas, ao buscar saídas, Andréa nos fornece uma espécie de habeas corpus que ajuda a sarar feridas e a abrir caminhos nesta virada de ano.


Deixe seu Comentário











Type the characters you see in the picture above.

BG
© Todos os direitos reservados. Todos os textos por Fernando Molica, exceto quando indicado. Antes de usar algum texto, consulte o autor. créditos do site    Clique para ver os créditos do site