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Brasil, o personagem de Fernando Molica

separador Por Fernando Molica em 01 de outubro de 2017 | Link | Comentários (0)

Matéria do 'Estado de Minas' publicada em 19/9/17.

Uma selfie com Lenin, livro que Fernando Molica vai discutir com o público hoje à noite, no projeto Sempre um papo, dialoga com os impasses do Brasil contemporâneo, mergulhado em profunda crise.

Jornalista - assim como o autor -, o protagonista do romance deixa o emprego de assessor de políticos. Dentro do avião rumo à Europa, ele escreve uma carta para a ex-namorada revelando sua frustração diante não só da engrenagem do poder, mas em relação à impotência de sua geração - e da própria esquerda - em virar o jogo. Faz o mea-culpa sobre o próprio comportamento que adotou.

O cenário não poderia ser mais propício: o Brasil de 2013/2014, época em que gigantescas manifestações ocuparam as ruas para reivindicar ética na política. A radicalização e a intolerância em que o país mergulhou servem de pano de fundo para a trama, além da reflexão do personagem a respeito de sua própria vida.

Molica, de 56 anos, que trabalhou em vários jornais do eixo Rio-São Paulo, explicou que seu romance não é sobre a política e a crise em si, mas sobre o impacto do atual momento histórico na vida das pessoas.

Para o jornalista, o cidadão se vê diante de impasses maiores do que aqueles experimentados durante o atentado do Riocentro, em 1981, e as eleições presidenciais disputadas por Lula e Fernando Collor, em 1989. Marcado pelo ódio, o enredo atual do país - em que se mesclam corrupção generalizada, Operação Lava-Jato, a postura do juiz Sergio Moro e o oportunismo dos políticos - é sufocante. Pior: põe em xeque a democracia.

Lançado em 2016, Uma selfie com Lenin foi definido por Antônio Torres, nome de destaque da literatura brasileira, como "curto romance em número de páginas, mas longo em significados, no qual as atualidades políticas, existenciais e 'lavajatórias' nele se colam com malícia, ambição, sedução, grana, num texto cheio de ginga, bem carioca."

Molica é também autor de Notícias do Mirandão (2002); O homem que morreu três vezes (2003); Bandeira negra, amor (2005); O ponto de partida (2008); e O inventário de Júlio Reis (2012).


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