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Leandro Vieira rima com Mangueira

separador Por Fernando Molica em 27 de fevereiro de 2017 | Link | Comentários (0)

O pouco que conheço de escolas de samba mostra como é delicada a relação entre elas e os carnavalescos. Numa escola há incontáveis saberes e, pelo menos, seis mil egos (por baixo, 1,5 por desfilante). Não é fácil estabelecer uma relação produtiva e colaborativa com tanta gente e com tanto conhecimento acumulado - cada vez que piso na quadra da Mangueira penso em Cartola, Nelson Cavaquinho, seu Delegado, Mocinha, Neide, Carlos Cachaça, dona Neuma - e tantos, e tantos.

Aí a diretoria contrata um cara de fora da comunidade que passa a determinar enredo, definir alegorias, fantasias, volta e meia palpita no samba. E o sujeito tem o direito de fazer isso, foi contratado para exerrcer esta função. Entre os grandes nomes, há os carnavalescos-bandeirantes, colonizadores que, embora talentosos e bem-intencionados, dão pouca bola para a tradição de cada escola e procuram impor seu jogo. Costuma dar certo em escolas de menor tradição, que ainda buscam um estilo.

E há aqueles que conseguem uma ótima sintonia com a escola - Fernando Pinto, Arlindo Rodrigues e Renato Lage sacaram que a Mocidade, famosa por sua bateria, estava prontinha para ousar. Os integrantes da escola de formação do Salgueiro, moldada por Fernando Pamplona, souberam desenvolver a lógica de integração - por maiores que fossem os delírios de Joãosinho Trinta. Rosa Magalhães e Imperatriz pareciam ter nascido uma para a outra.

Leandro Vieira rima com Mangueira. Chegou lá para preparar o Carnaval de 2016 e, como não quer nada, organizou a escola para o título. Apresentou um enredo que tinha tudo a ver com ele e com a escola. Tudo indica que fará o mesmo na madrugada de amanhã. Ele implica um pouco demais com a combinação verde e rosa - em 1984, Max Lopes, outro que se integrou muito à escola mostrou que as duas cores podiam conviver muito bem -, mas isso é um detalhe que não chega a complicar. O cara se entendeu com a escola, e a escola com ele. Com o Leandro, a Mangueira voltou a exercer sua grandeza de sempre.

Hoje, o Léo Dias diz que o Leandro está praticamente acertado com o Salgueiro, que perderá o Renato Lage. E aí, não como jornalista, mas como mangueirense, protocolo minha reivindicação à diretoria da Verde e Rosa: Não deixe o Leandro sair/ Não deixe o Leandro vazar.


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