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As vaias e o risco de Temer

separador Por Fernando Molica em 08 de setembro de 2016 | Link | Comentários (0)

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A manutenção da agenda de protestos contra o novo governo e a aparente popularização das vaias, do 'Fora Temer' e da alcunha de 'golpista' evidenciam um obstáculo que, lá atrás, quando a campanha pelo impeachment foi intensificada, o presidente e seus aliados fingiram ou preferiram não ver.

Um problema que foi gerado pelo processo de deposição da Dilma e que tem potencial para atravancar a agenda de reformas cobrada pelo PSDB e por entidades empresariais. Como, em tese, não é candidato à Presidência em 2018 e, portanto, pode se lixar para os índices de popularidade, o presidente tem como cumprir os compromissos assumidos com aliados e mandar o pacote para o Congresso.

A questão é saber se deputados e senadores, que não estão surdos às vaias e aos protestos, e têm sempre os olhos voltados para a disputa de novas eleições, vão aprovar medidas que dificultam a aposentadoria, flexibilizam a legislação trabalhista e cortam verbas para saúde e educação.

Atentos ao que se passa nas ruas, os parlamentares sabem que a parte - bem expressiva - da população que gritou contra a corrupção e apoiou o Fora Dilma/PT não sabia que a deposição da presidente implicaria na aplicação de um programa de governo como o que vem sendo alardeado.

Um programa que nunca foi submetido ao voto popular e que é bem mais duro que o anunciado, em 2014, pelo então candidato Aécio Neves, o mesmo que, hoje, diz que o empenho do governo na aprovação das medidas é essencial para que o PSDB mantenha seu apoio a Temer. Aécio quer que o peemedebista faça o que ele sequer ousou propor na disputa pela Presidência.

Os entusiastas do impeachment - políticos e diversos setores da sociedade - acharam que tudo se resolveria com a deposição de uma presidente impopular, filiada a um partido enrolado com casos de corrupção. Pareciam se mirar no exemplo da saída de Collor e a subida de Itamar Franco.

O problema é que Dilma não é Collor, o PT não é PRN e Temer não agiu como Itamar. Os articuladores do impeachment parecem ter acreditado que não haveria reação à derrubada da presidente, que seria fácil articular um governo de união após consumada a saída de Dilma. Não viram também que Temer, ao atuar como parte no processo, desqualificou-se como alguém capaz de construir uma pacificação como a de 1992.

Ao contrário do então vice de Collor, o peemedebista jogou em benefício próprio e não vacilou em, de maneira voluntária, fazer gol no time em que até então jogava, o comandado por sua companheira de chapa. Fez gol contra, correu pra abraçar a torcida adversária e, agora, não quer ser vaiado pela outra metade do estádio.

A chance de, com uma tacada, derrubar o PT e implantar, sem qualquer consulta ao eleitor, um programa muito duro de ajustes fez com que muita gente embarcasse na canoa no impeachment. Uma opção condenada, em março de 2015, por lideranças como o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e o próprio Temer.

Nunes Ferreira:
"Não quero que ela saia, quero sangrar a Dilma, não quero que o Brasil seja presidido pelo Temer."

Temer: :
"O impeachment é impensável, geraria uma crise institucional. Não tem base jurídica e nem política."

Agora, consumado o impeachment, Temer, que foge de vaias e de telões dos estádios e sequer passa tropa em revista no 7 de Setembro, se vê numa encruzilhada: cumprir os compromissos assumidos e ver sua base explodir (até o Paulinho da Força se diz contra as mudanças na aposentadoria) ou meter o pé no freio e sofrer pesadas críticas de todos os que patrocinaram sua ida para a Presidência. Pior: sabe que sua manutenção no Planalto depende do julgamento de ações no TSE, tribunal presidido por Gilmar Mendes.

Arrisco dizer que o senador e o presidente devem estar avaliando se valeu mudar de opinião. Por último: num erro com cara de ato falho, a organização da Paralimpíada identificou Temer, na transmissão oficial, como presidente em exercício ('acting president') do Brasil.


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