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Pontos de Partida, o Blog do Fernando Molica

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junho 2016 Archives

A Delta e o Engenhão

separador Por Fernando Molica em 30 de junho de 2016 | Link | Comentários (0)

Leio na 'Folha' que a Polícia Federal acusa a Delta de irregularidades na construção do Parque Aquático Maria Lenk, erguido para o Pan de 2007. Pois. Em abril de 2013, dediquei uma edição do 'Informe do DIA' aos absurdos cometidos na obra do Engenhão, tocada por um consórcio formado pela Delta, Recoma e Racional que não conseguiu terminar os trabalhos - a Odebrecht e a OAS foram convocadas pela prefeitura para concluir o estádio.

Houve acusações de direcionamento de licitação, a obra durou dois anos além do previsto, o estouro no orçamento chegou a 424,65%. Por conta dos problemas, a prefeitura acabou fazendo três licitações adicionais.

Ai vão as notas:

Engenhão: erros, atrasos e pressa

O torcedor-contribuinte tem o direito de vaiar: a interdição do Engenhão foi o apito final de uma partida marcada por erros dos responsáveis pela obra. Relatórios do Tribunal de Contas do Município citam a falta de planejamento como causa de problemas como a descoberta tardia de tubulação da Cedae sob o terreno, dificuldade na liberação de áreas, orçamento insuficiente e necessidade de se refazer vários projetos.

Documento do TCM aponta que, em 2007, a obra da cobertura foi apressada. Diz que serviços de execução da estrutura metálica sofreram modificações no projeto executivo visando "sua agilização". Problemas no teto é que causariam o fechamento do Engenhão. Projetista da estrutura, Flávio D'Alambert insiste que o estádio é seguro, mas já ressaltou: "A pressa é inimiga da perfeição".

A obra teve um estouro de 424,65% do orçamento, atraso de mais de dois anos em relação ao prazo inicial e denúncia de direcionamento de licitação. Foram necessários quatro contratos para fazer o previsto em apenas um, assinado em 2003 com o consórcio formado pela Racional, Delta e Recoma e que previa a "execução de obras e serviços de construção do Estádio Olímpico".

Em 2005, o grupo pediu mais 480 dias; em 2006, mais 120. Isso fez dobrar o prazo inicial de 600 dias. Com dez aditivos, o custo deste contrato passou de R$ 87,389 milhões para R$ 116,698 milhões.


CONTRATOS SUCESSIVOS

Em 2004 e 2006, a prefeitura fez outras concorrências: para "Complementação das obras" e para "Obras de complementação de acabamentos e urbanização intramuros". Vencidas por grupos liderados pela Odebrecht, geraram contratos de R$ 115,314 milhões e R$ 52,747 milhões.

O TCM frisou que, muitas vezes, os sucessivos contratos previam tarefas que deveriam ter sido executadas antes.

Em dezembro de 2006, Eider Dantas, secretário de Obras, manifestou ao consórcio da Delta "preocupação" com as obras, com serviços "de fabricação e montagem da estrutura metálica" e sugeriu a rescisão do contrato. O grupo aceitou no dia seguinte.
Em março foi feito, sem licitação, contrato de R$ 80,514 milhões com o consórcio Odebrecht/OAS, que já participava da obra. As empreiteiras sugeriram cláusulas que as eximissem de responsabilidades, pois não haviam começado aqueles serviços. Procuradora do município, Carmen Macedo classificou a proposta de "descabida". Mas o pedido das empresas foi acatado.


CESAR MAIA APROVA OBRA

Prefeito responsável pela construção do Engenhão, o hoje vereador Cesar Maia (DEM) cita o projetista Flávio D'Alambert para afirmar que o estádio é seguro.
Para Maia, a polêmica que resultou na interdição pode estar relacionada a interesses do futuro concessionário do Maracanã, disposto a criar dificuldades para tirar jogos do Fluminense e Flamengo do Engenhão.

Ele nega estouro de orçamento. Afirma que, inicialmente, seria um estádio pequeno, apenas para o Pan. Os planos olímpicos do Rio é que teriam gerado a ampliação da obra e dos custos. Mas especificações da primeira licitação falam em arena para 45 mil pessoas e trazem perspectivas de projeto semelhante ao Engenhão.

Apesar do que consta de documentos, Maia diz que a Odebrecht e a OAS (e não a Delta) é que, desde o início, iriam montar a estrutura do teto. Afirma ainda que ressalvas quanto à garantia da obra que constam do último contrato não têm valor. Segundo ele, construturas são sempre responsáveis por seus trabalhos.

Logo depois da assinatura do primeiro contrato para a obra do Engenhão, carta endereçada ao TCM enumerava supostas evidências de que a licitação fora "um grande engodo". O anonimato do documento fez com que os fatos não fossem apurados.


O necessário olhar estrangeiro

separador Por Fernando Molica em 30 de junho de 2016 | Link | Comentários (0)

A repercussão internacional dos perrengues pré-olímpicos - poluição na baía e na Lagoa, violência, zika, possibilidade de a Linha 4 do metrô não ficar pronta a tempo - deve ser vista não com arroubos patrióticos, mas como uma espécie de contribuição involuntária.

Sempre ressaltei que nós, jornalistas, nunca deveríamos perder uma espécie de olhar estrangeiro, um jeito de ver nossa realidade que a torna surpreendente, aqui e ali inconcebível. Devemos nos comportar como visitantes não acostumados com a miséria, com as profundas desigualdades, com a corrupção, com as armas de guerra nas mãos de bandidos, com taxistas que não perdem a chance de enrolar turistas.

Isto, da mesma forma que nós, brasileiros, nos assustamos com os atendentes de padaria de Paris que, embora impecavelmente vestidos, manipulam dinheiro e pães sem lavar as mãos. Achamos engraçada a deferência dos indianos às vacas, nos surpreendemos com as marcas do apartheid na África do Sul (também ficamos espantados com ótimos exemplos, como o respeito às faixas de pedestres, com os ônibus que passam em horários pré-definidos, com as eficientes redes de metrô, com o preço dos vinhos em Portugal).

Voltando aos nossos gringos. Até por conta de nosso passado colonial, tendemos a dar um excesso de importância ao que os estrangeiros falam de nós, já teve gente irritada até com cobras e macacos que, num episódio dos Simpsons, circulavam pelas ruas brasileiras. Outros não perdoam as críticas que boa parte da imprensa internacional fez ao processo de impeachment, como se colegas de publicações importantes fossem idiotas ou petralhas.

Cada um analisa uma determinada realidade com seus próprios olhos - o que dizem de nós não pode ser visto como uma sentença irrecorrível, mas apenas como um olhar diferenciado, que vale a pena conhecer. E, por conta disso, é bom notar o susto de tanta gente com mazelas que, de tão antigas, acabaram sendo incorporadas ao nosso cotidiano, já não nos espantam (há uns 20 anos, foi preciso que o Betinho, recém-chegado do exílio, proclamasse que não era razoável deixarmos que tantos brasileiros não tivessem o que comer - muitos achavam a situação absolutamente normal).

Da mesma forma que não nos espantamos com o crescimento dos filhos que vemos todos os dias, nem com o progressivo embranquecimento de nossos cabelos, tendemos a ignorar o agravamento de problemas como a poluição da baía, a violência, a quantidade de gente vivendo em condições precárias. Nada como o susto dos gringos para frisar que cidade boa para turistas e visitantes é aquela que é boa para seus moradores.


Brexit, Trump e o messias Bolsonaro

separador Por Fernando Molica em 29 de junho de 2016 | Link | Comentários (0)

As análises mais equilibradas sobre a decisão do eleitorado do Reino Unido de abandonar a União Europeia ressaltam um desencanto com decisões políticas e econômicas que, nas últimas décadas, em nome do mercado, deixaram de lado algumas relevantes conquistas.

Artigos destacam dificuldades dos aposentados, queda na qualidade da educação, desemprego gerado pela ida de indústrias para países asiáticos. Nem sempre o cidadão comum consegue relacionar essas perdas com os movimentos econômicos, mas é muito simples olhar em volta e notar a presença de imigrantes, de pessoas que podem estar ali roubado seus empregos (mesmo que sejam postos de trabalho desprezados pelos nativos).

No fim das contas é mais simples definir os culpados - os imigrantes e a política que permite a chegada de tantos deles. É quase um paradoxo: a adoção sistemática de políticas conservadoras viabiliza uma saída ainda mais conservadora e excludente. Nenhuma novidade, a história está cheia de exemplos de busca de saídas fáceis, quase todas pela extrema direita.

Em tempos de crise, de revolta contra a incompetência e/ou corrupção dos políticos, de descrença nas instituições, é mais simples recorrer a soluções simplistas. E tome de banir imigrantes, de propor o assassinato de bandidos, a pena de morte ou o fechamento do Congresso Nacional, de culpar a minissaia pelo estupro.

O fascismo tem uma grande vantagem sobre o socialismo. Enquanto este propõe algo quase inalcançável como a criação de um homem novo - generoso, disposto a dividir propriedades -, aquele simplifica tudo, frisa o que o ser humano tem de pior: seu egoísmo, a responsabilidade do outro, do diferente. O campo fica fértil para que se jogue a culpa nos políticos (assim, de forma genérica), nos estrangeiros, nos negros, nos nordestinos, nos judeus, nos palestinos. A culpa é sempre de um outro que precisa ser banido ou exterminado.

O Brexit, a consagração de Donald Trump como candidato republicano, o crescimento da extrema direita na Europa mostram que não faltam porta-vozes para uma insatisfação difusa, ancorada na descrença e desejosa de uma saída imediata.

Hoje cedo, em seu comentário sobre rede sociais na BandNews, o Guto Graça falou sobre a repercussão de casos de violência e destacou o número citações positivas ao deputado Jair Messias Bolsonaro. O militar da reserva que surgiu no notíciário como suposto autor de plano para explodir bombas em quartéis em protesto contra salários da categoria, passou a ser visto por muita gente como a solução, a Solução Final, o caminho mais fácil para acabar com tudo o que está aí.

Por "tudo" entenda-se a violência, a roubalheira dos políticos, o Bolsa Família, a Lei Rouanet, a homossexualidade, o PT, a Dilma, o Temer, o Lula, o PMDB, o Renan, o Eduardo Cunha, o Aécio, o PSDB, a Odebrecht, a OAS, a Camargo Corrêa, o Cabral, o avião do Eduardo Campos, a cabeleira acaju dos deputados, a gravidez na adolescência.

Cansados de tomar rasteiras, assustados com uma modernidade que exige mudanças de comportamento, que expande a ideia de tolerância, que criminaliza preconceitos, muitos se descobrem cansados de tudo. E, convenhamos, é duro engolir o Petrolão, a histórica associação entre empreiteiras e políticos, o roubo da merenda, os tantos esquemas dos partidos, a comprovação de que a política, muitas vezes, não passa de uma forma organizada de transferir dinheiro público para bolsos privados.

Daí a tentação infantil de chamar os militares, como o menino que, agredido pelos coleguinhas, grita pela mamãe. Pouco importa que a lógica Bolsonaro implique em redução de direitos, em autoritarismo, em violência estatal. É como se uma parcela imensa da população se achasse acima de qualquer ameaça, como se repetisse que não é bandido, gay, comunista ou estuprável.

O problema maior não é o Bolsonaro, mas as pessoas que passam a se identificar com ele, que o mitificam, que dizem que ele "é foda", que dão novo sentido ao Messias de seu nome. É fundamental combater o Bolsonaro, mas a viabilidade de sua candidatura à Presidência foi construída pelos tantos que, todos os dias, minam as instituições, que não envergonham de roubar, de não apresentar alternativas de políticas públicas, que se fecham no corporativismo, que - por ação e omissão - deixam de combater a violência.

Bolsonaro vira opção por conta da falência dos mecanismos institucionais, é um político visto como não político, um outsider, alguém que não participa da bandalheira que está aí. Exagero? A última pesquisa Datafolha, divulgada em abril, deu ao Bolsonaro 8% das intenções de voto - algo em torno de 11,5 milhões de brasileiros dizem querer vê-lo no Palácio do Planalto. É muita gente, é gente demais.


E viva Jorge Amado

separador Por Fernando Molica em 22 de junho de 2016 | Link | Comentários (0)

Outro dia, o Marcelo Moutinho me repassou aquela proposta de citar autores - acho que dez - que me influenciaram como escritor. Até para que os relacionados não viessem reclamar e protestar inocência (a maioria já morreu, não quero saber de fantasmas), não entrei na brincadeira. Seria complicado também restringir a escritores a possibilidade de alguma influência nos meus livros.

Mas ontem fui a uma palestra da Ana Maria Gonçalves, organizada pelo Antônio Torres, sobre o imaginário de Jorge Amado. E lá foi comentada uma resistência de setores da crítica ao autor de 'Gabriela, cravo e canela'. Então, revelo: o baiano não é meu autor brasileiro favorito (só entre os mortos, eu citaria, pra começo de conversa, Machado de Assis e Graciliano Ramos), mas foi um dos responsáveis pelos meus primeiros deslumbramentos com a literatura, por alguns grandes prazeres na companhia de um livro.

Ontem, o Torres leu um texto muito legal que o Augusto Nunes publicou, no Caderno 'Ideias', do JB, sobre o Jorge Amado, aí vai:

"Poucos ficcionistas dominaram tão completamente quanto Jorge Amado a arte de inventar gente. Os personagens do escritor baiano, inspiradores de ilustrações magníficas, transformaram o leitor em diretor de elenco. Além de nome, têm cores e cheiro. Têm até corpo e rosto. Às vezes, existem. Gabriela, por exemplo, tem cor de canela, cheiro de cravo e virou gente com o nome de Sônia Braga."

É isso, Jorge Amado inventou muita gente, cuja existência não pode ser negada. Claro que Gabriela, Nacib, Vasco Moscoso de Aragão, Quincas Berro d'Água e Pedro Bala existem, sabemos disso. Mais até: ele, de certa forma, inventou a Bahia, nos apresentou e nos fez íntimo de uma terra tão pouco conhecida quando ele começou a publicar seus romances.

Uma apresentação recheada de críticas ao racismo, às injustiças - temas tratados de forma meio esquemática em seus primeiros livros, mas que, aos poucos, foram sendo integrados de maneira mais orgânica aos seus romances. Lembro que, na adolescência, quando precisava de autorização dos meus pais para pegar livros de Jorge Amado no Colégio Metropolitano, no Méier, havia quem fizesse uma crítica de viés feminista ao autor. Dizia-se que ele tratava as mulheres de maneira machista e seu culto à beleza e ao fervor sexual de negras e mulatas poderia ser visto como uma herança da visão da Casa Grande.

Eu prefiro achar que ele nos ajudou a reconhecer a beleza de um povo mestiço, misturado. Seus livros colaboraram para reforçar a ideia de a mulher mais bonita poderia ser uma negra, uma mulata. Mulheres fortes, lutadoras, que, como Tereza Batista, enfrentavam quem tentava estuprá-las.

Jorge Amado também tem um papel importantíssimo ao ressaltar a tolerância religiosa, o respeito que demonstra pelas religiões de matriz africana, em especial, pelo candomblé, é fundamental. Ele soube muito bem abordar a importância destas religiões e de seus mitos - ler seus livros é também uma forma de protestar contra as agressões à fé. Além disso tudo, o cara era um grande contador de histórias, escrevia como se escrever fosse simples - isto não é tudo, mas não é pouco.


Investigação sobre jatinho complica contas de Campos e Marina

separador Por Fernando Molica em 21 de junho de 2016 | Link | Comentários (2)

As irregularidades relacionadas ao avião utilizado por Eduardo Campos em sua campanha à Presidência complicarão ainda mais o processo de prestação de contas da chapa formada por ele e por Marina Silva.

O site do TSE revela que Marina, defensora da anulação da chapa Dilma-Temer, não apresentou uma relação própria de receitas e despesas de campanha. Como no caso de Temer, as contas da ex-ministra estão incluídas nas apresentadas pelo candidato a presidente.

O processo de prestação de contas da chapa Campos-Marina, que tem o número 99094, continua aberto. No fim de março, frisei, no 'Informe do DIA', que comprovantes relacionados aos voos no PR-AFA ainda não haviam sido entregues à Justiça Eleitoral.

Na época, a assessoria de imprensa do TSE afirmou que as contas de candidatos a presidente e a vice eram analisadas de forma conjunta.

Presos hoje pela Polícia Federal, os empresários João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho e Apolo Santana Vieira tentam, há quase dois anos, se livrar da responsabilidade sobre o avião. Segundo a campanha de Campos, ambos doaram horas de voo para Campos e bancaram despesas de viagens.

As notas publicadas no 'Informe' ressaltaram que Lyra deu à Justiça do Trabalho declarações contraditórias relacionadas à propriedade do avião. Ele e Vieira estão entre os réus de processos movidos pelas famílias do piloto e do co-piloto que morreram no no acidente com o jatinho.

Também relacionada como ré nos processos trabalhistas, Marina também procurava se esquivar de qualquer responsabilidade sobre o avião. Seus advogados disseram à Justiça que ela voara apenas oito vezes no Citation, sempre na condição de convidada de Campos.


As poucas e boas histórias

separador Por Fernando Molica em 17 de junho de 2016 | Link | Comentários (0)

Gosto dos livros que contam muitas histórias, mas gosto também dos livros que parecem contar poucas histórias, mas que se aprofundam nos temas, nos personagens, que ressaltam o que um olhar menos atento classificaria como banal.

Romances que são como quadros, como os do Edward Hopper, como o 'Absinto', do Degas, como 'Caipira picando fumo' e 'Violeiro', do Almeida Junior. Pinturas que contam toda uma história em apenas uma imagem. São quadros e romances que, por mais detalhes que apresentem, permitem ao observador/leitor complementar aquela narrativa, imaginar novas saídas, criar situações, pendurar outros adereços nos personagens.

Essa introdução é pra elogiar 'Amanhã não tem ninguém', do camarada Flávio Izhaki, e 'Abaixo do paraíso', do André de Leones. O primeiro disseca alguns momentos fundamentais de uma família judia a partir de narrações, em primeira pessoa, de alguns de seus integrantes. Não há no romance um grande e espetacular momento, uma virada, um instante de tensão - e é isto que o faz tão particular, tão delicado, tão denso.

Izhaki nos apresenta diferentes versões para vidas mais ou menos banais, gente como a gente, sejamos judeus, católicos, candomblecistas, ateus, negros, brancos. Histórias que, misturadas, revelam consensos e contradições - cabe ao leitor escolher as melhores possibilidades.

Tudo permeado por solidão, lirismo, frustrações e pequenos e reveladores espantos, como o apresentado no fim do livro, um momento de lucidez e de brilhantismo de um personagem improvável.

De Leones foca num personagem, em suas andanças e viagens não muito bem explicadas, contadas na perspectiva de quem as vivencia. Uma história embaçada como a vida do protagonista. Ficamos sabendo de suas vagas ligações com a política, com a política real, pragmática, somos informados de um crime, algo meio inexplicável, sem sentido. Como no livro do Izhaki, o sentido será construído aos poucos, a cada frase.

Uma narrativa aqui e ali pontuada por passagens bíblicas que, ao contrário da visão tão comum, não tentam servir de guia, não buscam indicar um rumo, não apontam para a salvação. Apenas entram na história misturadas à poeira, às roupas sujas jogadas num hotel barato de alguma cidade do Centro-Oeste. A luz que nasce é pouca, mas importante como um fiapo de sol que aponta por uma fresta na janela.

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'Selfie com Lenin' na 'Gazeta', de Vitória

separador Por Fernando Molica em 17 de junho de 2016 | Link | Comentários (0)

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A pior das reações

separador Por Fernando Molica em 16 de junho de 2016 | Link | Comentários (0)

Fui ontem fazer um exame que requeria o uso de contraste. Tive que assinar autorização, a enfermeira falou de algumas reações inevitáveis (calor aqui e ali) e dos riscos - mínimos, ressaltou - de alguma manifestação alérgica. Garantiu que, em caso de emergência, todos ali estavam preparados para me socorrer.

Fiquei meio assustado com tantas recomendações, e tratei de alertá-la para o pior:

- Se eu começar a gritar "Mengo!", trate de me levar pra UTI!

Deu tudo certo.


Sobre dar e comer na política brasileira

separador Por Fernando Molica em 15 de junho de 2016 | Link | Comentários (0)

A delação do Sérgio Machado revela que não há um submundo na política brasileira. Com as exceções de praxe, a nossa política se faz no submundo, é um grande propinoduto capaz de abastecer diversos outros dutos.

Em suas gravações, o Machado - e que ironia ele ostentar um nome que remete ao escritor que tratou a vida brasileira com tanto sarcasmo e ironia - diz que deu pra um político e que um outro seria o primeiro a ser comido. Afinal, como muito bem resumiu, ainda no governo Sarney, o então deputado Roberto Cardoso Alves, é dando que se recebe. As óbvias conotações sexuais das frases de Machado e Robertão acabam sendo ilustrativas da grande sacanagem em que estamos metidos (metidos, ops!).

Vamos ao óbvio: nossa política existe para viabilizar uma sistemática transferência de recursos públicos para cofres particulares. Todos os processos do jogo político - campanhas eleitorais, formação de governos, nomeações - têm o objetivo principal de abastecer este mecanismo de transferência.

A nomeação de Machado para a Transpetro não tinha a finalidade de dar um bom emprego para o sujeito, visava apenas garantir grana pesada para um grupo de políticos. E, sem querer sem injusto, dá para substituir "Machado" e "Transpetro" por outros nomes e empresas/ministérios.

É até possível que governos implantem determinadas políticas públicas razoáveis e necessárias. Mas isso só pode ser feito se atendidos os pleitos da política real - é até injusto chamar de "Centrão" aquele grupo que manda e desmanda na Câmara. Esses deputados não são de centro, nem de direita ou de esquerda, são movidos por interesses muito mais sinceros e pragmáticos. Machado é um bom exemplo disso: ex-senador tucano, viu seu poder crescer em governos petistas graças ao apoio do PMDB.

A lista de Machado é democrática e representativa: inclui PT, PSDB, PMDB, PP, DEM, PCdoB. O cara distribuiu tanto dinheiro que, a essa hora, representantes de partidos menores devem estar mais indignados do que aliviados - como puderam ficar de fora dessa mamata?


Neymar é junior

separador Por Fernando Molica em 13 de junho de 2016 | Link | Comentários (0)

Ao xingar preventivamente os supostos críticos da seleção, Neymar - aquele jogador acusado de fraudes fiscais no Brasil e na Espanha - demonstra mais uma vez a razão de estampar nas camisas um "Junior" ao lado de seu nome. Ele, como ressalta o complemento, é apenas um menino mimado, cheio de si e que se acha acima de qualquer crítica ou lei. Um menino que sai em defesa dos coleguinhas que deram vexame outra vez.

Em 2014, depois do 7 a 1, o Joaquim Ferreira dos Santos fez um texto espetacular, 'O fim de Tóis', em que apontava a infantilidade de nossos jogadores, meninos que brincavam de jogar na seleção, que se julgavam predestinados à vitória:

"Não treinavam. Tinham a força, a espada de Grayskull, o grito de Shazan, o apito do japonês, o licor de jurubeba e o pó de pirlimpimpim. Na hora agá, resolveriam." Como se sabe, não resolveram.

Quase todos os jogadores da seleção foram muito pobres na infância. Desde que descoberta a intimidade que tinham com a bola passaram a encarnar o sonho de rendenção de suas famílias. Foram adolescentes privados de muitos prazeres - pela falta de grana e pela necessidade de levar uma vida compatível com a de um atleta. O foco na carreira é tamanho que, de um modo geral, a escola acaba sendo tocada apenas para cumprir tabela.

Ao contrário do que ocorre em países mais decentes, e apesar das mudanças ocorridas nos últimos anos, por aqui o esporte ainda é uma das poucas alternativas capazes de fazer com que um jovem de família pobre possa ter uma vida melhor. Muitos dos poucos que conseguem jogar em grandes clubes acabam descontando, na vida adulta, as limitações que passaram na infância e na juventude. Podem, enfim, brincar - têm grana, prestígio, poder, não devem satisfações a ninguém.

Tanta grana, tanto prestígio e tanto poder acabam sendo vividos por uma perspectiva muito egocêntrica, como lhes ensinaram olheiros, empresários e dirigentes - é cada um por si, o que vale é o brilho individual, o "sou eu e mais dez". E tome necessidade de brilhar, de aparecer, de se destacar para além do uniforme, de ressaltar que, Jesus Cristo, eu estou aqui, veja só minhas chuteiras coloridas, minhas tatuagens, meus cabelos esquisitos, minhas sobrancelhas trabalhadas, meus louvores, minha fé. Uma fé que, de tão grande, dispensa treinamentos, táticas, jogo coletivo - que há de, sozinha, remover cabeças de áreas, zagueiros e goleiros adversários. É nóis, é tóis.

Meu querido e pra lá de saudoso amigo e compadre Sérgio Costa me chamou a atenção para uma entrevista ao 'Correio', depois da Copa de 2014, dada pelo zagueiro Dante, então no Bayern de Munique, O repórter perguntou o que seria importante para reformular nosso futebol. Resposta:

A escolaridade é muito importante. O futebol tem tudo a ver com educação. Quando se fala de uma tática de futebol, divisão de espaço em campo... Tem muita coisa que o treinador fala que depende da clareza do jogador. Lá eles investem. Fica a grande dica.

"É fácil entender Guardiola?", perguntou o repórter. Dante respondeu:

Ele é um professor taticamente. Ele não explica o futebol de uma forma muito fácil, muito clara. Se você não tiver clareza na cabeça, não vai entender nada. Ele explica matemática: dois contra um, três contra dois... Sempre trabalha taticamente para ter superioridade de um lado do campo. Trabalha muito com a cabeça do jogador, com a inteligência. Muito diferenciado.

Nossa tática aqui é outra, é como se o talento - com brasileiro não há quem possa - fosse suficiente para driblar tudo o que se exige de um time de primeira linha. É como se fôssemos capazes até de superar também a roubalheira profissional dos dirigentes amadores.

Cobranças são vistas como indevidas, inadmissíveis, um constrangimento aos meninos do Brasil - adoramos chamá-los de meninos. Meninos carentes precisam de pais fortes, repressores, durões - daí o Felipão, o Dunga, daí a saudade que tantos brasileiros têm dos militares, daí o desejo que muitos têm de entregar suas vidas para o Bolsonaro. Daí que técnicos brasileiros não costumam fazer carreira no exterior (na Copa América do ano passado, três das quatro seleções semifinalistas tinham técnicos argentinos).

Nossos jogadores não são diferentes da maioria de nossos jovens, são filhos de um Brasil individualista, que estuda pouco, que acredita que a fé é capaz de tapar buracos de formação, esforço e treinamento. Um Brasil infantil, que não admite ser responsabilizado por seus próprios erros.

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Uma nova 'Gota d'água'

separador Por Fernando Molica em 12 de junho de 2016 | Link | Comentários (0)

Não vi - era ainda adolescente - a montagem original de 'Gota d'água', de Chico Buarque e Paulo Pontes. Ontem, fui assitir á adaptação feita por Rafael Gomes e estrelada por Laila Garin e Alejandro Claveaux.

Pena que não se trata do texto original, mas vale muito a pena dar uma chegada no Teatro Net Rio. Pela beleza, força e indignação do texto construído em versos, pelas canções espetaculares, pelas ótimas sacadas de cenário e direção, pela voz da Laila.

Ao chegar em casa, procurei pelo texto original. Destaco esta fala da Joana, a protagonista, que foi mantida na nova montagem.


JOANA
Só que essa ansiedade que você diz
não é coisa minha, não, é do infeliz
do teu povo, ele sim, que vive aos trancos,
pendurado na quina dos barrancos
Seu povo é que é urgente, força cega,
coração aos pulos, ele carrega
um vulcão amarrado pelo umbigo
Ele então não tem tempo, nem amigo,
nem futuro, que uma simples piada
pode dar em risada ou punhalada
Como a mesma garrafa de cachaça
acaba em carnaval ou desgraça
É seu povo que vive de repente
porque não sabe o que vem pela frente
Então ele costura a fantasia
e sai, fazendo fé na loteria,
se apinhando e se esgoelando no estádio,
bebendo no gargalo, pondo o rádio,
sua própria tragédia, a todo volume,
morrendo por amor e por ciúme,
matando por um maço de cigarro
e se atirando debaixo de carro


A tesoura da minha editora alemã

separador Por Fernando Molica em 11 de junho de 2016 | Link | Comentários (0)

Trago pra cá, com alguns acréscimos, o comentário que fiz num post do Carlos Andreazza, meu editor na Record, sobre a reportagem do Guilherme Freitas sobre o Gordon Lish, um editor que não vacilava em cortar e reescrever textos dos autores que publicava.

A discussão é muito boa, a interferência num texto de ficção é sempre delicada (o próprio Lish, diz a reportagem, chorou quando seu editor apontou problemas em seu primeiro romance). Quando o 'Notícias do Mirandão' estava para sair na Alemanha, os editores, Hanna Mittelstädt e Lutz Schulenburg (da Nautilus), vieram ao Rio, tratei de recepcioná-los. Num restaurante da Feira de São Cristóvão, a Hanna sacou da bolsa um print do livro e, entre cervejas e pedaços de carne de sol, alegou que seria melhor inverter a ordem de alguns capítulos iniciais.

Não sugeriu qualquer mudança no texto, apenas na ordem. Olhei, pensei, e concordei. Acabei propondo uma nova combinação de capítulos, uma sequência que considero melhor que a original. Uns dois ou três anos depois, a Hanna, após ter assinado o contrato de publicação do 'Bandeira negra, amor', queria suprimir alguns (mais do que alguns) trechos do livro.

Não gostei muito da ideia, mas topei analisar o pedido. O problema é que as alterações mudariam a pegada do livro, que seria transformado num romance policial. Nada contra os policiais, muito pelo contrário, mas não era essa a proposta, achei que, ao fazer isso, eu apresentaria ao leitor um livro meio falso, diferente daquele que havia sido publicado no Brasil - eu havia resolvido o crime tratado no romance uns quatro ou cinco capítulos antes do fim para reforçar que não se tratava de uma narrativa policial.

Bem, recusei a proposta, a Hanna desistiu do livro - fiquei triste, mas nem um pouco irritado com a editora, que cumprira seu papel - gostei muito de poder conversar sobre o que escrevera. Anos depois, o 'Bandeira' sairia em e-book por uma outra editora na Alemanha e, agora, deverá ser publicado em papel. (O engraçado é que fui rever agora a capa da edição do 'Bandeira' alemão - apesar dos meus cuidados, o livro acabou sendo classificado como ''kriminalroman", ou seja, romance policial.)

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A maior tragédia

separador Por Fernando Molica em 08 de junho de 2016 | Link | Comentários (0)

Claro que é fundamental apurar se PMs assassinaram um menino de 10 anos que, com um colega de 11 anos, havia furtado um automóvel em São Paulo. Mas o fato não deixará de ser terrível e sintomático do buraco em que vivemos mesmo se a versão dos PMs estiver correta, se o garoto morto tiver disparado contra eles.

Não dá para achar normal que duas crianças furtem carros. Uma sociedade que não se espanta com isso mostra que também sucumbiu à brutalidade, à insensibilidade. É absurdo demais ouvir comentários que reduzem o fato a questões individuais, a uma suposta "índole" dos dois garotos.

Vontade de vomitar sobre o pensamento simplista que busca nos chavões ("Fruta não cai longe de árvore", "Pau que nasce torto morre torto") explicação para um sintoma evidente de que falhamos na tentativa de construir uma sociedade decente - se é que, algum dia, tentamos mesmo fazer um país menos canalha.

Estou entre os que acreditam no contrário, que (por falar em árvores) colhemos os frutos da nossa aposta numa sociedade que se orgulha de suas raízes escravocratas, que cultiva a exclusão. Deu no que deu.

A biografia do menino morto é mais do que suficiente para explicar o que houve. Filho de pais que acabaram na cadeia, foi abandonado desde sempre, viu-se expelido da escola - nosso sistema educacional foi criado para atender filhos de famílias de comerciais de margarina -, dormiu nas ruas e numa van. Jogado no mundo, não foi acolhido por tantas e tantas instituições que deveriam ter cuidado dele.

Já dá pra ouvir os gritos daqueles que dizem que também foram pobres, que também passaram fome, que não conseguiram estudar, que não conheceram os pais e que, mesmo assim, não se bandearam para o crime. OK, sinceros parabéns pra vocês, pessoas lutadoras, que conseguiram driblar tantas dificuldades. Mas, desculpem-me, nem todos são assim tão bons.

A quantidade de crianças e jovens envolvida com o crime é tão grande que não é razoável atribuir o fenômeno a questões individuais e/ou genéticas, não dá pra achar que muitos de nós, brasileiros, temos uma espécie de defeito de origem, que somos ruins, que sofremos de algum desvio hereditário de caráter.

A edição de ontem da 'Folha de S.Paulo' registrou, no pé de uma reportagem, que uma associação de moradores da região em que houve a morte do menino prepara um ato de solidariedade aos PMs envolvidos no caso. Para essas pessoas, não importa se um dos policiais assassinou o garoto ou se reagiu a uma agressão - o importante é que um bandidinho foi morto.

Cidadãos falam esses absurdos como se não tivessem a menor responsabilidade por nossas tantas tragédias. Pior, mostram que continuam dispostos a incentivar a perpetuação de nossas escandalosas desigualdades e a estimular a formação de mais meninos envolvidos com o crime e de mais policiais assassinos.


A tocha vestiu gibão

separador Por Fernando Molica em 07 de junho de 2016 | Link | Comentários (0)

A nossa interminável crise política, a sucessão de más notícias, o nojo causado por tantas demonstrações explícitas de canalhice e, mesmo, a saudade do país (fiquei dez dias fora) devem ter colaborado para a emoção que senti ao ver o vídeo que mostra a homenagem a Luiz Gonzaga feita durante a passagem da tocha olímpica por Caruaru.

Ao puxar o coro de 'A vida do viajante' (Luiz Gonzaga e Hervê Cordovil), a comitiva que seguia o condutor da tocha deu uma espécie de visto de entrada a um dos símbolos olímpicos. Fez como a multidão que, lá se vão algumas décadas, no fim da ditadura, voltou a se apropriar da bandeira nacional, identificada, ao longo de muitos anos, com os militares golpistas.

Marcado pela caretice oficial e pelo oportunismo publicitário, o revezamento, enfim, ganhou o fogo da vida. Aquelas pessoas adotaram a tocha, deram-lhe voz: o direito de cantar, em primeira pessoa, a alegria que é andar por esse país, guardando recordações, passando por nossos tantos sertões. "Chuva e sol/ Poeira e carvão/ Longe de casa/ Sigo o roteiro / Mais uma estação."

A trilha sonora da tocha não veio do Comitê Organizador nem dos patrocinadores, surgiu da rua, uma homenagem também ao artista que tão bem contou nossas histórias, nossos dramas, nossas alegrias. Como Gonzaga fez num momento crucial de sua carreira, a tocha passou a usar gibão e chapéu de couro.


Nei Lopes e 'Uma selfie com Lenin'

separador Por Fernando Molica em 07 de junho de 2016 | Link | Comentários (0)

Sou um daqueles fãs de carteirinha do Nei Lopes, 'Samba do Irajá' está lá na minha lista de uma das dez melhores canções brasileiras. Sempre que ouço uma de suas músicas, lembro daquela frase sobre o Didi, criada, se não me engano, pelo Neném Prancha: joga aquilo tudo como quem chupa laranja.

Fingindo que não se esforça para escrever suas músicas, seus livros - de pesquisa e de ficção -, Nei é muito craque. Daí que fico muito feliz ao ler seus elogios a 'Uma selfie com Lenin', postados no seu blog -, o 'Meu lote'. Para ler, clique aqui.

Entre outros pontos, Nei diz que o livro é show de bola e que flui em ritmo de samba e tem o charme de blocos de Carnaval.

Que bom que você gostou, meu caro.


As bandeiras em Santiago

separador Por Fernando Molica em 03 de junho de 2016 | Link | Comentários (0)

Uma lição pessoal sobre impressões, conclusões apressadas e jornalismo. Outro dia, ao jantar num restaurante de Santiago de Compostela, vi uma bandeirinha brasileira ao lado de uma outra, azul e branca (estão, na foto, entre a luminária e o velho rádio). Concluí que seria uma referência ao Bebeto, que jogara no Deportivo La Coruña, time azul e branco (Santiago fica na província de Corunha).

Cheio de marra, comecei a discorrer sobre o craque, sobre sua passagem gloriosa pelo clube e ainda lembrei que ele se recusara a bater um pênalti decisivo, que daria ao La Coruña o título da Copa do Rei. Falei, falei, falei.

Mas, depois, resolvi apurar, e perguntei ao garçom se minha tese era correta. Tava tudo errado. A bandeira não era do La Coruña, time que, segundo ele, sequer é popular em Santiago. E a bandeira do Brasil? "Sei lá, foi presente de um cliente, a colocamos ali", respondeu. Ou seja, com perdão do lugar pra lá de comum, aparências enganam, apurar é preciso.

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Antropólogos fazem ato contra Temer em Portugal

separador Por Fernando Molica em 03 de junho de 2016 | Link | Comentários (0)

Antropólogos brasileiros e portugueses fizeram, na tarde desta sexta-feira, no campus da Universidade de Coimbra, um ato contra o impeachment de Dilma Rousseff, classificado de "golpe".

Participantes do VI Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia, os manifestantes se reuniram no Jardim Botânico da universidade logo depois de um debate - levaram cartazes manuscritos favoráveis à volta de Dilma e contra Michel Temer. Um dos cartazes classificava o presidente em exercício de "Temer, o breve".

Integrantes do grupo também protestaram contra a extinção do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que foi incorporado ao de Comunicações.

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A casa do Zeca

separador Por Fernando Molica em 02 de junho de 2016 | Link | Comentários (2)

Ao caminhar em Coimbra, fui supreendido ao ver que, diante da Sé Velha, fica a casa onde morou José (Zeca) Afonso (1929-1987), compositor e intéprete de 'Grândola, vila morena'. Uma canção que eu, em 1974, aos 13 anos, em plena ditadura brasileira, soube que tinha sido usada como senha para o início da Revolução dos Cravos. Na época, eu estudava no Colégio Piedade, da Universidade Gama FIlho, instituição que daria emprego a Marcello Caetano, último primeiro-ministro do salazarismo.

Confesso que fiquei emocionado ao ver a casa - na véspera, ao jantar num restaurante na parte antiga da cidade, um dos clientes, um sujeito com uns 70 anos, começou a cantar a música que, há tantos anos, embalou a liberdade portuguesa. É preciso respeitar e reverenciar uma revolução que começa com uma música e que tem como símbolo uma flor. A festa, com todos os problemas, continua a ser bonita.

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Ato contra Temer na Universidade de Coimbra

separador Por Fernando Molica em 02 de junho de 2016 | Link | Comentários (0)

E tome problemas para Michel Temer na área internacional. Amanhã haverá um ato contra o impeachment de Dilma Rousseff - um "golpe", segundo os organizadores da manifestação - durante o VI Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia, aberto na manhã desta quinta na Universidade de Coimbra.

Na cerimônia de abertura, Miriam Grossi, ex-presidente da Associação Brasileira de Antropologia, fez duras críticas ao novo governo. Professora da Universidade Federal de Santa Catarina, ressaltou o que classificou de riscos que a administração do presidente em exercício traz para as atividades de sua área de atuação.


BG
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