Estação Piedade: a biografia de Fernando MolicaEstante: livros públicados pelo MolicaPáginas Amarelas: textos, artigos e outras palavras maisJulio Reis: Biografia, Músicas e PartiturasBlog: Pontos de PartidaFoto MolicaClique para voltar a página principalFoto Molicawww.fernandomolica.com.brEntre em contato com o Fernando MolicaInformações para imprensa

Blog

Pontos de Partida, o Blog do Fernando Molica

separador
BG

O desafio de contar boas histórias

separador Por Fernando Molica em 07 de novembro de 2013 | Link | Comentários (0)

Coluna Estação Carioca, O DIA, 16/10:

Vale usar o chavão do ex-presidente Lula: nunca antes na história deste país jornalistas foram tão questionados como agora. As manifestações e o surgimento de fenômenos como o Mídia Ninja destamparam uma espécie de rancor contra a imprensa, raiva que explode em xingamentos na internet e em agressões nas ruas.Passamos de paladinos contra as injustiças a cúmplices de todas as formas de repressão.

Como qualquer grupo profissional, acumulamos erros e acertos. Lidamos com vida em estado bruto, não é fácil resumi-la, transformá-la em notícia. Ao longo deste trabalho surgem embates, contradições e dúvidas. Quem acredita em pensamento único nos jornais nunca pisou numa redação; publicações que abrem mão do contraditório tendem a sucumbir. Sequer podemos esconder nossos pecados, tudo o que fazemos é público, estamos expostos à necessária vigilância, às vaias e aos aplausos.

A internet fez com que falar para milhares ou milhões de pessoas deixasse de ser privilégio dos jornalistas, o que é ótimo. O problema é que, lambuzados pelo exercício deste doce poder, muitos de seus detentores partiram para um acerto de contas. Consideram manipulação qualquer notícia que não seja uma defesa explícita da causa que defendem, chegam a fingir que não é depredação e vandalismo a depredação e o vandalismo que se revelam diante de seus olhos. Alguns atropelam a pluralidade de vozes que tanto dizem defender e tentam impedir o trabalho de quem poderá dar outra versão dos fatos.

No momento em que levamos tantas pancadas, vale frisar um episódio ocorrido na manhã de domingo, durante a Conferência Global de Jornalismo Investigativo, que reuniu, na PUC, 1.300 pessoas de 87 países. Diante de uma plateia lotada, a repórter Míriam Leitão admitiu seu medo ao fazer, com o fotógrafo Sebastião Salgado, a reportagem sobre os índios Awá publicada em 'O Globo'. Medo dos madeireiros? Não: "Medo de não merecer aquela história, de não entender aquela história, medo de não saber contá-la." "Com 40 anos de jornalismo -- completou -- é muito bom ter medo." Foi ótimo ouvir seu depoimento sobre a tensão, a alegria e a insegurança diante do desafio de contar boas histórias, histórias que revelam injustiças, violência, crimes ambientais, corrupção, tortura e miséria. Histórias que só conhecemos porque saíram nos jornais.


Deixe seu Comentário











Type the characters you see in the picture above.

BG
© Todos os direitos reservados. Todos os textos por Fernando Molica, exceto quando indicado. Antes de usar algum texto, consulte o autor. créditos do site    Clique para ver os créditos do site