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Pontos de Partida, o Blog do Fernando Molica

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dezembro 2012 Archives

Réveillon estrelado

separador Por Fernando Molica em 30 de dezembro de 2012 | Link | Comentários (0)

Sinais. Ontem, após passar por Copacabana, ver a festa de Iemanjá, comer no árabe do Lido e tomar algumas cervejas, embarcamos num táxi para casa. Logo depois, a companheira-patroa (insuspeita, vascaína) notou que meu celular emitia alguns sons. Fui conferir e - sim, palavra - a tela exibia a melhor e mais emocionante cena de 'Heleno', aquela em que o jogador dá uma bronca em todo o time e, aos gritos, canta o hino do Botafogo. Não tenho a menor ideia de como aquela cena foi parar no meu celular, não havia sido arquivada na memória, eu não estava navegando na Internet. Só sei que, no finzinho de 2012, de cara para o gol de 2013 (13!), meu celular resolveu me transmitir a cena. Sei não, sei não. Mas acho que 2013 (13!) será o ano da estrela.

Aqui, a cena (fui buscá-la no Youtube).



Rafael Cardoso e 'O inventário de Julio Reis'

separador Por Fernando Molica em 29 de dezembro de 2012 | Link | Comentários (0)


" 'O inventário de Julio Reis' alia pesquisa histórica à sensibilidade do ficcionista, resgatando um personagem fascinante e reconstituindo toda uma época da vida do Rio de Janeiro. É um livro cheio de ternura e compreensão pelo passado, mas livre de sentimentalismo nostálgico. O melhor de Fernando Molica, até agora, e um dos destaques do ano de 2012."


A escola que Davi e seus colegas merecem

separador Por Fernando Molica em 26 de dezembro de 2012 | Link | Comentários (0)

Coluna Estação Carioca, jornal O DIA, 26/12:

Coube a um menino de 12 anos, Davi Eduardo Dias Ramalho, formular a mensagem mais incisiva deste fim de ano. Como foi mostrado na reportagem de Paloma Savedra, do DIA, ele procurou o diretor de uma escola pública de Santa Teresa, para reivindicar o direito de ser matriculado lá. Na avaliação do jovem morador do Morro dos Prazeres, o Ginásio Experimental Olímpico Juan Antonio Samaranch é a instituição adequada para o prosseguimento de seus estudos. Mas a tentativa não deu resultado, ele ficou sem a vaga.

Uma olhadinha no site da escola ajuda a entender a razão da escolha de Davi. Voltada para os quatro últimos anos do ensino básico e focada no desenvolvimento esportivo, a Juan Antonio Samaranch tem ótimas instalações e aulas de 7h30 às 17h30. Seus professores cumprem jornada semanal de 40 horas. É até um erro classificá-la de "experimental". Esse tipo de experiência, já deu certo em todos os países que levam o ensino a sério: escola de tempo integral que também oferece atividades complementares.

O que deu errado foi a experiência de oferecer uma educação pública precária, com turnos de quatro, três e até duas horas por dia. Uma lógica cruel e excludente, que, aliada aos baixos salários dos professores, parece ter o objetivo de impedir o acesso da maioria da população a um ensino de qualidade. Assim se criou uma escola precária, pior que a paraguaia, como insistia Darcy Ribeiro. Ao formular os Cieps e seu horário integral, ele ressaltava que não inventava nada, apenas fazia o óbvio. Tão óbvio quanto a Juan Antonio Samaranch.

A prefeitura deveria encarar o pedido de Davi com orgulho e constrangimento. É bom saber que a iniciativa despertou em alunos o desejo de frequentar a escola. O problema é que a limitação de vagas reproduz a exclusão que vitima tantos meninos e meninas como Davi. Em 2010, Eduardo Paes sancionou projeto do vereador Jorge Felippe que dá prazo de dez anos para a implantação do turno de sete horas em todas as escolas da rede. A lei é boa, mas tímida. O horário não chega a ser integral e o prazo é longo demais para uma cidade que dispõe de tantos recursos. Os investimentos olímpicos mostram que não há falta de dinheiro por aqui. Davi e outras milhares de crianças não podem esperar: em uma década, terão crescido e perdido a oportunidade de estudar na escola que desejam e merecem.


Mussa e o 'Inventário'

separador Por Fernando Molica em 24 de dezembro de 2012 | Link | Comentários (0)

Alberto Mussa, sobre 'O inventário de Julio Reis':

"Adorei o livro, é uma história bem comovente, das duas personagens, uma que quer resgatar uma memória do pai e a do protagonista na sua busca pelo reconhecimento. Há trechos sensacionais (o horror de Julio em relação à música popular, a 'nega que mi dá' etc...). A recriação do Rio da época (assunto que me é sempre muito caro) é também excelent...e, o ambiente intelectual e político, as intrigas, a burocracia inacreditável, as polêmicas através dos jornais (coisa que desapareceu). Perdi talvez alguma coisa porque não conheço nada de música erudita, mas deu pra entender as questões estéticas, por alto pelo menos, em que o personagem se envolveu. É a velha batalha, e única, entre o clássico e o romântico (aqui no sentido antigo de "moderno")."



Trecho de 'O inventário de Julio Reis'

separador Por Fernando Molica em 18 de dezembro de 2012 | Link | Comentários (0)


No trajeto até o Centro, observei com atenção cada detalhe do bonde, das pessoas que nele estavam ou que passavam pelas ruas - o chapéu branco decorado com flores da senhora, a bengala do cavalheiro com bigode engomado à la hongroise ou posto a ferro pelo barbeiro, a menina de vestido rodado e laço de fita nos cabelos, o mascate que, numa calçada, vestido com paletó listrado e surrado, carregava nas costas seu baú repleto de tecidos,o garoto com roupas de marinheiro, o garrafeiro descalço com o cesto à cabeça, a preta baiana de cabeça envolta em pano e tabuleiro lotado de doces deitado à rua. Naquela tarde, todos aqueles personagens me pareceram mais velhos, condenados ao desaparecimento, não resistiriam a tantas mudanças. Por quanto tempo ainda haveria bengalas, bigodes encerados e meninos com roupas de marinheiro? Muitos dos burros que puxavam os bondes haviam sido aposentados. De imprescindíveis, tornaram-se obsoletos, desprovidos de qualquer serventia, como os escravos que, passados mais de 20 anos da Abolição, ficam perambulando pelas ruas, dormindo nas praças, imploravam por comida, por um lugar para dormir. De súbito, haviam perdido a função, a utilidade. Foi-se a ignomínia da escravidão, veio a indignidade do ócio, da falta do que fazer. Os quiosques tinham sido eliminados, tantos e tantos casarões do Centro foram postos abaixo, de residências de luxo haviam passado a condição de casas de cômodos, abrigos de miseráveis e de desocupados; depois, virariam um amontoado de pedras. O progresso se impunha com pressa, era violento, inconteste, arrasador. Em breve, como as ondas que chegavam aos pés do Outeiro, arrastaria profissões, modas, hábitos, costumes. Ao apear do bonde, olhei de relance para o meu próprio rosto refletido no espelho do motorneiro. Por um breve instante, também me achei idoso, ultrapassado. Encharcados pelo suor, fios de cabelo teimavam em escapar do chapéu e grudavam na minha testa, o calor fazia meus óculos deslizarem pelo nariz e deixava ainda mais evidente o anacronismo do colete com que eu tentava resguardar alguma elegância. A claridade ressaltava o puído dos meus trajes, meu rosto parecia ainda mais encovado; embutida no meu colarinho duro, a gravata plastron se assemelhava a um estandarte de algum exército derrotado, que acenava apenas para o passado. Percebia o quanto envelhecera naqueles cinquenta minutos de viagem. Na Avenida, apressei o passo em direção ao Lyrico, precisava de refúgio, de um ambiente seguro, um local onde pudesse me reconhecer e admitir que ainda estava vivo.


Sons que renasceram em Araras

separador Por Fernando Molica em 18 de dezembro de 2012 | Link | Comentários (0)

Foi curioso saber, ontem, que 'O inventário de Julio Reis' é finalista do Machado de Assis, da Biblioteca Nacional. Passei o fim de semana em Araras, onde, num estúdio espetacular, na casa do Sérgio e da Simone, o pianista João Bittencourt gravou as músicas que vão fazer parte de seu CD, todo dedicado ao compositor.

Lá, no meio daquelas montanhas, lembrei que uma vez, ao fazer uma reportagem na ABL, soube a razão daquela história de imortalidade - na lógica acadêmica, alguém é imortal enquanto estiver sendo lembrado. JR morreu em 1933 e, apesar dos esforços de seu filho, acabou esquecido. Contratado para tocar no lançamento do romance, o João se encantou com composições daquele desconhecido, apresentou um projeto, conseguiu uma grana e vai lançar o CD.

Um disco que, ao apresentar as músicas do JR, promove seu renascimento, resgata parte de sua obra. As composições - valsas, polcas (choros que não ousam dizer seu nome) - são muito bonitas, merecem ser conhecidas. Legal também que o CD sairá em 2013, que marca os 150 de nascimento do JR. O livro e o o CD têm propósitos diferentes, mas, de uma certa forma, são complementares.


Arrastão e os estados desunidos do Brasil

separador Por Fernando Molica em 18 de dezembro de 2012 | Link | Comentários (0)

Coluna Estação Carioca, jornal O DIA, 12/12:

A pendenga dos royalties fez com que o princípio do arrastão fosse recuperado no Congresso Nacional. A maior parte dos senadores e de deputados decidiu se unir para atacar algo que havia sido consagrado como um direito de alguns estados e municípios. Garantido pela Constituição, o pagamento de compensações pela exploração do petróleo no mar foi regulamentado no governo Sarney e nunca fora contestado. A mesma lei garantiu royalties para estados afetados pela mineração ou pela exploração de rios para a geração de energia.

A elevação dos preços do petróleo, a descoberta do pré-sal e, mais tarde, dificuldades de caixa de estados e municípios deixaram políticos de olho grande. De maneira simplória e pouco responsável, notaram que seria simples distribuir recursos que se concentram no Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, sequer visaram os royalties destinados ao governo federal. Formaram o arrastão a partir de uma lógica matemática: a soma de senadores e deputados de estados não-produtores é bem maior do que a de estados produtores. Foi simples aprovar a redivisão, como será fácil derrubar o veto presidencial. E dane-se o respeito às minorias.

Suas excelências se esquecem que pau que dá em Chico dá em Francisco. O precedente que querem criar permitirá a organização de outras maiorias oportunistas, capazes de tungar de outros estados royalties da mineração e da energia elétrica (o subsolo e os rios pertencem a todos, certo?); de alterar os subsídios ao Nordeste, de dar um ponto final na farra da Zona Franca de Manaus, de forçar a mudança de critérios na distribuição do Fundo de Participação dos Estados e de acabar com o absurdo pagamento do ICMS de petróleo e energia nos estados consumidores, critério que beneficia São Paulo. Enfim, eles apostam na quebra da federação, nos estados desunidos do Brasil.

É pena. A raiva que utilizam para se referir ao Rio é incompatível com a recepção que costumamos dar aos que vêm de fora. Ao contrário do que ocorre em outros estados, nunca classificamos outros brasileiros de forasteiros, não os acusamos de roubar nossos empregos. Nossa generosa vocação cosmopolita fez com que aceitássemos até a mudança da capital para Brasília. Agora, somos atacados. Guerra é guerra: que o governo do Rio não vacile, diante da derrota, em adotar medidas para minorar nossas perdas, mesmo que gerem ônus para o resto do País.


Pacto pelo uso correto dos royalties

separador Por Fernando Molica em 18 de dezembro de 2012 | Link | Comentários (0)

Coluna Estação Carioca, jornal O DIA, 28/11:

A passeata pelos royalties foi importante, a causa é justa, não é razoável que estados formem maiorias de ocasião para tungar outros. A abertura da porteira cria um precedente perigoso, que coloca em risco até direitos de quem, hoje, mete a mão no bolso de fluminenses e capixabas. Quem sabe não é hora também de redividir os royalties dos minérios (o subsolo é da União, né?) e de acabar com o privilégio da Zona Franca de Manaus? Onde passa boi, passa boiada.

Mas a manifestação de segunda-feira passada teria sido mais representativa se, ao longo dos anos, a importância dos royalties tivesse sido percebida pela população. Muitas de nossas cidades estão penduradas no dinheiro do petróleo, o problema é que o uso desse mundão de grana nem sempre é notado.

Municípios abarrotados de royalties deveriam oferecer aos cidadãos serviços espetaculares. Mas basta olhar números relacionados ao desempenho em saúde e educação para perceber que, na maioria das cidades, o dinheiro na mão virou vendaval. Pior, em alguns casos, serviu para alavancar e sustentar carreiras políticas, bancou projetos desnecessários e superfaturados e inchou a máquina pública de servidores.

Não é à toa que muitas dessas prefeituras se tornaram palco de grandes shows e festivais. Como a fixação de cachês artísticos é subjetiva, muitos administradores públicos trataram de maquiar a conta de suas atrações. Há muitos anos cheguei a fazer um levantamento para uma reportagem. O resultado foi assustador: prefeituras não negociavam com os empresários dos artistas, recorriam a intermediários que chegavam a triplicar ou quadruplicar o valor das atrações. Gastavam, digamos, R$ 100 mil para contratar alguém que cobraria R$ 25 mil. O contratado recebia seus R$ 25 mil; a diferença, todos imaginamos para onde ia.

No momento em que somos ameaçados, seria interessante que o governo do estado e os prefeitos eleitos fizessem uma espécie de pacto relacionado à aplicação do dinheiro dos royalties. Uma carta-compromisso que estabeleceria critérios, definiria metas e garantiria o controle público dos investimentos. Parte dos recursos seria direcionada para iniciativas que preparassem as sociedades para um futuro sem petróleo. A criação de um vínculo mais efetivo com os cidadãos seria um argumento decisivo para a manutenção do direito adquirido.


Salve a feijoada do Jorge do Renascença

separador Por Fernando Molica em 18 de dezembro de 2012 | Link | Comentários (0)

Coluna Estação Carioca, jornal O DIA, 5/12:

Ao contrário do que anda acontecendo com a novela das nove, Jorge Ferraz, comandante-em-chefe das panelas do Renascença, é sucesso de público e crítica. Domingo passado, ele aproveitou o Dia Nacional do Samba para preparar aquela que, garante, foi a sua milésima feijoada.

Assim como craques do futebol fazem gol de tudo que é jeito -- de cabeça, de bicicleta, com pé direito, com o esquerdo --, a marca de Jorge foi atingida graças a um extenso repertório de variações culinárias. Há alguns anos, para ajudar a levantar fundos para o clube, ele chegou a inventar um rodízio de feijoadas, a cada semana preparava a iguaria com um tipo diferente de feijão. Fiel ao espírito do Rena, referência da cultura negra, Jorge não tem preconceito, traça feijões de todas as cores. Mas, fiel à tradição do clube, o preto é que costuma dar as cartas por lá.

Para usar parâmetros tão ao gosto da imprensa: como Jorge, bombeiro aposentado, costuma usar cerca de 40 quilos de feijão a cada rodada, ao longo de tantos anos terá despachado umas 40 toneladas de leguminosas e umas 160 toneladas de carne para aqueles panelões. Quantidades suficientes para influenciar as cotações de feijão e de suínos no mercado agropecuário. Prático, Heitor e Cícero, os simpáticos Três Porquinhos, devem manter uma prudente distância da Rua Barão de São Francisco, onde fica a sede do Rena.

Sem camisa, com o peito coberto por um avental personalizado, Jorge dava detalhes sobre a empreitada. Para marcar o milésimo tento, fez uma graça a mais. Auxiliado por Chiclete -- outro craque da tradicional gastronomia carioca de botequim --, fez questão de cozinhar grãos e carne na lenha, ritual que varou a madrugada. No fim das contas, todas as carnes derretiam -- as dos porquinhos sacrificados e as nossas, submetidas ao sol que esturricava a tarde no Andaraí e fazia evaporar a cerveja dos copos.

Ao lado do panelão, Jorge Alberto, médico oftamologista, explicava a origem do ritual: como sempre saía com fome de churrascos, sugeriu ao primo Jorge Ferraz a preparação de um prato com mais sustança, um feijãozinho. Deu no que deu. O feijão misturou-se ao samba, outro alicerce do Rena. Domingo, as notas vindas dos instrumentos subiam, se misturavam ao perfume do feijão, refrescavam o espírito e tiravam todos os pesos d'alma. Que venha logo a feijoada de número 2.000.


O baião de dois Gonzagas

separador Por Fernando Molica em 18 de dezembro de 2012 | Link | Comentários (0)

Coluna Estação Carioca, jornal O DIA, 21/11:

Você já foi ver 'Gonzaga - de pai pra filho?' Não? Então vá. Ao abordar a delicada e tensa relação entre Luiz Gonzaga e Gonzaguinha, o diretor Breno Silveira construiu uma bela história sobre a dificuldade de se estabelecer vínculos mesmo entre pessoas que se amam. Pai e filho passam boa parte do filme se revezando no papéis de touro e de toureiro, atacam e se defendem com igual força e determinação. Como na música de Gonzaguinha, vão, de peito aberto, sangrando histórias de abandono, renúncias e frustrações. Dores que amargam que nem jiló.

O roteiro de Patrícia Andrade utiliza aquela que seria a definitiva conversa entre pai e filho como mote para a apresentação da vida e da construção da obra de Gonzaga-pai. Há até uma justificativa dramática para o recurso -- o próprio Gonzaguinha tratou de gravar boa parte do encontro, uma violenta quase sessão de análise em que um parece prestes a jogar um divã virtual na cabeça do outro.

Ao apertar as teclas play e rec daquele gravador cassete, Gonzaga-filho antecipou o grito de "Ação!" que, décadas depois, marcaria o início das filmagens. Esse é um dos muitos méritos do longa-metragem: ao dar voz aos protagonistas -- dois grandes contadores de histórias em suas composições --, o filme adquire uma narrativa cúmplice em relação aos personagens.

'Gonzaga' permite um reencontro com muitas canções que, de diferentes maneiras, marcaram nossa relação com o País. É emocionante ver como Gonzaga-pai incorpora um Nordeste ao mesmo tempo sofrido, lírico e esperançoso, sentimentos que se fundem em 'Asa branca', talvez a mais doce de todas as músicas de protesto.

Vestido de vaqueiro, armado de uma sanfona, ele nos fez íntimo de um pedaço de nós mesmos, refez, em música, a brusca transição entre o rural e o urbano de nossa história. Gonzaga-filho fez um percurso quase oposto, não havia qualquer doçura em suas primeiras canções, panfletos diretos e explícitos; pedradas que não admitiam complacência com um comportamento geral que, de alguma forma, julgava cúmplice de suas desventuras.

Não há bandidos ou mocinhos na história, mas o contraponto da secura de um pai com o rancor de um filho; artistas que se julgam abandonados e que tentam construir uma convivência. Ao se reconciliarem, eles revelam que um encontro quase é sempre possível.


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