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Delegado e os nossos passos

separador Por Fernando Molica em 15 de novembro de 2012 | Link | Comentários (0)

Coluna Estação Carioca, jornal O DIA, 14/11:

Murilo Mendes disse que se tornou poeta depois que assistiu a uma apresentação de Nijinski. Décadas depois, Abel Silva atribuiu sua poesia ao fato de ter testemunhado as evoluções de Didi nos gramados. Não sou poeta, Nijinski e Didi só me foram revelados em filmes. Mas, na Avenida, eu vi Delegado dançar; com seus passos e gestos, proteger e reverenciar a delicadeza de sua parceira e a beleza da bandeira verde e rosa. Um balé sustentado pelo solitário rufar do surdo e pelo canto de Jamelão, o maior de todos os cantores.

A idade fez com que Delegado abandonasse a função de mestre-sala. Mas ele continuou presente na Mangueira, ia aos desfiles, a todos os ensaios. Várias vezes o vi comandar, na quadra, a abertura da roda por onde pastoras e passistas iriam evoluir. Volta e meia ele gingava e exibia a precisão e leveza de sua dança. Já apontei muito para para ele e repeti a óbvia constatação: "É o Delegado!" Falava mais para mim do que para quem estava ao meu lado. Queria era ressaltar que, sim, eu estava ali; tinha, mais uma vez, a chance de vê-lo bailar.

Era uma experiência semelhante à de 2010, quando, no Desfile das Campeãs, eu, mangueirense desde sempre, me emocionei ao ver Vilma dançar. Ela passou na Grande Rio, bandeira da Portela nas mãos, ao lado de outras figuras fundamentais de nossa cultura: Joãosinho Trinta, Maria Helena e Chiquinho, ex-primeiro casal da Imperatriz. Os aplaudi muito, todos ajudaram a tornar minha vida mais alegre e mais bonita; personagens centrais que, a cada ano, renovam minha esperança num país mais justo e feliz -- é impossível não acreditar em um povo que faz um espetáculo como o das escolas de samba.

Artistas como Delegado sintetizam, recriam e apresentam elementos que fazem parte de nossas histórias. Se olharmos bem, reconheceremos, nos seus gestos, mesuras e gingados do nosso cotidiano. Seus meneios incorporavam e traduziam a dança de escravos e até a dos antigos senhores -- o samba tende a incorporar, não a excluir. Os passos de Delegado lembravam o balé dos santos nos terreiros, o andar miudinho de quem segue uma procissão ou sobe a escadaria da Penha. Remetiam aos dribles com que Garrincha fintava adversários no campo e na vida, exaltavam a elegância de Pelé, anteciparam os passinhos derivados do funk e de tantas outras danças. Ao longo de tantos anos, Delegado nos desfilou pela Avenida.


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