Estação Piedade: a biografia de Fernando MolicaEstante: livros públicados pelo MolicaPáginas Amarelas: textos, artigos e outras palavras maisJulio Reis: Biografia, Músicas e PartiturasBlog: Pontos de PartidaFoto MolicaClique para voltar a página principalFoto Molicawww.fernandomolica.com.brEntre em contato com o Fernando MolicaInformações para imprensa

Blog

Pontos de Partida, o Blog do Fernando Molica

separador
BG

Homenagem

separador Por Fernando Molica em 25 de outubro de 2011 | Link | Comentários (0)

livros-o-ponto-da-partida-isbn-9788501081209--517934_2.jpgUm desabafo do jornalista Ricardo Menezes, personagem do romance 'O ponto da partida' (Record, 2008).


Eu sou de uma geração que começou a pegar pesado com a polícia. Não dava ainda pra bater de frente com o Exército, com as Forças Armadas. Então, a gente aproveitava e descia o cacete na farda que estava mais próxima, e tome porrada na PM que, diga-se de passagem, sempre colaborou com a gente, sempre fez muita merda. O sindicato dos jornalistas deveria agradecer à briosa corporação pelas ótimas matérias que, ao longo dos anos, seus integrantes sempre nos proporcionaram. Lembra daquela mulher, como é mesmo o nome dela? Aquela que encarou um batalhão inteiro pra tentar descobrir o soldado que matou o irmão dela? Pois é, eu tava lá. Foi arrepiante ver aquela mulher, negra, pobre, olhando a cara dos policiais, todo mundo formado no pátio do batalhão. E ela lá, encarando um por um. A foto é espetacular. Depois teve aquele outro caso, dos PMs que prenderam uns pobres pelo pescoço com uma corda. Todos negros, claro. Parecia uma imagem de Debret. O Morier fez a foto, eu trabalhei na suite. E tome porrada. Mas isso era na época em que falar em direitos humanos dava prestígio. Hoje, se falar muito nisso você leva porrada. O editor pede pra ir devagar, que a criminalidade tá foda, que tem que segurar um pouco a onda, que não pode pegar muito no pé da polícia. Fora o leitor que enche o jornal de e-mail cada vez que a gente mostra um policial esculachando um bandido, um suspeito de ser bandido. Claro, tudo pobre, tudo preto. E a gente acaba se contaminando com isso, meu caro.


Deixe seu Comentário











Type the characters you see in the picture above.

BG
© Todos os direitos reservados. Todos os textos por Fernando Molica, exceto quando indicado. Antes de usar algum texto, consulte o autor. créditos do site    Clique para ver os créditos do site