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Pontos de Partida, o Blog do Fernando Molica

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maio 2010 Archives

O futebol de cada um

separador Por Fernando Molica em 29 de maio de 2010 | Link | Comentários (0)

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No próximo dia 9, eu e o caríssimo amigo Moacyr Luz colocaremos nossos times em campo: livros sobre futebol escritos para a Coleção Gols de Letra, da Rocco. Convocados pela Ana Martins Bergin, calçamos chuteiras virtuais e escrevemos histórias ancoradas em nossa memória, em nossas vidas de meninos suburbanos.

Soube que praticamente todos os autores chamados para integrar a coleção - voltada para o público infanto-juvenil - agiram de forma semelhante. Foram buscar no passado o mote de suas histórias. Faz sentido: o futebol, de alguma forma, nos mantém jovens, impede nosso envelhecimento definitivo. A bola é nosso primeiro brinquedo, um brinquedo eterno, que nos acompanha por toda a vida. Torcer por um time - algo tão essencial quanto inútil - tem algo de poético, de lírico, de amor desinteressado, de absoluta entrega.

Gostei muito de escrever o livro, que recebeu um cuidadoso tratamento gráfico do Marcelo Martinez, do Laboratório Gráfico. A bela capa e as ótimas ilustrações são do Orlando Pedroso; a orelha, do amigo Marcelo Moutinho.

Bem, o título do meu livro é O misterioso craque da Vila Belmira; o do Moa, Camisa, short e meião. O lançamento será na Saraiva do Rio Sul a partir das 19h. Todos, claro, serão bem-vindos.


Bussunda

separador Por Fernando Molica em 20 de maio de 2010 | Link | Comentários (1)

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O amigo Guilherme Fiuza lança hoje Bussunda, a vida do casseta. Será a partir das 19h, na Travessa de Ipanema. Dá para ir à livraria, comprar o livro, dar um abraço no Fiuza e, depois, secar o time da Gávea. Por falar nisso: esses jogos à noite têm sido terríveis para autores e editoras. Há uns oito anos, ouvi que o melhor era lançar livros de terça a quinta. Agora, pelo visto, é prudente evitar as noites de quarta, dia preferencial dos jogos norturnos. E não é que a partida do Universidad de Chile (arriba!) caiu na quinta? Deve ser alguma sacanagem do rubro-negro Bussunda, o jeito que ele encontrou de participar da festa.


O Zangado e os Dungas

separador Por Fernando Molica em 11 de maio de 2010 | Link | Comentários (4)

Não há qualquer surpresa na convocação. Dunga não foi chamado pela CBF por suas qualidades como técnico. Foi chamado para acabar com a bagunça que a própria CBF ajudou a promover na Copa da Alemanha. A CBF não chamou um técnico, convocou um bedel; um sargentão, que cultiva o discurso que identifica seleção com a Pátria. Uma pessoa que admite qualidades na ditadura. Um sujeito amargo, agressivo, que - apesar da carreira vitoriosa como jogador e, até agora, como técnico da seleção - não se conforma em ter sido classificado como sinônimo de mediocridade. Ele nunca engoliu a história da tal "Era Dunga" (se não me engano, uma boa sacada do antigo JB para definir a mesmice e a previsibilidade da seleção de 90, a do Lazaroni).

Em 1994, Dunga fez uma ótima Copa, uma atuação reconhecida por todos. Mesmo assim, capitão do time, levantou a taça com raiva, com ódio, aos palavrões. Não havia alegria, havia sentimento de vingança. No momento de glória, Dunga optou por externar um sentimento menor. Ele não parece ter mudado, quer ganhar a Copa não para comemorar, mas para provar que estava certo. Dunga parece ver a felicidade pelo avesso.

Além de turrão, adepto da lógica do fiscal de alunos, Dunga chama de coerência o que não passa de patotagem: convocou não os melhores, mas os que mais se submetem à sua lógica. Como técnico, Dunga confunde alegria com bagunça - isso ajuda a explicar a ausência do Neymar e do Ganso. Em sua cabeça de bedel, a alegria é algo ameaçador, perigoso.

A não-convocação de Adriano é explicável - como ouvi há pouco no rádio, o atacante do Flamengo fez de tudo para ficar de fora da seleção. Pelo comportamento dele nos últimos meses seria até razoável prever que ele viesse a fugir da concentração para botar uma carne na brasa num canto qualquer da África do Sul. Dunga não tolera indisciplina - ao cortar Adriano, agiu de forma previsível; neste caso, com razão: gordo daquele jeito, o Adriano não merecia ser chamado.

Bedel amargurado - apesar, repito, de sua vitoriosa carreira -, o técnico da seleção criou um time à sua imagem e semelhança: responsável, aplicado, limitado. O técnico da seleção trocou de papel, passou a interpretar o anão Zangado e escalou um time de Dungas, um grupo de esforçados trabalhadores. O problema é que, no fim da história, os sete anões perderam a mocinha para um príncipe encantado. Resta torcer para o Robinho ser o nosso Feliz.


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