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Pontos de Partida, o Blog do Fernando Molica

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fevereiro 2010 Archives

11 gols de placa

separador Por Fernando Molica em 27 de fevereiro de 2010 | Link | Comentários (0)

convite_11golsdeplaca_final_web.jpgO novo filhote da coleção Jornalismo Investigativo - um acordo entre a Abraji e a Editora Record - acaba de nascer. O livro 11 gols de placa - uma seleção de grandes reportagens sobre o nosso futebol começa a chegar às livrarias neste fim de semana. Segue a mesma lógica dos anteriores - 10 reportagens que abalaram a ditadura e 50 anos de crimes: traz reportagens acompanhadas de relatos sobre os bastidores da apuração.

Como das outras vezes, fui responsável pela organização do livro. Os textos sobre as reportagens são assinados por André Rizek, Diogo Olivier Mello, Fernando Rodrigues, João Máximo, Juca Kfouri, Leonardo Mendes Júnior, Marceu Vieira, Marco Senna, Marcos Penido, Mário Magalhães, Michel Laurence e Sérgio Rangel.

O lançamento no Rio será no próximo dia 10, a partir das 19h, na Livraria DaConde, na Rua Conde de Bernadotte, 26. Será ótimo receber os amigos do blog - a livraria é bem simpática e fica cercada de bares por todos os lados.


Aí vai a lista das reportagens:

Futebol brasileiro: o longo caminho da fome à fama", Jornal do Brasil.

"O jogador é um escravo", O Estado de S.Paulo.

"Irregularidades na Federação de Futebol do Rio, O Globo.

"A viagem do contrabando", Folha de S.Paulo.

"Contratos da CBF", Folha de S.Paulo.

"Wanderley é gato", Época e "Fábrica de Gatos", Placar.

"Desemprego Futebol Clube", Zero Hora.

"Pelé e Unicef", Folha de S.Paulo.

"Profissão na marca do pênalti", O Dia.

"Ronaldinhos do futuro", Gazeta do Povo.

"Escândalo na arbitragem", Veja.



Vilma, Maria Helena, Joãosinho, Jamelão

separador Por Fernando Molica em 21 de fevereiro de 2010 | Link | Comentários (2)

Na madrugada de hoje, há algumas horas, me emocionei ao ver Vilma dançar. A veterana porta-bandeira desfilou na Grande Rio ao lado de seu antigo parceiro, o mestre-sala Benício. Agora, pela manhã - ôps, são quase duas da tarde - lembro que já a assistira no Sambódromo, mas em desfiles da Tradição, clone imperfeito da Portela. Não foi a mesma coisa. Hoje, há algumas horas, a vi, pela primeira vez, dançar com a bandeira de sua verdadeira escola. Foi um privilégio estar lá.

Mangueirense desde sempre, gosto da Portela - talvez pela identificação da escola com o Botafogo. Isso ajuda a explicar o impacto da presença de Vilma Nascimento na avenida. Mas há outras razões. Ao lado de Vilma estavam Maria Helena e Chiquinho, mãe e filho, ex-primeiro casal da Imperatriz. Lembro que os entrevistei em algum Carnaval passado (comecei a cobrir desfiles em 1982, sou da era pré-Sambódromo!). Nesta madrugada, os dois voltaram a exibir e a proteger a bandeira da escola.

No mesmo desfile da Grande Rio também havia Joãosinho Trinta, destaque no carro que relembrava o pra lá histórico "Ratos e urubus" (foi em 1989, era dia claro, eu estava na pista e, como tantas e tantas pessoas, fui quase nocauteado por uma Beija-Flor que enchia o Sambódromo de mendigos e radicalizava na teatralização do desfile). Foi emocionante ver o carnavalesco aplaudido, esforçando-se para ficar de pé (um AVC o obriga a usar uma cadeira de rodas). O desfile foi encerrado com uma alegoria que homenageava Jamelão - mais do que justo.

Aplaudi muito todas essas pessoas que tanto ajudam a tornar minha vida mais alegre e bonita. Era a única forma de agradecer a esses personagens que, há muitos carnavais, me surpreendem e renovam minha esperança num país mais justo e feliz. É meio chavão dizer isso, mas é impossível não acreditar na capacidade de um povo que faz um espetáculo como o das escolas de samba.

Aquelas ilustres presenças contribuíram para renovar algo essencial nas escolas de samba - e, claro, nas religiões afro-brasileiras: a lógica da ancestralidade, a certeza de que estamos aqui apenas porque houve quem nos precedeu. São pessoas que merecem todo o nosso carinho, honrá-las é também um jeito de preservarmos nossas próprias histórias nas vidas que seguirão às nossas. Mantê-las vivas é uma forma de buscar alguma imortalidade para nós mesmos.

Nunca simpatizei com a Grande Rio, que sempre me pareceu artificial, desenraizada, nascida de um projeto de legitimação pessoal. Uma escola nova (é de 1988) e rica, nova-rica. Volta e meia eu ignorava seus desfiles: até brincava, dizia que a Susana Vieira era a única representante de sua velha guarda. Desta vez, a escola me emocionou. Mais, ao elaborar um enredo com base em grandes momentos de outros carnavais, a Grande Rio pode ter dado, enfim, um grande passo para sua legitimação. Ao reconhecer a precedência de outras agremiações e sambistas, a escola bateu cabeça, cultuou seus ancestrais no mundo do samba. Tomara que tenha aprendido - Vilma, sozinha, vale mais do que todos aqueles atores da escola que já foi chamada de Unidos do Projac.

Ah, vale registrar: na noite de sábado, logo depois do desfile da Mangueira, Delegado - o próprio, o maior mestre-sala do Carnaval, honra e glória da Estação Primeira - sentou-se na mureta daquele viaduto que passa atrás da passarela, na altura do setor 9 das arquibancadas. Vestido de verde e rosa, sozinho, parecia feliz, tranquilo. Volta e meia era reconhecido e cumprimentado por pessoas que estavam por ali, em torno da passarela.


Carnaval

separador Por Fernando Molica em 17 de fevereiro de 2010 | Link | Comentários (5)

Pitacos desorganizados antes do início da apuração das escolas de samba:

1. Os carnavalecos deveriam aprender que esculturas de pessoas feitas em fibra de vidro ficam muito feias. Quando tendem à caricatura são até aceitáveis, mas ficam terríveis quando tenta reproduzir o rosto do homenageado. Nos desfiles deste ano, isso ficou evidente na Mangueira e no JK da Beija Flor.

2. Por falar na escola de Nilópolis: ela deveria voltar a fazer aqueles enredos de sempre, sobre índios. A escola muda apenas o nome da tribo e os gritos guturais do refrão do samba (de ÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔ para ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ). A escola é uma espécie de Irmãos Villas-Boas, ótima para cuidar de índio. Por falar nisso: acho que aquele índio voador que veio no abre-alas já sobrevoou a passarela outras vezes.

3. Com todo respeito: escola de samba de São Paulo não sabe nem comemorar título.

4. Pelo jeito, o Renato Lage vai insistir com acrobatas no abre-alas até o dia em que eu aprender a falar Intrépida Trupe sem errar.

5. O Max Lopes derrapou na Imperatriz. Faltou emoção no desfile, a relação do povo com as religiões não foi enfatizada. O belíssimo samba fala que "a Imperatriz é um mar de fiéis" e eles, os fiéis, não apareceram. Saudade da ala de romeiros que a Viradouro, anos atrás, apresentou na reedição do enredo "Círio de Nazaré". O desfile da Imperatriz ficou parecendo cerimônia do Vaticano: muito luxo e pouca fé.

6. A Grande Rio melhora quando fala de enredos alheios.

7. O samba da Vila é muito bonito (com exceção daquela história de "Fez a passagem pro espaço sideral". Alma vai pro céu, pro além, pro infinito. Quem vai pro espaço sideral é astronauta, é foguete). Mas como eu ia dizendo: o samba é bem bonito, mas não serviu como samba-enredo. Não conta uma história, não alinhava um enredo. Faz pouca relação entre Noel e seu tempo (fala apenas do cometa e da Revolta da Chibata). Também não relacionou o compositor e suas músicas (o que seria uma outra alternativa para desenvolver a história na avenida). Tudo isso prejudicou o desenvolvimento do enredo, que ficou muito preso à figura do Noel. Que sirva de lição para a Mangueira quando, enfim, fizer o enredo sobre Cartola.

8. Unidos da Tijuca: ao contrário de outros, acho até que faltou ousadia. O Paulo Barros pareceu até meio contido pelas críticas que andou recebendo. Esperava mais surpresas. Mas foi um belo desfile, aposto na escola para campeã.

9. Assim que acabou o desfile da Tijuca recebi uma mensagem indignada de um grande amigo imperiano. Revoltado, ele dizia que o desfile perdera sentido, se transformara em Broadway, que Homem Aranha tinha virado mais importante que Cartola. Respeito, mas discordo. Desde sua origem que as escolas de samba do Rio (como mostra o livro do Simas e do Mussa) representam uma tensão entre a tradição e a aceitação. Não chegariam ao atual patamar se não fosse a presença de pessoas de fora - em São Paulo, por exemplo, elas continuam mais nos guetos, não foram legitimadas pelo resto da sociedade, pela classe média (esta, vem brincar no Rio). Esta tensão permitiu às escolas cariocas negociar sínteses entre suas origens e as demandas, digamos, da modernidade (o dado mais evidente é a submissão a um padrão estético externo, elaborado, muitas vezes, por professores de artes plásticas). As escolas não podem temer influências externas, são capazes de incorporá-las e de recriá-las. Não é justo negar às escolas o direito de serem influenciadas por culturas externas - afinal, é o que defendemos para a música, para o cinema, para a literatura. Se admitimos a presença do universo pop em outras produções culturais, não podemos negar o mesmo às escolas de samba. E, convenhamos, elas são muito mais fortes que os tais super-heróis. De vez em quando, uma ou outra escola exagera - e se ferra. A ligação com suas comunidades originais é que lhes garante vida e relevância.

10. Ah, todo mundo concorda que a tal da Lesga é uma versão muito piorada da Liesa que, por sua vez, não é lá essas coisas.

11. E viva o Carnaval de rua. A cidade virou um imenso blocódromo. Que bom.


Sambas, boemia e vagabundos

separador Por Fernando Molica em 08 de fevereiro de 2010 | Link | Comentários (2)

eduardo.jpgNesta quarta, dia 10, a partir das 19h, o amigo Eduardo Carvalho lança Samba, boemia e vagabundos, livro que reúne crônicas que ele publicou no blog que ele mantém com o Gabriel Cavalcante. Sou suspeito: afinal, escrevi a orelha do livro. Um livro que é um pouco de (e sobre) todos nós, que gostamos de samba e que nos encontramos em tantas rodas pela cidade. Citados ou não nos textos, estamos todos lá: o Eduardo é um de nossos grandes tradutores. Ah, o lançamento será no Espaço Multifoco, na Mem de Sá, 126 - na Lapa, claro.


Os sambas de Mussa e Simas

separador Por Fernando Molica em 02 de fevereiro de 2010 | Link | Comentários (0)

Nesta quarta, dia 3, os amigos Alberto Mussa e Luiz Antonio Simas lançam Samba de enredo - história e arte (Civilização Brasileira), um grande levantamento sobre o gênero musical que tanto nos embala. Mussa é um escritor consagrado; professor de história, Simas é talvez o melhor blogueiro do Brasil. Um grande cronista, dono de um texto espetacular. O lançamento será a partir das 18h, no Al-Farabi, na Rua do Rosário, 30/32, no Centro.


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