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Pontos de Partida, o Blog do Fernando Molica

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outubro 2009 Archives

Let's twitt again

separador Por Fernando Molica em 30 de outubro de 2009 | Link | Comentários (1)

A empresa que ganhou o leilão de compra do prédio da Bloch fez o pagamento com um cheque sem fundos. Faz muito sentido.
9:09 AM May 25th from web

"A mulher invisível" é um filme legal, engraçado, voltado para o mercado (e isso não é ruim). Mas precisava ter recebido dinheiro público?
11:04 PM Jun 7th from web

Tem gente que ri ao saber que existiu o grupo Brazilian Beatles. Acabei de saber que um tal The Australian Bee Gees vai tocar no Canecão!
9:00 AM Jun 18th from web

@LivrosdeFutebol Dez mais do Flu? Tem isso tudo não. Castilho, Romerito, Félix... (Rivelino é do Corinthians; Paulo César, do Botafogo).
4:27 PM Jul 10th from web in reply to LivrosdeFutebol

Roberto Carlos parou o show porque a chuva impedia a leitura das letras das músicas. Só ele que não sabia as letras de cor...
1:45 PM Jul 13th from web

Aquela camisa do Fluminense, com listras apontando para baixo. Sei não, parece algo profético. Não custar trocar o uniforme.
10:06 PM Aug 2nd from web

@marcolisan Irresistível lembrar a frase do Matinas. Tudo na vida tem um lado bom, menos um disco do Gonzaguinha...
12:53 PM Aug 10th from web in reply to marcolisan

Recebi e-mail do Ministério da Agricultura: "Ácaro vermelho: trânsito de bananas de Roraima é liberado".
6:51 PM Aug 14th from web

Deu na Folha: impressões digitais confirmam que o sujeito que diz ser o Cabo Anselmo é o Cabo Anselmo. Enfim uma verdade nesta história..
3:07 PM Aug 15th from web

Manchete de página do Estadão, matéria sobre um filme: "Para dar conta da realidade do Peru". Título do filme "A teta assustada".
5:00 PM Aug 21st from web

"Segundo Sarney, 'não há como controlar' a internet'. Como assim? Ele processou blogueira do Amapá até por comentários feitos por leitores!
12:37 PM Sep 10th from web

RIO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
12:51 PM Oct 2nd from web

Três vascaínos - Lula, Cabral e Paes - e o Rio não foi vice!
1:08 PM Oct 2nd from web

@anaestela Comemorar e investigar não são opções excludentes, Ana Estela! Beijos.
1:20 PM Oct 2nd from web in reply to anaestela

Pelo que leio noTwitter parece que só no Rio há roubo em obras públicas. Em SP impera a honestidade. E Maluf não tem conta no exterior!
6:27 PM Oct 2nd from web

Angola: os caras lutaram contra Portugal, escalaram reforço cubano, fizeram uma revolução - e terminaram cantando Ilariê com a Xuxa!
8:19 PM Oct 10th from web

"Patrulhamento reforçado na cabine da PM que foi assaltada no Rio". É isso mesmo: PM reforça patrulhamento na cabine da PM.
3:08 PM Oct 14th from web

O Emerson, zagueiro do Botafogo, deve ser filho do Márcio Teodoro! Como entrega jogo!
1:50 PM Oct 22nd from web

O problema, presidente, não foi a aliança com Judas, mas os acordos com os vendilhões do templo.
10:20 AM Oct 27th from web

Tudo seria registrado em papeletas - amarelas, por exemplo.@gpoli Márcio Braga diz que doping positivo é válido desde que seja às claras.
about 6 hours ago from web

"OK, desde que vc suma de N.Y." - é justo. @lucianotrigo Carta do Gerald Thomas ao Woody Allen: "Por favor, Mr. Allen, não filme no Rio
about 5 hours ago from web


Prêmio Orilaxé

separador Por Fernando Molica em 19 de outubro de 2009 | Link | Comentários (0)

Depois de amanhã, dia 21, receberei, no Teatro Carlos Gomes, o Prêmio Orilaxé, categoria Jornalismo. Esta será a 10ª edição do prêmio, que é concedido pelo AfroReggae. Entre os premiados estão Dona Ivone Lara, Arlindo Cruz e o Secretário Nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri (lista completa aqui). Fiquei, claro, muito feliz ao saber que tinha sido escolhido, o AfroReggae exerce um papel fundamental na mediação de conflitos e no estímulo a atividades culturais, um protagonismo que acabou sendo reconhecido internacionalmente. Pena que, neste ano, a entrega do prêmio seja marcada pelo assassinato, na madrugada de domingo, do coordenador de projetos sociais do AfroReggae, Evandro João Silva.


Literatura e jornalismo

separador Por Fernando Molica em 19 de outubro de 2009 | Link | Comentários (0)

Na terça, dia 27, partiparei de uma das mesas da 13ª Jornada Nacional de Literatura, em Passo Fundo (detalhes aqui). O tema da conversa será 'Jornalismo, cinema e internet'. Na mesa estarão também Guilherme Fiuza, João Guilherme Estrella, Jorge Furtado, Ricardo Silvestrin e Sergio Leo.

Já que o jornalismo será um dos assuntos - e a jornada é sobre literatura - republico aqui um texto originalmente postado em abril. Nele, procuro tratar desta relação tão delicada, a produção jornalística e a literária. Aí ele de novo.

Leitores mais assíduos podem achar o blog meio esquizofrênico. Afinal, o espaço é emoldurado por livros, tem nome e design que remetem ao meu último romance - e, por aqui, pouco trato de literatura. Isso é mais ou menos proposital, nunca pensei em criar um espaço dedicado à discussão de livros. Ao contrário de outros colegas como o Sérgio Rodrigues e o Marcelo Moutinho, não me sinto muito à vontade para tratar do tema. A dupla militância - jornalista e escritor - já me criou suficientes questões. Creio que teria dificuldades para, por exemplo, resenhar livros. Prefiro marcar uma posição: em se tratando de literatura, sou ator, jogo como escritor, não como crítico.

O engraçado é que atividades aparentemente tão próximas como o jornalismo e a literatura são, na prática, muito distantes. Uma distância que, com o tempo, foi ficando ainda mais evidente para mim. Há talvez, grosso modo, uma separação básica: jornalistas buscam simplificar, traduzir, dar respostas. Escritores tendem a problematizar, a apresentar e aprofundar questões. O teclado que os (nos) une é o mesmo que nos separa. Nesta sempre inglória tarefa de hierarquizar e traduzir o mundo, nós, jornalistas, tendemos a rotular fatos, contextos e pessoas. Precisamos sempre creditar o entrevistado: médico, advogado, deputado, operário. Os que militam em mais de uma função nos causam problemas: advogado e músico, dentista e bailarino, paisagista e piloto de stock-car.

A duplicidade de funções incomoda, transtorna; complica a nossa função jornalística de tentar colocar ordem no caos que, a cada dia, se apresenta diante de nós. Tendemos a ser rígidos na hora de organizar macacos e seus respectivos galhos. Isso pode se voltar contra nós na hora em que, enfim vidraças, nos tornamos objeto de trabalho de outros jornalistas. Chega a ser curioso um movimento que talvez busque a união entre as duas personas. Cristiane Costa, autora de Pena de Aluguel (Companhia das Letras), livro que trata de jornalistas que escrevem ficção, ressalta que, a partir do início dos anos 80, "escritores que trabalham em jornal vão se afastar das editorias de hard news, como Política e Geral, e preferir as editorias de cultura, vinculando-se diretamente ao mundo intelectual e ao meio editorial".

Não foi o meu caso: cheguei a fazer muitas matérias para segundo cadernos, a escrever resenhas de livros, crítica de cinema e até de ópera (neste caso, uma vez só). Mas, há mais de uma década, sigo uma espécie de ortodoxia ligada à apuração, redação e edição de reportagens. Não deixa de ser curioso que meu primeiro livro - um romance - tenha sido gestado quando eu trabalhava como repórter de TV. Talvez a simplificação inerente ao veículo tenha radicalizado algumas importantes e necessárias contradições.

Nisso tudo há algumas certezas. A primeira delas é um lugar-comum: a vida é mais rica e contraditória que a ficção (Antonio Expedito Perera, personagem de meu livro jornalístico, O homem que morreu três vezes, me provou isso). A segunda está ligada à constatação anterior: a ficção ainda é a melhor alternativa para ao menos se buscar tatear contradições, angústias e possibilidades humanas. Neste ponto, o instrumental jornalístico se mostra quase sempre frágil e limitado. Seres humanos não costumam ter lide. Melhor: seus lides tendem a ser falsos, conversa pra jornalista dormir. Daí que coleguinhas como Gay Talese e Truman Capote se agarraram à bóia ficcional na hora de reportar aspectos menos evidentes de seus personagens de carne e osso. A dor da gente não sai no jornal, como diz o samba que tanto cito no Notícias do Mirandão.

Feita esta separação de métodos e, vá lá, objetivos, fica mais fácil vivenciar os universos do jornalismo e da ficção. Nunca exerci outra profissão, sou jornalista há quase 30 anos, gosto disso. E não vejo muita chance de migrar para funções em redação que, como disse a Cristiane, se vinculariam a atividades mais afins com a literatura. Com o tempo - meu primeiro livro é de 2002 - passei a achar que é até melhor assim. Sou jornalista e escritor como poderia, como tantos outros, ser médico e escritor, funcionário público e escritor, professor e escritor. Acho que isso não chega a ser tão complicado assim. Não busquei a literatura por suas semelhanças com o jornalismo, mas por suas diferenças.


Verdades cariocas

separador Por Fernando Molica em 13 de outubro de 2009 | Link | Comentários (4)

Mentiras_do_Rio.jpg

As resenhas e reportagens sobre Mentiras do Rio (Record), livro de estreia de Sergio Leo e que faturou o Prêmio Sesc de Literatura, não esquecem de citar que o autor é jornalista, carioca e mora em Brasília. É assim mesmo: nós, jornalistas, gostavamos de definir, enquadrar, delimitar campos. Não deixa de ser tentador o mote de classificar o livro de contos a partir da biografia do SL: um jornalista carioca exilado em Brasília teria um distanciamento suficiente para produzir algo crítico, que desconstruísse a imagem de um Rio encantado. Mentiras do Rio teria assim um título que resumiria esta desconstrução.

Mas as mentiras são outras. De cara, o livro tem muito pouco a ver com o SL jornalista. Esta talvez seja a primeira mentira ou armadilha que ele plantou. Se existe algum (argh!)determinismo biográfico no livro isso tem a ver com uma faceta menos conhecida do autor. O SL é também artista plástico - desenha, pinta e, se não me engano, andou se arriscando pela gravura.

Então, suspeito (e essa suspeita é útil apenas para a construção do comentário, para uma determinada leitura): o escritor Sergio Leo tem muito mais a ver com o artista plástico do que com o jornalista. As melhores histórias de Mentiras do Rio são como quadros que isolam alguns momentos e que dão ao observador a possibilidade de criar possíveis passados e futuros para os personagens. Atire o primeiro pincel quem nunca fez isso diante de O absinto, de Degas, ou das obras de Edward Hopper.

Há no livro diversos contos que incorporam esta lógica, que permitem ao leitor tornar-se cúmplice - do autor ou mesmo dos personagens - na busca do que veio antes e no que pode ter ocorrido depois. SL parece divertir-se com esse jogo - tanto que lança pistas falsas, caminhos tortos. Chega a abrir um conto ("Mentira"), com a frase: "Isso é falso." Nesta pantanosa faixa erguida entre tantas dúvidas desfilam personagens como velhos solitários, a putinha desamparada e o artista plástico que tenta, a partir do trabalho de um colega, criar uma obra que, de certa forma, questionaria a lógica desenhada e propagada por aquele primeiro autor. Daria certo? Respostas no livro.

Mentiras do Rio tem até uma espécie de conto-manifesto, "Iuygfln", uma história em que um estranho idioma surge num determinado terminal de computador, para fascínio e desespero de seu leitor solitário, que passa a viver em busca dos mistérios escondidos por trás de palavras aparentemente óbvias. É ali, naquele caos de consoantes e vogais, que ele descobre um outro jeito de ver/ler aquilo que o cerca. Até porque, no fim das contas, cada um de nós tem seu próprio idioma, sua maneira de ler o mundo; como uma pintura que varia dependendo da luz e dos olhos de quem a vê. Se a Verdade é inexistente por definição, cabe procurá-la e construí-la entre tantas possibilidades - o que inclui, claro, o recurso a algumas mentiras.


E por falar em mentiras: sempre soube que o Sergio Leo era cearense. Pelo visto, essa história de ter nascido do Rio não passa de outra armadilha do autor.


Um casamento cheio de fé

separador Por Fernando Molica em 10 de outubro de 2009 | Link | Comentários (0)

Espetacular definição - ecumênica, generosa e lírica - do amigo e parceiro Simas, alvinegro de fé:

Já escrevi em certa ocasião que somos os filhos do mais improvável dos casamentos, entre o meu compadre Exu e a Senhora Aparecida - a prova maior de que o amor funciona. E Tupã, que se vestiu com o cocar mais bonito para a ocasião, celebrou a cerimônia entre a cachaça e a água benta.

E mais:

Uma das nossas mãos está calejada pelo contato com a corda santa do Círio de Nazaré - a outra tem os calos gerados pelo couro do atabaque que evoca as entidades. As mãos do Brasil e do seu povo.


Quer mais? Vá lá no blog Histórias do Brasil.


Rio e São Paulo, por Renatinha

separador Por Fernando Molica em 04 de outubro de 2009 | Link | Comentários (3)

Andar no Rio de Janeiro, pela manhã, com essa luz, com esse sol, vendo o mar e essa paisagem deslumbrante chega a me dar raiva. esta cidade é uma aberração. Não há como fazer jus a este cenário. Ninguém aguenta a responsabilidade de viver num lugar tão lindo. Em São Paulo, você pode ser infeliz à vontade. A sua miséria se junta à miséria da cidade e vira tudo uma coisa só. Vive-se com mais naturalidade. São Paulo deixa você ser quem você é. O Rio é uma cidade para semideuses.

Renata, paulistana protagonista de Hotel Novo Mundo, romance de Ivana Arruda Leite, paulista de Araçatuba.


Rio

separador Por Fernando Molica em 02 de outubro de 2009 | Link | Comentários (5)

Faz tempo, muito tempo. Estava no Rio Grande do Sul e fui questionado por um colega gaúcho. Bomba de chimarrão em punho, ele acusou o Rio - não é exagero usar o verbo acusar - de não ter personalidade. De ser algo meio assim despersonalizado, sem cultura própria.

Tentei explicar para o sujeito que, pelo contrário, nossa lógica era outra. O melhor do Rio é a capacidade que temos de absorver e processar diferentes culturas. Tem a ver com o porto, com o fato de a cidade ter sido capital. O Rio aprendeu a se misturar: foi dessa mistura que saiu o que chamamos de música brasileira, fruto da interação entre pobres e ricos, negros e brancos. Do encontro virtual entre Cartola e Noel (branco, estudante de medicina). Essa mistura, produziu algo novo, diferente, específico e não excludente. Nossas escolas de samba cresceram porque foram incorporadas à lógica da cidade, não se tornaram guetos.

No Rio aprendemos a conviver com estrangeiros, a incorporá-los: Ruy Castro ensinou como judeus fugidos da Europa ajudaram a criar uma Ipanema libertária. Com meu pai - mineiro - aprendi que o Rio é generoso com quem vem de fora, de outros estados (os Quatro Mineiros - Paulo Mendes Campos, Sabino, Pelegrino e Otto Lara - se tornaram mais mineiros no Rio. E, por isso, se tornaram também cariocas). De alguma forma, o Rio sintetizou uma idéia de Brasil, virou referência, ponto em comum entre oiapoques e chuís.

Não adiantou muito: metido em bombachas virtuais, o cara insistia: falta de personalidade. Eu tentei conciliar: disse que o avanço das contradições, da violência e mesmo da barbárie ameaçava o que tínhamos de melhor, a tal capacidade de trabalhar tantas e tantas culturas. O que temia - e o temo - é o isolamento, não a mistura. Bem, o sujeito não se convenceu, o problema é dele.

Tudo isso é pra dizer que torço muito para que o Rio, coração-do-meu-Brasil, saia vitorioso na disputa pelo direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Apanhamos muito nos últimos 50 anos. Deixamos de ser a capital, fomos fundidos na ditadura. Perdemos, perdemos. Chegou a hora de recuperarmos, de faturarmos alguma recompensa. Vai ser bom pra todos, todos que somos cariocas - segundo o último censo, quase 200 milhões de brasileiros.


BG
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