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Pontos de Partida, o Blog do Fernando Molica

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agosto 2009 Archives

O humor é vermelho

separador Por Fernando Molica em 31 de agosto de 2009 | Link | Comentários (1)

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Nesta terça, dia 1º, a partir das 19h, será lançada na Livraria da Travessa do Leblon a coletânea de contos Humor vermelho. Organizado pela jornalista Isabella Sales (apresentadora do programa "Hora do Blush", da rádio Sulamérica Paradiso), o livro reúne 22 histórias. Entre os autores estão Antonio Pedro Tabet (o Kibe Loco), Fernando Caruso, Leo Jaime, Wladmir Weltman, Alexandre Plosk, Murilo Ribeiro e Bárbara Pereira - autora, desde já, do meu conto favorito, "O sonho da habilitação própria". A Travessa fica no Shopping Leblon, Av. Afrânio de Melo Franco, 290/ loja 205-A/ segundo piso.


O santo ofício da crônica esportiva

separador Por Fernando Molica em 28 de agosto de 2009 | Link | Comentários (1)

Lá vou eu de novo falar de futebol. É que fiquei assustado, durante a semana, com sucessivos apelos à confissão dirigidos ao André Lima, o atacante alvinegro que, domingo passado, fez um gol com a mão no jogo contra o Corinthians. O jogo foi marcado por outros erros da arbitragem, que, em pelo menos três ocasiões, favoreceu o time paulista de forma escandalosa. Mas, no fim das contas, o que sobrou foi o pecaminoso gol com a mão. La mano de Dios de Maradona virou mão do capeta.

Nos últimos dias, jornais e programas de TV fizeram um cerco ao atacante do Botafogo: ele tinha que confessar a irregularidade, dar seu testemunho, ajoelhar no milho, pagar penitência. O cara acabou admitindo o gol com a mão, até porque seria impossível negá-lo. E o registro de seu testemunho - "Mea culpa! Mea culpa!" -, gravado, ao que parece, por uma câmera de celular, foi transmitido num programa esportivo como se fosse um documento histórico, algo tão relevante que merecia ir ao ar apesar da evidente falta de qualidade das imagens.

Li até que o sujeito está ameaçado pela tal justiça esportiva, pode ser suspenso, ficar de castigo, passar uma temporada no purgatório, sei lá. E olha que os agentes deste santo ofício esportivo não apontam também suas canetas e microfones para o Jorge Henrique, o atacante corintiano que simulou um pênalti de maneira acintosa, desabou na área sem que ninguém o tocasse. De acordo com nossos torquemadas, fazer gol com a mão deve ser pecado mortal; cavar pênalti, venial. Em breve, teremos padres e pastores nas cabines de transmissão, julgarão comportamentos, emitirão sentenças, gritarão para as arquibancadas: "Vai para a fogueira ou não vai?"

A imprensa, de um modo geral, tende ao udenismo (trabalhamos na lógica da ordem, da legalidade). Mas a imprensa esportiva costuma ser ainda mais radical em matéria de conservadorismo. As páginas esportivas são as únicas nos jornais onde sobrevive a palavra esposa. Homens da política, das artes, do meio empresarial têm mulheres; jogadores de futebol têm esposas. Como se esta palavra emprestasse um pouco mais de dignidade às jovens senhoras que arrastam os craques para o altar.

E, agora, alguns de meus colegas resolveram que jogador de futebol não pode infringir as regras dentro de campo. Não pode fazer gol com a mão, não pode cometer falta, não pode, não pode, não pode. É claro que não pode - é para isso, para coibir, para garantir a ordem, que juízes e bandeirinhas estão em campo. Eles é que devem se preocupar com a repressão à ilegalidade. São treinados e pagos para isso. A vigilância faz parte do jogo, assim como a tentativa de se burlar o controle. Gato e rato, Tom e Jerry - por aí.

Ao dar um soco na bola, o André Lima se arriscou a ser expulso de campo, não foi. O mesmo risco em que se colocou o Jorge Henrique ao cair na área como uma soprano em ato final de ópera. As tentativas foram bem sucedidas - o juiz e os bandeirinhas não viram a ilegalidade no gol alvinegro e caíram na encenação do corintiano. Pronto, acabou. Que o juiz seja afastado, punido, o escambau. Mas não exaltemos uma lógica persecutória, nada de sair por aí brandindo vídeo-tapes, tira-teimas, provas irrefutáveis. Nada de pedir punição aos jogadores que driblaram o controle da arbitragem, descartemos a cobrança para que eles se imolem, se flagelem. Daqui a pouco será pedido aos atletas que apitem as faltas que cometerem, apontem o dedo em sua própria direção ("Cavei o pênalti!", "Chutei o saco do atacante!", "Enfiei o dedo no rabo do zagueiro na hora do escanteio!").

Futebol, e perdão por insistir no óbvio, é um jogo, uma atividade lúdica que se desenvolve em um determinado espaço e que é submetida a regras previamente acordadas. Respeitemos esta lógica e seus mecanismos de controle. Até porque a cobrança feroz em relação a gestos dentro de campo costuma dar lugar a uma excessiva tolerância com atitudes cometidas por jogadores fora das tais quatro linhas. Na prática, o Edmundo acabou socialmente anistiado pelas mortes que causou naquele acidente da Lagoa. O processo se arrasta num tribunal superior - se não me engano, ele apresentou uns sete recursos - e ele anda por aí, solto e impune, atração de camarotes no Carnaval e de revistas de personalidades.


Pais, filhos - nunca fomos tão felizes

separador Por Fernando Molica em 25 de agosto de 2009 | Link | Comentários (0)

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Pela quantidade de visitantes que o blog recebeu entre domingo e ontem, eu deveria voltar a falar do Botafogo e de sacanagens cometidas por árbitros (e por bandeirinhas, não esqueçamos!). Mas parto para outra seara. É que, na noite de segunda, revi, em DVD, o Nunca fomos fomos tão felizes, filme de Murilo Salles lançado em 1984, há 25 anos anos. Foi naquela época que eu o assisti pela primeira vez, lembro que fiquei muito impactado. A imagem do jovem (Roberto Bataglin) tateando uma guitarra em uma sala imensa de um apartamento vazio nunca me saiu da memória. Estávamos nos estertores do período militar, na ressaca da derrota das Diretas Já. Havia uma lógica de bem contra o mal, pouco espaço para a sutileza, para a gradação. O mundo era muito claro: de um lado os gorilas golpistas e torturadores; de outro, a esquerda anistiada e heróica, que lutara contra a ditadura. Ali os vendilhões da pátria, lacaios do capitalismo, retrógados que sequer nos deixavam votar para presidente; aqui, os filhos que não fugiram à luta.

Nunca fomos... não entra da discussão do bem contra o mal, ainda que deixe transpirar uma simpatia - ou mesmo uma certa cumplicidade - pelos que se engajaram na tentativa um tanto quanto atabalhoada de promover a luta armada para derrubar a ditadura e implantar o socialismo pela via revolucionária. Mas esta explícita luta política é apenas o contexto dramático de uma outra história, mais importante e incômoda, uma questão fundamental e permanente. O filme é sobre um encontro impossível, o de um pai guerrilheiro com o filho, um adolescente órfão de mãe que fora criado num colégio de padres.

A linha condutora do filme é muito simples: o pai (cujo nome desconhecemos e continuaremos a ignorar, é apenas o Pai), vai buscar o filho no tal colégio interno. No Rio, num apartamento vazio de frente para o mar, o filho (seu nome só nos será revelado no fim) descobre que não viveria ao lado daquele que o resgatara. O pai - por questões que ele omite - é obrigado a se esconder, a tocar sua vida de forma clandestina. Isso pode parecer meio sem sentido, como um pai colocaria um filho naquela roubada? Mas o sentido vai sendo construído aos poucos. Um sentido gerado pela necessidade e, mesmo, impossibilidade daqueles encontros. Necessidade e impossibilidade; o amor e a violência, que, volta e meia, marcam encontros entre pais e filhos.

O pai do filme (Cláudio Marzo), talvez (sim, talvez, nada é muito definitivo em Nunca fomos...) imaginasse estar perto da morte. Precisava então reencontrar o filho, mantido isolado na escola havia oito anos. O filho, por menos que soubesse, acostumado que estava ao internato, queria muito encontrar o pai. A descoberta, pelo filho, desta necessidade, me fez lembrar uma música, DNA, do José Miguel Wisnik. Música autobiográfica, em que ele narra o encontro tardio com uma filha nascida de um namoro. Lembrei-me deste trecho em particular:

E ali em frente a mim você me disse,
Que a falta que eu nunca te fiz então se fez


Ao reencontrar o pai - de quem não tinha sequer uma foto -, o filho percebeu a falta que tanto ele lhe fizera. E, de forma tão desastrada quanto a guerrilha tocada pelo pai e seus companheiros, o jovem passa a tentar construir uma relação a partir de fiapos, de pequenas e falsas pistas. Quem era aquele homem tão misterioso, quem era a mulher dona daquele apartamento em que ele havia sido confinado? Quem era ele mesmo, afinal? Aos trancos e barrancos, adora o pai pelo avesso, o desobedece: leva uma puta para o apartamento, desperdiça o dinheiro sagrado da guerrilha. Valia tudo para chamar a atenção daquele pai, prendê-lo em casa, mantê-lo a seu lado.

O filme me fez lembrar de uma amiga recente, filha de um dos próceres da guerrilha, um homem admirado por toda a esquerda. Um homem cuja militância transformou a vida da mulher e da filha em um inferno. Ao engajar-se na luta armada, ele buscou saciar a fome de milhões de criancinhas. Nem que para isso sua filha tivesse que passar pelo sufoco da comida racionada. Ossos do ofício, a Revolução obrigava. Um dia, ela entenderia - esse dia ainda não chegou. Acho que ela deveria ver o filme.

Lembrei também de Cristina Perera, filha de Antônio Expedito Carvalho Perera, o errático personagem de meu livro O homem que morreu três vezes. Em 1971, aos 13 anos, ela se despediu do pai, que iria embarcar para o exílio, era um dos 70 presos trocados pela libertação de um embaixador seqüestrado oor guerrilheiros. Ela nunca mais veria o pai - em 2002, encontraria seu túmulo numa cidadezinha da Itália. Na ocasião, ela me diria (eu então gravava uma reportagem para o 'Fantástico'): "Foi um encontro. Eu encontrei a história, encontrei o final." Naquele momento, a filha abandonada se reencontrava com o pai e equacionava suas mágoas.

Nunca fomos... consegue expor, com uma delicadeza brutal, nuances dessa dificuldade de encontros. Revela um encontro que, patético e surpreendente como o de Cristina diante da sepultura do pai, se realiza no fim da história. Um encontro imprevisível, estranho e doloroso. Como ocorrera em 1994, fiquei muito comovido ao rever o filme. Afinal, filho e pai que sou, continuo tateando guitarras imaginárias e insisto na busca de novos e melhores encontros, por mais impossíveis que, volta e meia, eles pareçam ser.
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Juízes artilheiros

separador Por Fernando Molica em 23 de agosto de 2009 | Link | Comentários (11)

Claro que é uma estupidez achar que, diante de tantas e tantas roubalheiras, o futebol poderia ser honesto no Brasil. Honesto assim, de forma irrevogável. Mas, caramba, os caras não precisariam exagerar, roubar tanto. A decadência do futebol carioca se expressa também em arbitragens escandalosas, principalmente as que ocorrem a favor de times paulistas. O que se faz no Rio para se favorecer o Flamengo se comete, no Brasileirão, a favor das equipes de São Paulo.

O Corinthians acaba de fazer seu terceiro gol contra o Botafogo - o segundo gol ilegal. O pênalti não existiu, assim como não houve a falta que gerou o segundo gol do time paulista. Ah, o André Lima fez um gol com a mão, uma jogada difícil de ser percebida até mesmo pela TV. Mas, OK, foi com a mão. Mesmo assim, são dois gols ilegais validados para o Corinthians contra um a favor do Botafogo. Isso sem falar que, no primeiro tempo, a arbitragem marcou impedimento de um ataque absolutamente legal do Botafogo. Um ataque que possibilitaria imensas possibilidades de gol.

No sábado passado, também em São Paulo, o juiz deixou de marcar um pênalti claríssimo a favor do Botafogo, que vencia o Palmeiras por 1 a 0. Uma semana antes, aqui no Engenhão, a arbitragem anulou um gol legítimo do Botafogo e validou um gol irregular do Atlético Paranaense. Esta derrota custou o emprego do então técnico alvinegro.

Bem, o Botafogo acaba de, mais uma vez, empatar o jogo. Um jogo que deveria estar vencendo. Vamos ver o que o juiz apronta até o fim da partida.

Tanta indignação parece besteira num país marcado por incontáveis escândalos, maracutaias (alguém aí lembra da palavra?) que tanto contribuem para o agravamento dos nossos problemas. Mas é que futebol - exatamente por ser um jogo - atua de forma direta no campo do simbólico. O roubo em campo ajuda a consolidar a idéia de que a bandalheira por aqui é inevitável, que é besteira esperar por justiça, que o negócio é partirmos todos para a sacanagem.


Jornalismo a R$ 15

separador Por Fernando Molica em 20 de agosto de 2009 | Link | Comentários (6)

Ontem recebi, no meu e-mail de "O Dia" um spam intitulado "Cursos em diversas áreas do jornalismo a R$15, cada, no Rio". O texto do e-mail é o seguinte:

A próxima edição dos cursos expressos de jornalismo no Rio será dia 29 de agosto, sábado, com os temas 'Jornalismo Cultural', 'Jornalismo Empresarial' e 'Assessoria de Imprensa'. Cada um tem duração média de três horas e investimento de R$15, já incluso mini-apostila, certificado e caneta. Com objetivo de ser totalmente interativo, as aulas serão mescladas com conteúdos teóricos, práticos e vivenciais. Nelas, os participantes ao ouvirem, praticarão simultaneamente o que foi passado, possibilitando um aprendizado 100% proveitoso.

Achei curioso um curso de três horas prometer um "aprendizado 100% proveitoso" de temas razoavelmente complexos. Repare, eles falam em cursos, não em palestras. A exigência do curso superior específico para o exercício do jornalismo foi derrubada, a formação é livre. Mas, caramba, cursos de três horas de duração... Fui até o site da empresa - trata-se de uma assessoria de imprensa - e vi que ela oferece outras opções de especialização em jornalismo e que também vende apostilas sobre os mais variados aspectos da profissão. Confesso que fiquei surpreso: jornalismo não chega ser algo como física nuclear, mas exercê-lo exige um certo aprendizado - e aí não me refiro apenas aos cursos específicos. Fiz meus quatro anos de faculdade de Comunicação, tenho 28 anos de estrada, e continuo aprendendo. Sou coordenador de um curso de Jornalismo Investigativo, uma pós-gradução de 432 horas-aula, e sei como é complicado - e mesmo caro - oferecer um ensino de qualidade.

Bem, registrei minha surpresa no twitter, onde coloquei o seguinte post, acompanhado do endereço da página da assessoria:

Jornalismo a R$ 15! Com direito a mini-apostila, certificado e brinde!

Umas poucas pessoas fizeram comentários; eu despachei mais duas mensagens, uma sobre as apostilas a R$ 25 e uma outra, a respeito de um outro curso por eles oferecido, Técnicas de Entrevista, Reportagem e Redação - 4 horas-aula, R$ 60. E parei por aí. Repare: não fiz qualquer comentário sobre os cursos, nem sobre seus responsáveis, não usei adjetivos. Limitei-me a expor o que os donos da empresa divulgavam em e-mails e em sua página. Mas eis que hoje recebo um e-mail indignado de um dos responsáveis pelos cursos. O colega, apesar da gentileza de me chamar de "rapaz" - tenho 48 anos! -, afirma que eu desprezei e menosprezei o trabalho deles. Mais, que fiz "ofensas preconceituosas, infundadas e aleatórias". Caramba, não fiz nada disso, não emiti qualquer juízo de valor. Apenas registrei seus cursos e, de certa forma, meu espanto - usei dois pontos de exclamação no primeiro post, mas foi só isso. Não consigo ver qualquer ofensa nas minhas curtas frases no twitter.

Bem, em nome do bom jornalismo, reproduzo aqui o e-mail que recebi.

Prezado,

Solange Ramos, quem fundou e dirige os trabalhos da RioPress está copiada neste e-mail. Porém, falo por mim, professor e um dos coordenadores dos cursos da Assessoria, que você parece desconhecer.

Boa noite. Acabo de acessar o seu twitter, pois você é um dos profissionais de comunicação que admiro pela postura, conduta e performance no ar.

No entanto, acabo de te escrever via seu blog, mas só agora notei que há este e-mail para contato.

Fiquei profundamente triste ao ler sobre a RioPress Assessoria de Imprensa em seu twitter, neste link: http://twitter.com/fabio_seixas (e também no seu, Fernando Molica), que imagino ser assinado por você mesmo.

Oferecemos cursos a baixo custo para atender a uma fatia da comunidade que não pode pagar milhares de reais por palestras em outras empresas renomados e para atender a aqueles que visam recolocação no mercado ou ainda já pagam caro em suas respectivas faculdades.

Notei que você tem um currículo invejável, e assim como eu, usufrui da internet para trabalhar, divulgar-se, aprender, interagir com demais profissionais da área e dezenas de fins profissionais ou não.

Você, rapaz inteligente e de educação no ar, sabe que todo e qualquer estudo perde o sentido a partir do momento que você o despreza ou menospreza. E para a minha surpresa foi o que você fez. Suponho que não conheça de perto o nosos trabalho, muito menos os integrantes da RioPress, pois parece que você desconhece nossos objetivos.

Figuras tais como: Everson Passos, âncora da rádio Eldorado, Ana Carla Portella, diretora do documentário do Telê Santana, e outras personalidades reconhecidas no meio passaram e passam semanalmente pela RioPress.

Não quero te censurar, te corrigir, ou pedir para você retirar suas ofensas preconceituosas, infundadas e aleatórias ao nosso humilde trabalho. Você é experiente, mais que eu, para saber que a internet é isso mesmo, não me surpreendo com suas palavras em relação a RioPress, mas me frustrei pelo autor das mesmas.

Meu caro, preparamos aulas nas madrugadas, pois também atuamos na área diariamente. Não somos enganadores, muito menos aproveitadores do bolso das pessoas. Entendo que aproveitador é aquela universidade que cobra R 1.500,00 de mensalidade para ensinar o óbvio, o desnecessário e o supérfluo na comunicação.

Espero que você mude de idéia ao nosso respeito, em especial ao nosso respeito, convido-o aqui para participar gratuitamente de nossos cursos oferecidos em SP ou no RJ, de acordo com a sua agenda ou para até mesmo conhecer nosso trabalho pela RioPress ou em outras empresas.

Além de formado em comunicação, atuo como apresentador na allTV, comentarista esportivo na 106,9 FM e assessor no Fórum da Comunicação de SP e ministro aulas e palestras em faculdades como a Anhembi Morumbi e RioPress. E quer saber? Sabe a diferença das aulas para o aluno da Belas Artes ou Rio Press? Nenhuma, pois não me contamino e não discrimino ninguém, independendo de quanto a pessoa se dispõe a pagar pelo conhecimento. Aliás, viu a nova do jornal concorrente ao seu? "Quer pagar quanto pelo conhecimento?" Pois é, o Estadão está com essa campanha na tv.

Enfim, espero que absorva essas minhas palavras com respeito ao menos, pois a admiração que tinha por você já não é mais a mesma, infelizmente. Estou frustrado.
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Sincero abraço,
Moacyr Victor Minerbo.


SPAMS

separador Por Fernando Molica em 16 de agosto de 2009 | Link | Comentários (2)

Li outro dia que o Yahoo lançou uma campanha para que se cobre dos internautas o equivalente a um centavo por e-mail enviado. Isto, para combater os spams. Apoiado, apoiado! Há muito defendo esta idéia. Besteira? Hoje, domingo, resolvi contar os spams enviados para meu e-mail da coluna, lá para o Informe do Dia. Foram 140 e-mails/spams - isto, do início da madrugada de sábado para o fim da manhã de domingo. Todo o dia é esse inferno, perco boa parte do meu tempo deletando e-mails. A cobrança deve ao menos diminuir ofertas para que eu: 1. aumente meu pênis; 2. ganhe uma grana numa jogada espetacular na Nigéria; 3. compre Viagra a preço de banana; 4. veja fotos de supostas orgias de que teria participado.


Overdose de Sarney

separador Por Fernando Molica em 13 de agosto de 2009 | Link | Comentários (8)

Para quem acha que um Sarney já é demais. Na noite de 14 de março de 1985, fui a um cinema para ver uma sessão da Mostra Glauber Rocha, que rolava aqui no Rio. Do programa fazia parte o curta "Maranhão 66", que mostrava a posse de José Sarney no governo do Maranhão.

No dia seguinte, acordei cedo e liguei a TV para acompanhar a posse de Tancredo Neves na Presidência da República. A primeira imagem que surgiu foi a do então governador Leonel Brizola embarcando para Brasília - não entendi nada, o sujeito tinha afirmado que não iria à posse. Corte: um carro preto, fechado, cruza a Esplanada dos Ministérios. Uai, o Tancredo não iria em carro aberto? Dentro do veículo - o locutor informou - ia José Sarney, vice-presidente eleito, pronto para ser empossado... na Presidência! Outro corte: um repórter em frente a um hospital fala algo sobre uma cirurgia a que Tancredo havia sido submetido. Comecei a ficar em pânico, aquilo não podia estar acontecendo. Devia ser coisa do Glauber ou efeito do Churrasco à Tancredo (com tutu e couve - eu era jovem!) que eu comera, no Aurora, depois do cinema.

Apavorado, peguei o telefone e liguei para o Antônio Cunha, então chefe de reportagem da sucursal-Rio do "Estadão", onde eu trabalhava (sim, eu já trabalhava naquela época - vale lembrar que o Estatuto da Criança e do Adolescente não havia sido criado). O queridíssimo Cunhão me acalmou, disse que Tancredo tivera uma diverticulite, fora operado e que, em poucos dias, assumiria a Presidência. Eu nunca ouvira falar em diverticulite, mas achei que dava para ficar calmo.

Voltei à TV, ao carro preto e ao Sarney, prestes a ser empossado, prontinho para receber a faixa presidencial (que sequer lhe seria entregue pelo seu antecessor: o general João Baptista de Oliveira Figueiredo. O inesquecível último presidente militar sairia do Planalto pelos fundos - ô metáfora! - para não encarar o ex-aliado que virara inimigo. O bigodudo já então sabia muito bem a hora de mudar de rumo). E tome de Sarney no Congresso, de Sarney no palácio. Um cerco, uma sucessão de golpes: em menos de doze horas, eu acompanhava uma segunda posse de Sarney - uma em São Luís, outra em Brasília. Glauber não teria imaginado uma montagem mais absurda e cruel.


O poder dos jornalistas

separador Por Fernando Molica em 12 de agosto de 2009 | Link | Comentários (4)

Palavras de MM, um jornalista já veterano, para seu filho Ricardo Menezes, personagem principal de O ponto da partida.

"Fazer jornal, meu filho, é brincar um pouco de ser Deus. A gente é que decide o que é importante. Só é importante o que sai no jornal. Não adiantava Deus fazer e acontecer, criar o dia e a noite, o macho e a fêmea, as estrelas, o Himalaia, o Garrincha, o cacete a quatro: se não saísse no jornal, ninguém ficaria sabendo. Por isso, Ele também criou a Bíblia, o jornal Dele. A Bíblia é igualzinha a um jornal, é cheia de boas histórias, a maioria, difícil de ser checada. Há alguns exageros, umas forçadas de barra, umas cascatas, um certo culto à personalidade: tudo como num jornal. Mas tá cheia de notícias. Uma boa quantidade de repórteres, correspondentes no mundo inteiro, jornalistas com acesso a fontes privilegiadas. E que comentaristas - retumbantes, proféticos! O tal do Moisés era uma espécie de repórter especial. O sujeito entrevista Deus em on, veja só! Deus dava entrevista pra Moisés on the record, não pedia off. Imagina, Deus chegando pro repórter e dizendo: 'Pode publicar que fui Eu que disse'.


Os de Laranjeiras

separador Por Fernando Molica em 06 de agosto de 2009 | Link | Comentários (1)

Outra dica de agenda: os amigos Marcelo Moutinho, Flávio Izhaki e Ondjaki participam, neste sábado, às 17h, de debate promovido pela Livraria Moviola (Rua das Laranjeiras, 280 - Lojas B e C). O debate será mediado pelo jornalista Miguel Conde. Curiosidade: os quatro moram em Laranjeiras.


Contos de Giusti

separador Por Fernando Molica em 04 de agosto de 2009 | Link | Comentários (0)

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Por falar em lançamentos: nesta quinta, dia 6, a partir das 19h, André Giusti autografa seu novo livro de contos, "A liberdade é amarela e conversível". Será no Bar Belmonte do Jardim Botânico (Rua Jardim Botânico, 617).


Ivana e o Novo Mundo

separador Por Fernando Molica em 03 de agosto de 2009 | Link | Comentários (0)

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Amanhã, a partir das 20h, na Travessa de Ipanema, haverá o lançamento do primeiro romance - "Hotel Novo Mundo", Editora 34 - da ótima Ivana Arruda Leite. Há uns seis anos, numa Bienal do Rio, mediei um encontro da Ivana com a Cintia Moscovich. Elas foram engraçadíssimas - e eu ainda faturei um capilé pelo trabalho. A Ivana tem excelentes contos; curtos, afiadíssimos. Vai ser interessante conferir sua estréia na narrativa longa.


BG
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