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Simpatia para o modem

separador Por Fernando Molica em 03 de novembro de 2008 | Link | Comentários (1)

Pode ser implicância, vá lá. Mas tendo a ver com desconfiança o entusiasmo com que são recebidos esses brinquedinhos eletrônicos que volta e meia são desembarcados no mercado. Gosto de esperar um pouco, prefeiro aguardar que as novidades se consolidem, deixem de ser novidades. Depois, decido se compro a geringonça.

A vida ficou muito complicada. Lembro que, no ano passado, na Flip, o argentino César Aira disse algo bem interessante. Ressaltou que, até essa nossa geração, os segredos das máquinas podiam ser descobertos com sua desmontagem. Ou seja, um bom mecânico desmontaria um fusca e entenderia tudo o que se escondia por trás daquelas peças. Isso valia também para geladeiras, aviões. O mundo vivia numa lógica mecânica.

Com a informática, tudo mudou: desmonte um computador e tente descobrir - mais, tente ver - onde estão os programas, os textos, as planilhas, as ilustrações, o google. Nós sabemos que tudo está ali, programado, mas nada é visível. Isso também serve para carros (cadê ocarburador?), geladeiras e aviões. Como diria a Glória Maria, é tudo meio mágico.

No meio de toda essa magia, me divirto um pouco com uma certa babaquice tecnológica que busca, de forma ansiosa, consumir qualquer novidade. Outro dia li que o tal do I-Phone tem excelente desempenho, faz um cacetal de coisas - mas é meio assim-assim como telefone. Pois.

Bem, tudo é pra dizer que, outro dia, liguei pra Net, fui reclamar de uma falha na minha conexão. A moça deu o diagnóstico: o problema é que o modem aqui de casa estava ligado, havia, creio, 42 dias. E daí? - perguntei. Esse negócio é pra ficar ligado mesmo, né? Nada disso: segundo a moça, é bom tirar o modem da tomada por uns 10/15 segundos a cada semana, ou a cada quinzena. Mas por que? - insisti. Ela não sabia. Segundo ela, ninguém sabia a razão do chilique cibernético do modem.

De uma certa forma, me senti vingado. Aquele aparelhinho todo cheio de sacanagem, que me conecta com o mundo, é carente de uma macumbinha (com todo o respeito), uma simpatia, um jeitinho. Ela não disse, mas talvez o negócio funcione melhor se eu der três pulinhos gritando "skavurzka".


1 Comentários Enviados

Fernando,vivi isso quando pela primeira vez usei um aparelho videocassete, em cuja fita não se via nada. Introduzia-a no aparelho todo fechado e continuava sem ver nada o que para mim era tudo muito estranho, pois estava acostumado a lidar com projetor de cinema, cujo funcionamento mecânico é bem manuseado e o filme tem seus fotogramas visíveis. Depois, tudo ficou digital, aí é que não se ver mais nada.Por isso no meu blog - FETICHE DE CINÉFILO - relato como tudo foi ficando cada vez mais automático, ou seria mágico. Um abraço,Armando (posto também no blog: www.lygiaprudente.blogspot.com )

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