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Pontos de Partida, o Blog do Fernando Molica

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novembro 2008 Archives

Nobel

separador Por Fernando Molica em 29 de novembro de 2008 | Link | Comentários (2)

Acabo de descobrir que um exemplar do "Bandeira negra, amor" (Objetiva, 2005) passou a fazer parte, em agosto passado, do acervo da Biblioteca Nobel. Segundo o site da instituição - http://www.nobelbiblioteket.se/ - a biblioteca tem a função de dar assistência à Academia Sueca nas avaliações necessárias ao Prêmio Nobel de Literatura. Uau!


Primeiríssima Estação

separador Por Fernando Molica em 26 de novembro de 2008 | Link | Comentários (1)

mangueira.jpg

Sou a cara do povo...Mangueira
Eterna paixão
A voz do samba é verde-e-rosa
E nem cabe explicação

O samba da Mangueira para 2009 é belíssimo, emocionante, tem a cara da Estação Primeira, evoca a história do samba, a idéia de um Brasil utópico, meio populista, meio inatingível. Mas é bonito pacas, Darcy Ribeiro, o inspirador do enredo, aprovaria, aplaudiria. Ouça aqui (não é a gravação oficial), a letra segue abaixo.

A Mangueira traz os Brasis do Brasil mostrando a formação do povo brasileiro

Compositores: Lequinho, Jr. Fionda, Gilson Bernini e Gustavo Clarão

Deus me fez assim filho desse chão
Sou povo, sou raça...miscigenação
Mangueira viaja nos Brasis dessa nação
O branco aqui chegou
No paraíso de encantou
Ao ver tanta beleza no lugar,
Quanta riqueza pra explorar
Índio valente guerreiro
Não se deixou escravizar...lutou
E um laço de união surgiu
O negro mesmo entregue a própria sorte
Trabalhou com braço forte
Na construção do meu Brasil
É sangue, é suor e religião
Mistura de raças num só coração
Um elo de amor à minha bandeira
Canta a Estação Primeira

Cada lágrima que já rolou
Fertilizou a esperança
Da nossa gente, valeu a pena
De norte a sul desse país
Tantos Brasis, sagrado celeiro
Crioulo, caboclo, retrato mestiço
De fato, sou Brasileiro!
Sertanejo, caipira, matuto...sonhador
Abraço o meu irmão
Pra reviver a nossa história
Deixar guardado na memória...o seu valor

Sou a cara do povo...Mangueira
Eterna paixão
A voz do samba é verde-e-rosa
E nem cabe explicação.


Curtinhas - porque hoje é domingo

separador Por Fernando Molica em 23 de novembro de 2008 | Link | Comentários (0)

. Nosso presidente continua derrapando nos seus improvisos - e ninguém parece dar muita bola pra isso. A última foi na quinta-feira, no Dia Nacional da Consciência Negra. Animado, Lula disse que o Brasil criou "uma raça de perfeição extraordinária". A intenção foi boa, mas a frase é terrível. Acho que só Hitler e seus seguidores - com outros e terríveis propósitos, é bom frisar - falariam uma besteira como essa.

. Por falar nisso. Quem é contra as cotas para negros em universidades costuma usar um argumento bem respeitável: o correto é melhorar a qualidade do ensino público. Também acho, mas, vem cá: as cotas começaram a ser implantadas há cinco anos, alguém acha que o ensino público melhorou desde então? Não tem jeito, a suposta injustiça das cotas - um sistema imperfeito, admito - é ainda a única forma de se tentar corrigir uma outra injustiça, muito mais grave.

. Pauta para os colegas, especialmente para o pessoal da "Lide", a revista do Sindicato dos Jornalistas do Rio. O Aydano André Motta, amigo e concorrente (trabalha no "Globo", na coluna do Ancelmo Góis), merece uma reportagem intitulada "E ele ainda ganha pra isso...". O sujeito é o organizador do concurso que elege a mais bela entre as mulatas das escolas de samba cariocas. Recebe as moças no jornal, orienta fotos e filmagens e ainda posa com elas.


TV Senado - ERRATA

separador Por Fernando Molica em 18 de novembro de 2008 | Link | Comentários (0)

Caramba, agora é que descobri que a informação anterior estava errada. A minha entrevista ao Maurício Melo Junior, do programa "Leituras", vai ao ar domingo, às 8h e às 20h30. Aos sábados, às 9h30 e às 20h, a TV Senado reprisa o programa exibido no domingo anterior. Aqui no Rio, a TV Senado fica ali no canal 8 da NET.

A TV Senado também pode ser sintonizada nos canais UHF 51, em Brasília (DF); 36, no Gama (DF); 40, em João Pessoa (PB); 43, em Fortaleza (CE); 52, em Natal (RN); 53, em Salvador (BA); 55, em Recife (PE); e 57, em Manaus (AM). Pelos canais de assinatura 7, da Net Brasília; 17, da Tecsat; 118, da Sky; e 217, da Direct TV. Pode também ser acompanhada ao vivo pelo site www.senado.gov.br/tv.


Dedadas em vão

separador Por Fernando Molica em 16 de novembro de 2008 | Link | Comentários (1)

Parece até brincadeira: acabo de ler nos jornais que o Inca, Instituto Nacional de Câncer, desaconselha a realização, de forma rotineira, do exame de toque retal. O tal exame, diz um comunicado oficial, só deve ser feito por recomendação médica, a partir de determinados sintomas.

Bem, a primeira reação é de alívio: aos 47 anos, nunca me submeti ao dito cujo: muita gente dizia que, a partir dos 45, a dedada teria que ser obrigatória, seria uma irresponsabilidade adiá-la. Mas fui adiando, ainda que temendo a aproximação do meu cinqüentenário. Aos 50, não teria saída: pelo menos é o que diziam todas aquelas campanhas feitas por sociedades médicas.

Eu escapei, mas... Quantos amigos meus já não se submeteram ao exame? Quantas intimidades não foram devassadas, quantas dedadas em vão, quantos chistes desperdiçados! Quantas considerações inúteis foram feitas, em meio a risadas amarelas, em mesas de bar, sobre a dimensões dos dedos de médicos? Imagine o número de piadas que são agora descartadas! Numa das mais famosas, o médico introduz o dedo e pergunta ao paciente:

- Bah, o que sentes, tchê?
- Sinto que te amo - responde o sujeito.

Enfim, escapei. Mas fico imaginando a cara de alguns amigos ao se depararem com a notícia. Imagine o sujeito que levou uma inútil dedada na sexta passada, na hora em que o Inca divulgava o tal comunicado? Sei não, eu partia pra briga, processo, porrada, o cacete (ôps!) a quatro. Assim esses irresponsáveis que tanto propagandearam o exame iam aprender a não se meterem (ôps! ôps!) onde não foram chamados.



Exportadores de gente

separador Por Fernando Molica em 14 de novembro de 2008 | Link | Comentários (3)

Devo andar meio rabugento, é possível. Mas não consigo entender a festa em torno de histórias de jovens e mesmo crianças que são selecionados para treinar em times de futebol do exterior. A edição de hoje de "O Globo" traz mais uma dessas histórias - desta vez, a de um menino de 9 anos que foi cooptado (o verbo é meu) pelo Roma.

O menino, repito, tem 9 anos. Isso é lá hora pra ele ficar preocupado com carreira, salário, carrões? Desde quando um moleque de 9 anos tem que pensar se quer jogar na seleção brasileira ou na italiana? Imagina o tamanho da frustração do garoto se tudo der errado? Será que ninguém vê o tamanho da irresponsabilidade e da crueldade que é empurrar para esse menino o peso de construir um futuro próspero para ele e para sua família?

Claro que aos 9 anos até eu - um perna-de-pau assumido - sonhava em jogar no Botafogo, na seleção, o escambau. Mas era sonho, só isso. Se tivesse um mínimo de talento poderia até ter imaginado um futuro de jogador profissional, mas isso seria algo a ser construído ao longo dos anos, pertinho de casa, dos meus pais, parentes e amigos. Pegar um garoto de 9 anos e jogá-lo num clube como o Roma é, desde já, amarrá-lo a uma perspectiva de futuro desumana. Ele deve receber uma bolsa, um auxílio qualquer do Roma: isso é suficiente para caracterizar trabalho infantil.

Nem quero saber se o garoto vai perder características de jogador brasileiro. Fico preocupado é com ele e, de uma maneira mais ampla, com todos nós. Fico triste ao constatar que, 120 anos depois da Abolição, continuamos a comercializar gente. Antes, importávamos negros; agora, exportamos putas, jogadores de futebol e - caramba! - crianças. Estamos assumindo de vez que não vale a pena ficar, que este país é uma droga, que o último a sair é mulher do padre.


Obama é negro

separador Por Fernando Molica em 09 de novembro de 2008 | Link | Comentários (3)

Mais uma implicância: sempre achei meio esquisito o padrão norte-americano de classificar como negra qualquer pessoa, por mais branca que fosse, que tivesse algum antepassado negro. A lógica parecia ser a da contaminação: uma gota de sangue "neutro" seria suficiente para derrubar uma certa pureza branca.

O problema é que não havia um mecanismo inverso: um negro, por mais por mais negro que fosse, não seria considerado branco mesmo se tivesse um ou mais antepassados brancos. O processo só servia para discriminar, para ressaltar a "contaminação" de uma linhagem até então branca. Esta lógica serviu também para impedir a existência do mestiço, tão presente aqui no Brasil. Lá, ao contrário daqui, ou se era preto ou branco.

O movimento negro americano soube usar a discriminação a seu favor: se mestiço é negro, o número de negros seria maior. Isso ajudou a aumentar a força política-institucional da luta, inclusive na criação de políticas afirmativas, como a das cotas em universidades.

No Brasil, de certa forma, se dá o mesmo: o IBGE trabalha com, entre outras, as classificações de branco, pardo e preto. Só que pardos e pretos são somados na categoria "negros". Uma classificação meio questionável mas que, a exemplo do que ocorreu nos EUA, serve para dar maior força política ao grupo. Talvez o mais correto seria tratar os pardos como pardos, ou como mestiços - até para institucionalizar o que sempre ocorreu no Brasil. Por aqui, uma espécie de gradação cromático-racial é usual. Mas essa foi a decisão do IBGE e que acabou legitimada pelo movimento negro, que tem todo o direito de usar os dados a seu favor.

Mas tudo isso é só para revelar uma recente implicância. Na hora de discriminar, os EUA tratavam qualquer mestiço, qualquer moreninho, de negro. Agora que elegeram um cara que sempre seria considerado negro, tratam de chamá-lo de mestiço. OK, o próprio Obama estimulou essa lógica: foi um jeito de diminuir preconceitos e de, com toda a razão, apontar para um futuro em que essas questões sejam menos relevantes. Mas, caramba, não deixa de ser uma certa sacanagem: o cara foi negro a vida inteira. Hoje, até a Ku Klux Klan anda dizendo que o cara é "meio branco". Combinemos, embranquecer o Obama é uma forma de preconceito, de diminuir a importância política e simbólica de sua eleição.


Copo presente

separador Por Fernando Molica em 08 de novembro de 2008 | Link | Comentários (0)

Há um ano soube da morte de um amigo, um colega com quem eu trabalhara em meu primeiro emprego. Não o via fazia algum tempo. O cara era relativamente novo, tinha menos de 60 anos. Eu estava fora do Rio, soube da morte graças a um registro publicado no jornal. Levei um susto, liguei para alguns amigos em comum e soube que ele morrera por excesso de birita.

Ontem recebi um e-mail que, no campo de assunto, deixava explícito: era um convite para a missa em memória do tal amigo. Fiquei triste, lembrei do episódio, me dei conta da passagem de um ano da sua morte. Ao abrir o e-mail, comecei a rir (desculpe, meu caro A.): a celebração, a homenagem ao cara que morreu de tanto beber, era assinada por uma agremiação carnavalesca, a "Quem num güenta bebe água". É ironia demais. Quer saber? Acho que o homenageado também riu, achou legal. Certamente sua alma dará passada por essa (perdoe-me) missa de copo presente.

Ah, ia esquecendo. Os caras bebem tanto que trocaram o endereço da celebração: a igreja fica na Marechal Floriano (no Centro), mas o convite fala em Marechal Rondon (que fica no Riachuelo).


Valeu Zumbi!

separador Por Fernando Molica em 05 de novembro de 2008 | Link | Comentários (0)

Simpatia para o modem

separador Por Fernando Molica em 03 de novembro de 2008 | Link | Comentários (1)

Pode ser implicância, vá lá. Mas tendo a ver com desconfiança o entusiasmo com que são recebidos esses brinquedinhos eletrônicos que volta e meia são desembarcados no mercado. Gosto de esperar um pouco, prefeiro aguardar que as novidades se consolidem, deixem de ser novidades. Depois, decido se compro a geringonça.

A vida ficou muito complicada. Lembro que, no ano passado, na Flip, o argentino César Aira disse algo bem interessante. Ressaltou que, até essa nossa geração, os segredos das máquinas podiam ser descobertos com sua desmontagem. Ou seja, um bom mecânico desmontaria um fusca e entenderia tudo o que se escondia por trás daquelas peças. Isso valia também para geladeiras, aviões. O mundo vivia numa lógica mecânica.

Com a informática, tudo mudou: desmonte um computador e tente descobrir - mais, tente ver - onde estão os programas, os textos, as planilhas, as ilustrações, o google. Nós sabemos que tudo está ali, programado, mas nada é visível. Isso também serve para carros (cadê ocarburador?), geladeiras e aviões. Como diria a Glória Maria, é tudo meio mágico.

No meio de toda essa magia, me divirto um pouco com uma certa babaquice tecnológica que busca, de forma ansiosa, consumir qualquer novidade. Outro dia li que o tal do I-Phone tem excelente desempenho, faz um cacetal de coisas - mas é meio assim-assim como telefone. Pois.

Bem, tudo é pra dizer que, outro dia, liguei pra Net, fui reclamar de uma falha na minha conexão. A moça deu o diagnóstico: o problema é que o modem aqui de casa estava ligado, havia, creio, 42 dias. E daí? - perguntei. Esse negócio é pra ficar ligado mesmo, né? Nada disso: segundo a moça, é bom tirar o modem da tomada por uns 10/15 segundos a cada semana, ou a cada quinzena. Mas por que? - insisti. Ela não sabia. Segundo ela, ninguém sabia a razão do chilique cibernético do modem.

De uma certa forma, me senti vingado. Aquele aparelhinho todo cheio de sacanagem, que me conecta com o mundo, é carente de uma macumbinha (com todo o respeito), uma simpatia, um jeitinho. Ela não disse, mas talvez o negócio funcione melhor se eu der três pulinhos gritando "skavurzka".


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