Estação Piedade: A Biografia de Fernando MolicaEstante: Livros Públicados pelo MolicaPáginas Amarelas: Textos, Artigos e outras palavras maisO Caso Amanda/Muriel: E o processo do Ministério Público ItalianoBlog: Pontos de PartidaFoto MolicaClique para voltar a página principalFoto Molicawww.fernandomolica.com.brEntre em contato com o Fernando MolicaInformações para Imprensa

Blog

Pontos de Partida, o Blog do Fernando Molica

separador
BG

El Cid

separador Por Fernando Molica em 18 de outubro de 2008 | Link | Comentários (0)

cid.jpgOntem, em meio à apuração de notas sobre a eleição aqui do Rio, fiquei triste ao saber da morte recente do publicitário Cid Pacheco, um dos meus melhores professores da ECO, a Escola de Comunicação da UFRJ. Pode parecer meio esquisito eu, jornalista, colocar um publicitário na lista dos melhores professores - mas não é.

Tive dois períodos de aulas com o Cid - o segundo deles, por opção. O cara era genial, ajudou a quebrar alguns dos meus preconceitos sobre publicidade, opinião pública, poder da mídia em geral. Lembro que, naquele início de anos 80, todos entusiasmados com a perspectiva de eleições para governadores, o Cid, que adorava sacanear aquele bando de simpatizantes de partidos de esquerda, provocou, num evidente e proposital exagero:

- Vocês ficam aí animados com eleições, mas quem manda no governo não é o governador, é aquela velhinha que, na repartição, deixa o público esperando enquanto come sanduíche de mortadela com guaraná na frente de todo mundo.

Foi o Cid que mostrou com clareza que a propaganda não antecipava nada, apenas pegava carona em hábitos e tendências da sociedade. Lembro que ele costumava defender anúncios que exploravam a sensualidade de mulheres e que, volta e meia, ainda causavam algum protesto:

- Isso (um anúncio, digamos, de jeans com uma mulher meio pelada) só é possível porque estavamos numa sociedade que aceita isso (e mostrava um exemplar da revista "Manchete" de carnaval, cheia de fotos de mulheres e travecos de peitos de fora).

Foi o Cid também que balançou o coreto (caramba, tô ficando velho. Ninguém aí deve saber o que é um coreto!) de algumas normas sobre hierarquia na produção cultural - de certa forma, ainda cultivávamos uma certa herança de um pensamento típico do CPC da UNE, aquela história de levar a supostamente boa cultura ao povo.

- Todo mundo tem o direito de gostar do que bem entender. Não adianta você dar um quadro do Mabe pro sujeito que quer um quadro com um laguinho, um barquinho e um pôr-do-sol. O cara tem o direito de gostar de um quadro com laguinho, barquinho e pôr-do-sol!

Nem sempre eu concordava com tudo o que o Cid dizia. Mas o cara cumpriu muito bem o papel de desarrumar idéias, de quebrar parâmetros. Num universo tão cheio de certezas como aquele - ainda discutíamos, e como!, a opção revolucionária para a ascensão do proletariado ao poder -, foi muito bom ter sido aluno do Cid. O mais engraçado - soube ontem - que nos últimos anos de vida, o cara foi pra Venezuela, virou marqueteiro do Hugo Chávez. Grande Cid!


Deixe seu Comentário











Type the characters you see in the picture above.

BG
© Todos os direitos reservados. Todos os textos por Fernando Molica, exceto quando indicado. Antes de usar algum texto, consulte o autor. créditos do site    Clique para ver os créditos do site