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Minha geração

separador Por Fernando Molica em 17 de setembro de 2008 | Link | Comentários (2)

O artigo do João Paulo Cuenca sobre serviço militar (publicado ontem na revista
"Megazine", de "O Globo") me lembrou o dia em que, aos 18 anos, conheci minha geração. Neste dia eu fui à Região Administrativa do Méier, quase em frente à estação Engenho Novo, para me alistar no serviço militar. Não sei bem por que o alistamento era feito ali.

Lembro que cheguei cedo, antes das 7h. Já havia muita gente esperando. Todos jovens da mesma idade que eu, pessoas que nunca tinha antes identificado como pertencentes à tal da minha geração. Pelo menos até aquele dia, a minha geração era formada por jovens mais ou menos parecidos comigo - filho de uma então ascendente classe média suburbana que, poucos anos antes, dera um salto social ao trocar Piedade pelo Méier.

Jovens eram aqueles amigos do prédio da rua Pedro de Carvalho ou os colegas do Colégio Metropolitano que, como eu, naquele início de 1979, se preparavam para começar um curso universitário. Jovens também eram aqueles que moravam na Zona Sul, mais descolados, que namoravam mais e melhor, que iam à praia caminhando.

Mas ali, diante daquele prédio que ficava (deve ficar ainda) no fundo de uma espécie de vila, minha geração se apresentava. Os que eu até então considerava jovens eram minoria diante de todos aqueles adolescentes pobres, negros, mal vestidos. Um deles, um mulato de cabelos black power, se espremia dentro de uma uma calça comprida rosa berrante, feita talvez de cetim. Gay? Que nada. Na casa do meu colega de geração, aquela era a única calça comprida disponível, pertencia - creio - à sua irmã. E foi assim, constrangido, enfiado naquela excentricidade, que o cara amanheceu para cumprir com sua obrigação, para quitar sua dívida com a mãezona gentil.


Obs: meses depois, ao me apresentar num quartel do Rocha, conheceria outro detalhe gerancional. Havia um formulário a ser preenchido e um sargento gritou: "Quem tiver um problema de vista, sabe como é, pede pro colega preencher." Demorou um pouco para sacar que o tal "problema de vista" era apenas uma referência, vá lá, delicada, aos que não sabiam ler e escrever.



2 Comentários Enviados

Oi, Fernando!
Bacana, você foi do mesmo Colégio que o Marcel, meu marido... Gostei da crônica, da realidade dos problemas de vista e de escolha do povo que a gente finge não conhecer.
Beijos, Paula

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No dia da minha apresentação, o sargento perguntou pro pessoaslse alguém tinha problema. Demorou pra perceber que ele queria saber se alguém preferia o gênero masculino para parceiros de vida amorosa...

Na terceira vez ele foi mais claro:

- Alguém aí é viado?

Ninguém se apresentou...

Abraços, Molica!

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