Profissão de fé
Um e-mail que acordou na minha caixa de entrada alerta que hoje é dia do jornalista. Bem, o tal dia foi ontem. Nunca vi jornalista comemorar a tal efeméride; de um modo geral, somos céticos demais para isso (que bom!). Mas, em homenagem ao tal dia, aí vai um trechinho do "O ponto de partida". Nele, Ricardo Menezes, 50 - repórter e protagonista do livro -, lembra uma fala do pai, Mário Menezes, que morrera de enfarte na redação. MM, como era conhecido, também era jornalista, um homem apaixonado pelo seu trabalho.
"Fazer jornal, meu filho, é brincar um pouco de ser
Deus. A gente é que decide o que é importante. Só é importante
o que sai no jornal. Não adiantava Deus fazer e
acontecer, criar o dia e a noite, o macho e a fêmea, as estrelas,
o Himalaia, o Garrincha, o cacete a quatro: se não
saísse no jornal, ninguém ficaria sabendo. Por isso, Ele
também criou a Bíblia, o jornal Dele. A Bíblia é igualzinha
a um jornal, é cheia de boas histórias, a maioria, difícil de
ser checada. Há alguns exageros, umas forçadas de barra,
umas cascatas, um certo culto à personalidade: tudo como
num jornal. Mas tá cheia de notícias. Uma boa equipe de
repórteres, correspondentes no mundo inteiro, jornalistas
com acesso a fontes privilegiadas. E que comentaristas --
retumbantes, proféticos! O tal do Moisés era uma espécie
de repórter especial. O sujeito entrevistava Deus em on,
veja só! Deus dava entrevista pra Moisés on the record, não
pedia off. Imagina, Deus chegando pro repórter e dizendo:
'Pode publicar que fui Eu que disse.' (...) ."














Ih!
O cara veio antes, bem antes...
MM sou eu, pô!
Hehe, muito bom. Mas aí veio deus, e, de sacanagem, fez uma geralção que não lê jornal, e criou a Internet, os blogues, as redes de relacionamento, e, por maldade, continuou deixando os jornalistas submetidos a uma rotina enfartante...