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Pontos de Partida, o Blog do Fernando Molica

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março 2008 Archives

Festa na UTI

separador Por Fernando Molica em 31 de março de 2008 | Link | Comentários (2)

Devo estar ficando velho - devo, não. Estou ficando velho, é inevitável. Mas acho que ainda não fiquei suficientemente cínico para achar normal o contrato que acabo de ler. Uma empresa chamada Obah Organização de Festas e Eventos Ltda foi contratada por alunos de um grande colégio da zona sul carioca para promover os eventos de formatura do ensino médio.
Pela festa de formatura e dois churrascos, cada aluno terá que pagar R$ 885,00 - e poderá levar três convidados à festa. Não, pelo preço pode parecer, mas a festa não é no Londra, no hotel Fasano. Fora isso, o que mais me choca: na turma de formandos há muitos jovens - a maioria, talvez, menor de 18 anos. E esses jovens terão à disposição cerveja e um open bar "que contará com capivodcas, drinks e frozens preparados com Absolut Vodca". Ou seja, vai dar pra encher a cara - como vai estar tudo liberado, dá pra imaginar a sede com que os galalaus irão ao pote.
Falei lá em cima em cinismo, né? Pois. O contrato informa que haverá no local "UTI móvel, médicos e pára-médicos". O documento não diz, mas está implícito: a tal da UTI é para prestar atendimento aos jovens que certamente vão exagerar na bebida.
Uma cláusula do contrato diz o que não poderá ser feito: levar objetos pontiagudos ou armas, "exercer comportamento contrário à moral e aos bons costumes", e por aí vai. Nem uma linha sobre consumo de bebidas alcoólicas por menores de idade.
Tudo isso é visto com normalidade. Coisa de jovem, né? Desculpe, não é não. É apenas mais uma manifestação de omissão e irresponsabilidade de empresários, pais, diretores de escola e, mesmo, no fim da linha, alunos. A lei proíbe que se sirva bebida alcoólica para jovens? Dane-se a lei. Que nos danemos todos.


O avião que teme voar

separador Por Fernando Molica em 30 de março de 2008 | Link | Comentários (0)

bombom1.jpg

- Amado, você jura que não vai acontecer nada?
Sentada na poltrona E da fila 18, a atriz e apresentadora Adriana Bombom, com lágrimas nos olhos, suplicava uma certeza a Adriano Zen, um dos comissários do avião da Gol que, no sábado à tarde, fazia o vôo 1693, Brasília-Rio.
- Pode ficar tranqüila. A gente já fez esta rota hoje quatro vezes e está tudo calmo, sem turbulência - respondeu.
- Mas você promete? - insistiu Bombom num choramingo, mostrando que, dentro de um avião, perde todo o rebolado.
- Prometo, mas só se você tirar uma foto comigo - brincou o comissário, que ainda aproveitou seu nome e sobrenome para tentar acalmar a apresentadora do programa "Bom Demais".
- Temos o mesmo nome, a diferença é que, ao contrário de você, eu sou Zen... - disse, antes de lhe entregar um copo d'água. As mãos dela tremiam tanto que formavam pequenas ondas no copo - algumas ultrapassaram a borda e molharam sua camiseta.
Outros passageiros não perdoavam o medo de avião da atriz: os integrantes do grupo Molejo e o cantor Latino aproveitavam cada leve sacudidela do boeing para provocá-la:
- Olha aí, Bombom!
Ela ainda procurou segurança na passageira da poltrona D.
- Amada - para Bombom, mulher é "amada"; homem, "amado" -, você também tem problema com avião?
A vizinha, medrosa controlada, admitiu sofrer do mesmo pânico, mas afirmou ter uma "receita bárbara" para enfrentar os vôos:
- Normalmente, eu tomo um Frontal (medicamento tarja preta utilizado no controle da ansiedade), mas como o meu acabou, bebi duas cervejas antes do embarque.
A apresentadora sorriu, enxugou uma lágrima que transbordava do olho esquerdo, tentou demonstrar um pouco de tranqüilidade. E admitiu o que era óbvio.
- Eu viajo muito, mas não gosto de avião.
Logo depois, o boeing passou por uma outra zona de baixa turbulência. As pernas da apresentadora tremeram - um movimento acompanhado de outra manifestação de desespero:
- Ai, começou de novo...


Glauber, Niemeyer e o direito à crítica

separador Por Fernando Molica em 28 de março de 2008 | Link | Comentários (2)

O Aydano André Motta dá (ôps!) em seu blog uma espinafrada na cruzada pró-Glauber Rocha que se armou depois que o Marcelo Madureira disse que o cineasta baiano "é uma merda". Discordo do Marcelo, gosto muito do Glauber, "Deus e o diabo" é genial, "Di" é espetacular. Mas, fazendo coro ao Aydano: todo mundo tem o direito de achar o que bem entender do Glauber e de quem quer que seja. É do jogo.

O Aydano ressalta que, na matéria publicada ontem no Globo, um entrevistado - o crítico de cinema Dejean Magno Pellegrin - diz que "daqui a pouco alguém fala que Niemeyer é uma merda". Bem, não chego a tanto, seria burrice, estupidez e mesmo uma grosseria com um homem de 100 anos. Mas, em defesa do direito sagrado à crítica, repito aqui o início de um post que coloquei no blog antigo, em dezembro passado.

Em primeiro lugar, parabéns a Niemeyer, incansável produtor de beleza. É admirável vê-lo chegar aos cem anos lúcido e produtivo. Seu interesse em participar de grupos de estudos, em continuar aprendendo, chega a ser emocionante. Mas, enfim, não consigo deixar de achar - com todo o respeito - que ele é mais escultor do que arquiteto. Arquitetura é uma forma de arte, sem dúvida. Mas, diferentemente da música e da pintura e mesmo da literatura, a arquitetura não pode ser dissociada de um objetivo prático - ainda que a produção do belo não deixe de ser também algo útil e necessário. Talvez o maior desafio da arquitetura seja esse: produzir uma beleza que não entre em choque com a função de um determinado prédio, com o conforto de quem vai usá-lo ou habitá-lo. E é aí que implico com Niemeyer e com seu endeusamento (logo ele, ateu de carteirinha). É como a velha piada: o bom é morar de frente para uma casa projetada por Niemeyer, não morar nela.


Bom dia para estrear

separador Por Fernando Molica em 27 de março de 2008 | Link | Comentários (9)

Se não me engano, foi com um título parecido - "Bom dia para nascer" - que o Otto Lara Resende deu início à sua colaboração com a "Folha de S.Paulo". Depois, o título da coluna migrou para a capa de um livro que reuniu algumas de suas melhores crônicas publicadas naquele espaço, a página 2 do jornal.

Na hora de escrever este texto, me lembrei do Otto, e do tal título. Pronto, é com ele que abro esta nova fase do meu recém-criado blog. A partir de hoje, o blog se muda para esta casa nova, mais bonita, ampla, arejada. Uma casa que se sustenta no site, que também estréia hoje. Um site focado nos meus livros. Reuni aqui praticamente todo o material já publicado sobre eles: resenhas, reportagens, entrevistas. O site vem atrelado ao lançamento, no próximo dia 16, do meu novo romance, "O ponto da partida" (Record).

Relutei um pouco à idéia de criar o site - talvez o meu lado jornalista veja com alguma reserva esta exposição escancarada. Mas acho que pode ser bom. Pra mim foi interessante rever todo o material, editá-lo. O site é também uma maneira de responder a uma lógica um pouco cruel. Livros - de um modo geral associados a algo mais perene - têm hoje uma vida meio curta. Os lançamentos se sucedem numa velocidade que o mercado não consegue absorver. Os lugares mais nobres das livrarias são renovados quase que diariamente, uma lógica incompatível com o processo de leitura/deglutição/reflexão de um livro.

É curioso que a internet - algo mais relacionado a uma informação mais veloz, menos duradoura - acabe sendo utilizada para se tentar devolver ao livro um certo espaço de perenidade. Um amigo, o Sérgio Rodrigues, que mantém o blog Todoprosa (www.todoprosa.com.br), acha que a internet poderá salvar a literatura. Não como espaço privilegiado para a publicação de textos literários, mas como um bom lugar para discutir livros e idéias.

E é nisso que aposto. Espero que vocês gostem da nova casa, do novo site - e do novo livro, claro. Pra terminar, agradecimentos ao Marcelo Moutinho, que deu um empurrão importante para vencer minhas resistências ao site, ao Gabriel Lupi, responsável pelo projeto e pela decoração da casa, e ao Antônio Torres, que assina a orelha do novo livro - que pode ser conferida aí ao lado. Será um prazer recebê-los na livraria DaConde, no Leblon, no próximo dia 16, no lançamento de "O ponto da partida".

Bem-vindos ao site e ao blog.


Vá lá

separador Por Fernando Molica em 26 de março de 2008 | Link | Comentários (3)

cinema3.jpg"Não estou lá", o filme sobre a(s) vida(s) de Bob Dylan é imperdível: pra quem é fã do cara e/ou gosta de cinema. Acho quase impossível alguém gostar mais ou menos do longa: é pra aplaudir de pé ou pra sair correndo da sala. Eu fiquei com a primeira opção, dando vivas à ousadia do diretor - Todd Haynes -, que foi tão radical quanto Dylan. Ele sacou que a história do cantor não é linear, seria difícil contá-la da maneira tradicional. Então, dividiu a vida de Dylan em vários pedaços e delegou a tarefa de interpretá-los a seis atores (um deles, uma atriz, a espetacular Cate Blanchett). Do mosaico, de uma montagem aparentemente - e só aparentemente - caótica, surge a figura multifacetada do cantor. De quebra, tem talvez a melhor cena de sexo dos últimos anos. Cena que frustrará voyeurs: "Pô, não mostra nada!", reclamarão. Pois: não mostra, mas revela.


A língua de George 2

separador Por Fernando Molica em 26 de março de 2008 | Link | Comentários (0)

Um amigo, rápido no pensamento e no teclado, fez uma observação importante (ver comentário no post anterior). Nem todo mundo que tem/porta/vive o/com o HIV tem a doença aids. Nesse caso, ele argumenta com razão, não é absurdo dizer que a pessoa "vive com o HIV" - ou seja a pessoa não é doente, apenas tem/porta um vírus que pode causá-la. OK, mas existe também a expressão "vivendo com HIV/Aids" - que pressupõe a existência da doença. Não se diz que a pessoa "tem Aids". Mas, ao mesmo tempo, ninguém diz que fulano "vive com câncer", mas que ele "tem câncer". Como também é mais comum se dizer que a pessoa é diabética ou tem diabetes.

Cada um que escolha a melhor forma de nominar sua condição de vida: a aids trouxe, além da doença, uma série de preconceitos que ainda precisam ser combatidos. A minha dúvida é se o recurso a palavras supostamente menos agressivas também não contribui para - num efeito oposto ao desejado - aumentar o preconceito. E, um último comentário: acho redundante falar que a pessoa está "vivendo com HIV/Aids" - afinal, ela está viva.


A língua de George

separador Por Fernando Molica em 26 de março de 2008 | Link | Comentários (0)

A onda do politicamente correto tem lá seu valor: lançou um alerta sobre palavras e expressões que, além de definir algo, serviam para expor, alimentar e manter preconceitos. É bom ver, por exemplo, que verbos como "judiar" praticamente não são mais utilizados.

Mas o problema é quando a luta contra o estigma serve apenas para escamotear um problema - é como se a simples mudança do nome do problema fosse capaz de resolvê-lo. E aí, tome de eufemismos. Até entendo a luta contra a palavra "lepra" e a busca de sua substituição por hanseníase: afinal, a palavra vem carregada de um peso maldito desde, pelo menos, os textos bíblicos.

Compreendo também a importância de se evitar o termo "aidético", que chegou a ser utilizado no início da epidemia. Ter aids - ser, portanto, "aidético" - significava que o sujeito ia morrer logo ali adiante. Surgiu então a fórmula "portador do HIV", que logo caiu em desuso - é meio esquisito mesmo o sujeito portar um vírus.

Hoje, o correto é dizer que fulano "vive com HIV" - continuo achando estranho. As pessoas podem ter dengue, malária, câncer, cirrose. Mas não podem ter aids - elas vivem com o HIV.

A doença é séria demais para permitir brincadeiras em torno do "vivem com", mas, insisto: até que ponto a expressão eufemística não ajuda a alimentar o preconceito? O Cony volta e meia lembra que, nos anos 50, não se publicava a palavra câncer: a pessoa morria vítima de uma "insidiosa moléstia". Será que isso ajudava na busca do tratamento da doença? Tenho certeza que não.

Saindo das doenças: tornou-se meio moda evitar a palavra "favela" - o mais bonitinho seria falar "comunidade". Bem, condomínios ricos também podem, tecnicamente, ser chamados de comunidade. No caso de "comunidades pobres", não importa que as pessoas morem em péssimas condições, que seus filhos brinquem ao lado de valas negras, que convivam com bandidos armados - o problema é não falar a palavra favela. Eis aí uma ótima saída para as autoridades: dizer que em sua cidade não há mais favelas, mas "comunidades".

A palavra prostituta também saiu de moda: fala-se em profissioais do sexo ou em garotas de programa. Qual a razão disso? Diminuir o preconceito? Talvez. Mas, na prática, isso só revela a hipocrisia de quem prefere varrer problemas para debaixo dos tapetes. No caso, uma sociedade que, pelo jeito, começa a se orgulhar de exportar esse tipo de mão(ôps!)-de-obra qualificada. Não exportamos prostitutas, mas profissionais do sexo. É como não falar em recessão, mas em "crescimento negativo". Isso tudo cheira a aplicação da tal da "novilíngua", a citada pelo George Orwell em seu assustador "1984".


Livros de chuteiras

separador Por Fernando Molica em 20 de março de 2008 | Link | Comentários (0)

Som na caixa! Sabe aquela musiquinha que tocava nas transmissões do Canal 100 - a "Na cadência do samba", de Luiz Bandeira, mais conhecida como "Que bonito é..."? Pois. Finja que ela está tocando, ouça o som da torcida e aplauda a entrada em campo dos 16 participantes da segunda edição da Copa de Literatura Brasileira:

Que bonito é
Ver um samba no terreiro
Assistir a um batuqueiro
Numa roda improvisar

Organizada pelo cartola Lucas Murtinho, a competição, bem interessante, é inspirada no Tounament of Books, criado pela revista eletrônica americana The Morning News em parceria com a livraria Powell's. Em suma: 16 livros disputam a Copa em quatro rodadas. Na primeira, cada participante enfrenta um outro: o encarregado de apitar o jogo - um crítico, um blogueiro interessado em literatura - dá o resultado. Ele é obrigado a dizer por que escolheu A e não B. O mata-mata prossegue até a grande final, quando todos os árbitros podem votar no campeão.

Acompanhei os jogos do ano passado - e foram muito legais. Obrigados a escolher um vencedor, os jurados, de um modo geral, fizeram leituras detalhadas de cada livro. Qualidades e defeitos foram esmiuçados e apresentados em longas resenhas. Ao contrário do que ocorre nos demais prêmios literários, nesta Copa os resultados têm que ser justificados. Claro que não dá pra concordar com tudo, houve impedimentos mal marcados, pênaltis duvidosos, cartões vermelhos desnecessários, casos de doping não comprovados. Mas, pelo menos, dá pra saber por que A derrotou B.

A primeira edição da Copa - vencida por "Música perdida", de Luiz Antonio Assis Brasil (LP&M) - injetou um pouco de ânimo neste certo marasmo da literatura brasileira contemporânea. Alguns autores reclamaram do juiz, vaias pipocaram das arquibancadas, ocorreram zebras: aqui e ali, o tempo ameaçou fechar. Ou seja, durante a Copa tivemos a oportunidade de vivenciar algo raro, uma discussão ao mesmo tempo técnica e emocional sobre a literatura produzida hoje no país. Não se falava em outra coisa nos melhores botequins virtuais. E isso não é pouco - renova ânimos, desperta paixões, gera esperanças.

Mais detalhes, lá no estádio oficial do evento, o Maraca (ou Engenhão) da literatura brasileira. O primeiro jogo é O amor não tem bons sentimentos (Raimundo Carrero, Iluminuras) x O sol se põe em São Paulo (Bernardo Carvalho, Companhia das Letras). O jurado é o Rodrigo Gurgel.


A camisa do quase

separador Por Fernando Molica em 20 de março de 2008 | Link | Comentários (2)

Camisa+Botafogo.jpgJá sei, já sei. Um sujeito que se diz sério não deveria escrever uma baboseira como a que vem abaixo - pelo menos, não deveria escrever baboseiras conscientemente. Mas é que acabei de ler uma notícia no site do Globo Esporte sobre a decisão do Botafogo de não jogar os clássicos com o uniforme listrado veja aqui. Boa notícia. Há duas semanas mandei para uma amiga, que trabalha no Botafogo, uma observação: que tal trocar o modelo da nossa camisa tradicional? Não sei se ela teve coragem de levar minha observação adiante, mas repito aqui meus argumentos. O problema é simples: o atual figuro subverte a tradição da camisa listrada. Algumas listras não cumprem seu destino retilíneo e, lá pertinho do calção, quase no limite da camisa, dão a volta, fazem uma curva, retornam ao ponto de partida, traem sua vocação.

Sei não, mas isso tem muito a ver com a trajetória do time em 2007 - e mesmo, neste início de 2008. No ano passado, quase conquistamos o título carioca (fomos roubados, mas perdemos o campeonato) e a Copa do Brasil (igualmente furtados): íamos bem no Brasileiro, tropeçamos na Sul-Americana, e desandamos de vez. A vaga na Libertadores também ficou no quase. Disputamos os jogos decisivos com a camisa que tem listras que voltam ao ponto de partida. Usamos o mesmo uniforme titular na decisão da Taça GB deste ano. Deu no que deu: com a camisa em que as listras quase chegam ao fim, ficamos no quase. Já no domingo passado, com a camisa preta, derrubamos um tabu.

Claro que vitórias e derrotas não têm a ver com camisas - só um idiota supersticioso pensaria isso. Mas, sei lá, tá regulando, né? Vamos então de preta ou de branca - enquanto não ajeitarmos a belíssima preta-e-branca. E, já que falei de camisas: tá na hora de proibir o Castillo de usar aquela que estampa uma estrela preta. Além de feia, de lembrar aquele fanfarrão frangueiro do ano passado (toc, toc, toc - que seja feliz em sua nova granja), a camisa briga com nosso símbolo: nossa estrela, a que nos conduz, é branca, caramba.


A temperatura de um diploma

separador Por Fernando Molica em 20 de março de 2008 | Link | Comentários (0)

O Brasil sempre nos surpreende - nem sempre para melhor, claro. Mas é quase sempre surpreendente. Na sexta passada eu tentei fazer aqui uma ligação entre a vida falsa desejada pelo menino que pediu um par de "chinelos de marca" - para tentar fingir que era rico - com a má qualidade da educação pública no país. Uma educação que fornecia diplomas verdadeiros, mas que se revelavam falsos - atestavam um conhecimento não-adquirido pela maioria de seus possuidores.

Enfim, tentei ligar o Estado que distribui uma falsidade com o menino que - de tanto receber expectativas falsas - assume que só poderá sair da pobreza de maneira ilusória e temporária, pela posse e uso de um bem (um par de chinelos...) que considera símbolo de alguma riqueza.

Depois é que notei que não precisava ter tentado elaborar tanto: naquele mesmo dia, a Polícia Federal desarticulou uma quadrilha especializada em vender diplomas falsos. Diplomas de instituições sérias que eram comercializados por um bom preço. Se os caras vendiam é porque tinha gente comprando - um diplominha que poderia garantir uma promoção, um empreguinho melhor. Para os clientes, trata-se de um crime menor: duvido que ocultassem isso de amigos, parentes ou vizinhos. Seriam capazes até de enquadrar e pendurar o papel na sala de casa.
Enfim, a escolha é, portanto, do cliente: o que é melhor? Diploma quente de uma escola fria ou diploma frio de escola/universidade quente?

É escandaloso comprar diplomas falsos? E o que dizer das centenas (milhares? É só procurar no Google) de pessoas que elaboram e vendem trabalhos de conclusão de curso, dissertações e teses? E o que dizer dos que compram os tais produtos?


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