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Pontos de Partida, o Blog do Fernando Molica

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Temer e o julgamento político de Dilma

separador Por Fernando Molica em 29 de julho de 2016 | Link | Comentários (0)

Na entrevista de hoje a correspondentes estrangeiros, Michel Temer, segundo a Folha, disse o seguinte:

"Essa questão do impeachment no Senado não depende da nossa atuação. Depende da avaliação política -não uma avaliação jurídica- que o Senado está fazendo. Nós não temos e não poderíamos ter influência nesse processo", afirmou.

E acrescentou: "Eu penso que o Senado vai avaliar as condições políticas de quem está hoje no exercício e de quem esteve no exercício da Presidência até um certo período."
O problema é que, segundo a lei que regula o impeachment, a de número 1.079, de 1950 ( http://www2.camara.leg.br/.../lei-1079-10-abril-1950-363423-n... ), o processo é jurídico . O texto da própria lei diz que ela define "os crimes de responsabilidade e regula o respectivo processo de julgamento."

Em linhas gerais, a lei separa crimes comuns dos crimes de responsabilidade - estes,que podem gerar o impeachment, são claramente definidos:

"Art. 4º São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentarem contra a Constituição Federal, e, especialmente, contra:
I - A existência da União;
II - O livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário e dos poderes constitucionais dos Estados;
III - O exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;
IV - A segurança interna do país;
V - A probidade na administração;
VI - A lei orçamentária;
VII - A guarda e o legal emprego dos dinheiros públicos;
VIII - O cumprimento das decisões judiciárias (Constituição, artigo 89)."

Em nenhum momento a lei inclui entre os crimes de responsabilidade a eventual incompetência do governante. Também não diz que a falta de "condições políticas" (expressão usada por Temer) é também motivo para que um presidente seja posto para fora.

O que o Senado tem que julgar, no caso específico, é se a Dilma violou a lei orçamentária, um dos pontos capazes de gerar o impeachment.

A lei fala em julgamento, define claramente os papéis da Câmara, do Senado e do presidente do STF. Diz que o Senado é "tribunal de julgamento".

"Art. 80. Nos crimes de responsabilidade do Presidente da República e dos Ministros de Estado, a Câmara dos Deputados é tribunal de pronúncia e o Senado Federal, tribunal de julgamento: nos crimes de responsabilidade dos Ministros do Supremo Tribunal Federal e do Procurador Geral da República, o Senado Federal é, simultaneamente, tribunal de pronúncia e julgamento.

Parágrafo único. O Senado Federal, na apuração e julgamento dos crimes de responsabilidade funciona sob a presidência do Presidente do Supremo Tribunal, e só proferirá sentença condenatória pelo voto de dois terços dos seus membros."

Ao dizer que o processo não é jurídico, mas político, Temer abre margem para a contestação da legalidade do processo de impeachment. Mais: ele pendura uma espada na direção do pescoço dos futuros presidentes, que terão seus mandatos ameaçados caso percam as tais "condições políticas". Pendura uma espada na direção do próprio pescoço. O regime brasileiro não é parlamentarista, não custa lembrar.

A declaração de Temer transforma os próximos ocupantes do Planalto em reféns dos deputados e senadores. O presidente passará a ser um mero viabilizador dos desejos e interesses dos parlamentares.


Os voos do boi e da vaca

separador Por Fernando Molica em 26 de julho de 2016 | Link | Comentários (0)

No Recife, Nassau fez um boi voar. Agora, em São Paulo, é a vez da vaca decolar - o Andrea Matarazzo afirmara que era mais fácil uma vaca voar do que ele apoiar a Marta Suplicy.

A vaca voou no mesmo dia em que o Eduardo Matarazzo Suplicy - olha os sobrenomes aí, gente! - foi compulsoriamente levado a passear pelo ar.

Cabe ao Haddad pedir ao Chico Buarque para adaptar a marchinha que fez para 'Calabar', 'Boi voador não pode', uma referência ao episódio pernambucano.

Quem foi, quem foi que falou do boi voador
Manda prender esse boi
Seja esse boi o que for
Quem foi, quem foi que falou do boi voador
Manda prender esse boi
Seja esse boi o que for

O boi ainda dá bode
Qual é a do boi que revoa
Boi realmente não pode voar à toa
É fora, é fora, é fora
É fora da lei, é fora do ar
É fora, é fora, é fora
Segura esse boi
Proibido voar
É fora, é fora, é fora
É fora da lei, é fora do ar
É fora, é fora, é fora
Segura esse boi
Proibido voar


Diálogo

separador Por Fernando Molica em 24 de julho de 2016 | Link | Comentários (0)


- Você viu? O Banco do Brasil está pagando R$ 15 por cada moeda nova de R$ 1, aquela que tem símbolo da Olimpíada.

- E você acredita? Vai tentar fazer isso?

- Claro.

- Então, além das moedas, leva uma pistola, quem sabe assim você convence o gerente a fazer a troca.


Estranharam o quê?

separador Por Fernando Molica em 22 de julho de 2016 | Link | Comentários (0)

Os outros são mesmo muito esquisitos. Por exemplo: sábado passado fui convidado para uma feijoada na casa de uma querida amiga imperiana. Era dia de jogo do Botafogo, enfrentaríamos o time da Gávea, mas, mesmo assim, resolvi ir ao feijão. Para não criar qualquer constrangimento, optei por não vestir qualquer peça que remetesse à Mangueira - a dona da casa, repito, torce pelo Império Serrano.

Mas, ao sair de casa, reparei que estava com uma camisa vermelha - e, por óbvio, todo mundo sabe disso, em dias de jogos não é bom vestir qualquer roupa que tenha alguma cor do time adversário. Mas eu estava meio atrasado, achei melhor desafiar a lógica, e fui assim mesmo.

Na casa da amiga, um outro convidado tratou de ligar seu laptop no jogo - e cometi o desatino de comer feijoada e ver jogo do Botafogo ao mesmo tempo. Mas pior é que um outro amigo apareceu por lá com uma camisa rubro-negra, de alguma equipe europeia. Mais grave: o sujeito resolveu se sentar ao meu lado, na outra ponta do sofá.
Deu no que deu, eles - eles... - abriram o placar. A situação só melhorou quando a companheira-patroa, cruzmaltina, sentou-se entre mim e ele, quebrou, portanto, a corrente do mal que ali se estabelecera. Empatamos.

No segundo tempo, depois de umas duas caipirinhas e algumas cervejas, relaxei. Pior, a companheira-patroa se levantou, foi ver imagens de um desfile de escolas de samba. E aí, claro, interrompida a barreira, eles fizeram mais dois gols. Tive, então, que tomar medidas um pouco mais radicais: calei a boca, parei de ver o jogo e mudei de lugar, fui para o outro sofá. Providências simples mas que, todo mundo sabe, são fundamentais em momentos em que a vaca caminha solenemente para o brejo.

Deu certo. Fomos lá e empatamos. Ao término da peleja, notei que o sujeito mal vestido - aquele, de preto e vermelho - e outros convidados olhavam pra mim espantados, pareciam não acreditar no que eu havia feito, achavam tudo muito esquisito. Eu, hein. Como diz o Moacyr Luz, estranharam o quê? Eu apenas fiz o óbvio, esquisitos são eles.


Os que aprovam ou desaprovam Temer - e não sabem que ele está na Presidência

separador Por Fernando Molica em 20 de julho de 2016 | Link | Comentários (0)

Num congresso da Abraji, uma representante do Ibope foi bem enfática ao dizer que jornalistas deveriam ter muito cuidado ao divulgar/analisar pesquisas eleitorais - esta é uma preocupação de todos os institutos.

Vou além: devemos ter mais cuidado na divulgação de todas as pesquisas, e aqui não falo apenas de acusações de manipulação, como a feita pelo 'Intercept' ao Datafolha.

A mesma pesquisa gera algumas outras questões - e, insisto, não falo aqui em fraude ou manipulação, mas em contradições que podem ser geradas pela metodologia ou mesmo pelas respostas dos entrevistados.

Um caso interessante: em primeiro lugar não são 33% que não sabem o nome do presidente em exercício. Este percentual foi o dos que disseram não saber a resposta. Mas, além deles, 2% deram respostas incorretas, citaram "outros", segundo o Datafolha. Logo, 35% dos entrevistados não sabem o nome do atual presidente.

Mas a maioria desses 35% se disse capaz de avaliar o governo de um presidente cujo nome desconhecem - apenas 13% (página 30 da pesquisa) disseram não saber dizer se o governo era ótimo/bom, regular ou ruim/péssimo. Ao perguntar sobre avaliação. o Datafolha citou o nome de Michel Temer, deu esta informação ao entrevistado, mas, mesmo assim, a ressalva entre desconhecimento e avaliação merece ser citada.

Mais curioso ainda é o quadro que está na página 23 da pesquisa. O Datafolha não apenas apurou o nível de conhecimento/desconhecimento do presidente, mas cruzou esses dados com outros apurados na pesquisa.

Assim, ficamos sabendo que apenas 66% dos que dizem preferir o PT sabem quem está no Planalto, contra 84% dos entrevistados que preferem o PSDB. O engraçado, porém, é outro dado. Segundo o Datafolha, 14% dos entrevistados consideraram o atual governo ótimo ou bom - 391 de todos os 2.792 entrevistados. Mas, como revela o quadro da página 23, entre esses 391, 33% não souberam dizer o nome do atual presidente e 2% responderam à pergunta de maneira errada.

Ou seja, se eu não tiver errado na conta, dos 391 que classificaram o governo de ótimo ou bom, apenas 254 sabiam o nome do presidente. Se forem excluídos do cálculo da avaliação, o índice de aprovação cai de 14% para 9%.

Isto vale também para o oposto: 32% dos que não sabem o nome do presidente em exercício e 2% que responderam à pergunta de forma errada consideram o governo ruim ou péssimo. Não sabem que o Temer é o presidente, mas não gostam do seu governo. No geral, o Datafolha diz que 31% dos entrevistados desaprovam a gestão de Temer. Mas, se forem levados em conta apenas os que demonstraram saber o nome do presidente em exercício, a reprovação vai para 20%.

Claro que um cidadão pode aprovar ou desaprovar um governo mesmo sem saber o nome do presidente, mas esta informação é relevante e precisa ser ressaltada. Seria também interessante que a pergunta sobre avaliação de governo fosse feita, num primeiro momento, apenas aos entrevistados que sabem quem que está cuidando do país.

Importante é ler o relatório completo, cruzar dados, levantar pontos. Por exemplo: 42% dos ouvidos classificaram a gestão Temer de regular. Mas a nota média de seu governo foi 4, abaixo de cinco, como se pode ver na página 38 do relatório.


Os grampos enferrujados

separador Por Fernando Molica em 18 de julho de 2016 | Link | Comentários (0)

Não consigo entender bem a razão dessa polêmica em torno das gravações do Lula. Até onde me lembro da história, os efeitos que poderiam ser gerados pelos grampos já ocorreram.

As gravações - em especial o grampo da conversa com a Dilma, feito depois de encerrada a autorização para a interceptação e mesmo assim divulgado pela Justiça - foram determinantes para anular a posse do ex-presidente na Casa Civil.

A ausência do Lula no governo foi fundamental para a aprovação do impeachment na Câmara, ele seria o fiador das promessas feitas aos deputados que então leiloavam seus votos - escaldados por nomeações não cumpridas, os caras não confiavam na Dilma. Mas eles, por experiência própria, sabiam que podiam acreditar no ex-presidente que fizera alianças com Sarney e Jader Barbalho.

A gravação influiu até na decisão da Procuradoria da República de se manifestar contra a posse do Lula - a ida do ex-presidente para o ministério acabou sendo interpretada apenas como uma tentativa de impedir uma ordem de prisão que seria dada pelo Moro.

O Lula, em plano gozo de seus direitos como cidadão (não digo que ele é inocente, apenas que não foi condenado nem denunciado), acabou impedido de assumir um cargo para que não fugisse de uma determinação da Justiça que até hoje não ocorreu. E a divulgação da gravação, insisto, teve um papel decisivo nisso.

Lula não virou ministro e, pelo menos até agora, não foi preso.Mas o impeachment acabou aprovado na Câmara e na primeira votação no Senado.

As gravações também contribuiram para afastar Eduardo Paes da Dilma - pesquisas internas mostraram que muitos eleitores cariocas ficaram irritadíssimos ao ouvir o prefeito afirmar que era soldado do Lula. Dias depois da divulgação do grampo, Pedro Paulo, que tenta se viabilizar como herdeiro de Paes, reassumiu o mandato para votar pelo impeachment.

No fim das contas, ficamos sabendo também da existência do Bessias, confirmamos que Lula e a patroa falam muitos palavrões e que o prefeito do Rio não gosta de Maricá.


Jungmann e os pides

separador Por Fernando Molica em 18 de julho de 2016 | Link | Comentários (0)

Essa história de o Raul Jungmann, ministro da Defesa, afirmar que no país há 500 mil suspeitos de terrorismo faz lembrar uma piada que circulou na época da Revolução dos Cravos, que, em 1974, acabou com a ditadura em Portugal.

Interessado em prender integrantes da Pide, a temida polícia secreta salazarista, o governo revolucionário passou a oferecer 10 mil escudos (a moeda portuguesa de então) a quem entregasse um pide (o nome da instituição passara também a designar seus colaboradores).

Na mesma lógica, quem apontasse dois pides receberia 20 mil escudos; três, 30 mil escudos.

- Mas, ó pá - quis saber um gajo -, quem entregar quatro pides vai a receber 40 mil escudos?
- Não. Quem apontar quatro pides será preso porque conhece pides demais.


A obstrução do botafoguense Rodrigo Maia

separador Por Fernando Molica em 14 de julho de 2016 | Link | Comentários (0)

Escalado para a vaga deixada pelo rubro-negro Eduardo Cunha, o alvinegro Rodrigo Maia já fez uma manobra típica do antecessor para favorecer seu time de coração. Na época em que o Botafogo não ganhava do Vasco nem com impeachment de juiz, o menino Rodrigo foi escalado para ser gandula num jogo entre as duas equipes. Uma partida em que o Glorioso estava bem e abrira o placar.

A bola então saiu pela lateral e cabia ao filho do então político brizolista Cesar Maia devolvê-la. O rapazola, então, apelou para a obstrução, segurou a gorduchinha e retardou ao máximo o reinício da peleja. A bola acabou arrancada de suas mãos por um outro futuro parlamentar, o atacante Roberto Dinamite. O cruzmaltino ainda deu uma bronca e um chega-pra-lá no abusado torcedor do time da Estrela Solitária.

(A história me foi contada, há uns oito anos, pelo próprio Rodrigo Maia.)


Orfeu carioca

separador Por Fernando Molica em 13 de julho de 2016 | Link | Comentários (0)

Saída do Theatro Municipal após o término da ópera 'Orfeu e Eurídice'.

- Desculpa aê, mas vocês, há séculos, são todas iguais...
- Como assim?
- Como assim? A mulher do cara morre, e, para ressuscitá-la, o maluco do Orfeu topa uma parada sinistra, de descer aos infernos, encarar alma penada, monstro, o cacete a quatro.
- Ahã. E daí?
- E daí que o sujeito vai parar num lugar que parecia o clipe do Michael Jackson, cheio de cadáver, de assombração. Acuado, toca aquela harpinha de mão e dá um migué nos defuntos, que ficam bobos de ouvir música. Até entendo, lá nas profundezas só deve tocar sertanejo universitário e axé, os manés ouviram um negocinho um pouco melhor e ficaram todos animados, deixaram o cara passar.
- Eu sei, também vi a ópera, cacete. O que que você quer dizer com tudo isso? Qual é o problema com as mulheres?
- Pois é, o sujeito faz tudo isso, pega a ex-defunta pela mão e trata de tirá-la de lá, sem dar muita explicação, seguiu todas as dicas daquele anjinho cabeludo...
- ...o Cupido.
- É, aquele que tava vestido como a Gal dos bons tempos. O anjinho tinha avisado o Orfeu que ele não podia olhar pra Eurídice, não podia abraçar, fazer carinho - e não podia contar isso pra ela. Se olhasse, se contasse, a maluca ia virar presunto de novo. E o cara, caráleo, faz tudo certinho, sai puxando a mulher que, claro, empaca, resolve discutir a relação. Inventa uma DR no meio do inferno.
- Ela queria saber o que estava acontecendo, muito justo. Também estava estranhando o comportamento do Orfeu.
- Sabia que você ia concordar com ela. Na boa. O maluco faz aquelas paradas todas, enrola os monstros, as almas, os seguranças tudo, mas não consegue convencer a mulher a ficar de boca calada uns quinze minutinhos, o tempo que levaria para eles saírem daquele buraco. Caráleo, desculpa, mas é muito igual, aê. E ela toma de fazer pergunta: por que você não olha pra mim? Por que você não me abraça? Por que você não ainda me chamou de fofonete? Por que, por que, por que? E o cara desesperado, cala a boca, amor, vem comigo, depois eu conto, falta pouquinho. E a mulher lá, daqui a pouquinho nada, você tem que explicar, vai ver que se arrumou com outra defunta e está me tirando da jogada, vai me levar pra um buraco ainda mais fundo. E a mulher não parava de falar, falar, falar. E cantava, cantava, cantava.
- Você tem certeza que vai continuar com isso?
- Na boa, tem que falar, fiquei injuriadaço, boladaço. Como é pode? Tanta mulher viva no mundo, tanta novinha dando mole, e o cara cisma com a finada, vai atrás dela. E a maluca resolve empacar, dizer que não vai, que prefere ficar morta a fugir daquele inferno com o marido. Pô, aê, o cara apaixonadaço, os quatro pneus arriados pra ex-defunta e ela arrumando problema, mó desconsideração, aê. De tanto tomar esporro, o cara conta pra ela a porra toda, e ela, então, voltou a morrer, Já foi tarde, cacete...
- Como é que é?
- É isso mermo, bem-feito, tinha mais é que morrer de novo, único jeito dela parar de falar. Deu até alívio. Aê, fiquei injuriado quando a porra do anjinho voltou e fez a maluca ressuscitar de novo. Mó bola fora, quase levantei e fui embora.
- Você queria que ela tivesse ficado morta? Não acredito! Não acredito!
- Claro, a doida gostava mesmo é de uma cova, de um inferno, que ficasse por lá. A essa altura deve estar atazanando a vida do Orfeu. Deve dizer que ele tem que parar de tocar aquela harpinha, que não aguenta mais ficar em casa ouvindo blem-blom, que tem que arrumar um trabalho, pegar no pesado, que só defunto é que gosta de ouvir aquelas musiquinhas...
- Odair...
- Sim, Eunice.
- Vai sifudê.


O touro que não soube qual era o seu lugar

separador Por Fernando Molica em 12 de julho de 2016 | Link | Comentários (0)

Esta tradição espanhola de matar o touro e a mãe do touro que mata um toureiro dá margem a várias interpretações. Por óbvio, é preciso haver touros para que haja touradas, touros que são criados para atacar picadores e toureiros. Na luta, metáfora explícita sobre o embate entre natureza e civilização, um lados - o que se apresenta vestido com as cores da ordem e da racionalidade - tem muitas vantagens sobre o que foi rotulado como representante da brutalidade e dos instintos.

Contra o touro é formada uma cuadrilla, alinham-se picadores, cavalos, banderilleros e, por fim, o toureiro. É muita gente envolvida contra o bicho que, pelo roteiro e pelas condições da luta, tem mais é que não encher o saco e tratar de se deixar matar. Mas, de vez em quando, muito de vez em quando, o animal dá um jeito de se safar e, mesmo ferido, humilhado, enfraquecido, vira o jogo e mata o toureiro.

Uma vitória que vale muito pouco - não apenas o toro asesino será morto, mas também sua genitora, isto, para acabar com aquela linhagem amaldiçoada. Não economizemos nas metáforas: necessário para o espetáculo, o touro é jogado na arena, é ferido e provocado. Mas ai dele se ousar ganhar a parada - será morto e, anota aí, dr. Freud, causará o assassinato da mãe. No caso em questão, sobrou pro Lorenzo e pra vaca Lorenza, ambos já estão a pastar nos infinitos campos do céu.

Desenhando: o melhor é o que touro cumpra o script, não brigue tanto assim. Que trate de entender que seu papel é apenas o de colaborar para dar legitimidade ao processo, para fingir que a disputa é limpa e justa.

*

Por falar nisso: na Copa de 1982, disputada na Espanha, o alvinegro Sandro Moreyra contou, no JB, uma história espetacular. Escreveu sobre os brasileiros que, no intervalo entre um jogo e outro, foram a uma tourada e - suprema heresia - começaram a torcer pelo touro. Suas mães não foram mortas, mas foram devidamente xingadas. Hoje, sei não, era bem capaz de os brazucas começarem a dar porrada no touro antes mesmo de o bicho ser solto na arena.


Presidente da CNI reclamou da definição de trabalho escravo

separador Por Fernando Molica em 08 de julho de 2016 | Link | Comentários (1)

Presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Braga de Andrade não quer mudanças apenas na jornada de trabalho. Em entrevista ao jornal 'Brasil Econômico' publicada em 28 de outubro de 2013, ele reclamou do rigor da Justiça do Trabalho, entre outros pontos, na caracterização do trabalho escravo.

No ano anterior, a CNI, já então presidida por Andrade, publicara livro em que defendia mudanças na definição legal do trabalho considerado análogo ao escravo.

A entrevista ao jornal está reproduzia no site 'Portal da Indústria', ligado à CNI. Ele, ao ser perguntado sobre que tipo de problema esbarrava na Justiça, respondeu:

"Problema de terceirização, trabalho escravo, acordos trabalhistas. Não há mais empresário disposto a fazer convenção trabalhista, porque o acordo não tem validade perante a Justiça."

Depois, completou:

"Aqui a empresa é obrigada a ter refeitório e servir alimentação para o funcionário. Nos Estados Unidos, eles não têm uniforme, levam marmita e comem no lugar em que trabalham. Isso é trabalho escravo?"

Nesta sexta, em entrevista após participar de evento ao lado do presidente interino Michel Temer, Andrade citou que a França passara a admitir jornadas de até 80 horas semanais (depois sua assessoria corrigiu a informação, falou em jornadas de até 60 horas). O presidente da CNI concluiu: "A gente tem que estar aberto para fazer essas mudanças. E nós ficamos aqui realmente ansiosos para que essas mudanças sejam apresentadas no menor tempo possível".

A mudança na caracterização do trabalho escravo é um dos tópicos defendidos pela CNI no livro '101 propostas para modernização trabalhista'. A publicação lista o que classifica de "irracionalidades" na legislação.

De acordo com o texto, a "questão da caracterização de trabalho escravo, ou análogo ao de escravo, é uma das maiores fontes de insegurança que rege as relações do trabalho. Situações de mera informalidade contratual ou de descumprimento de normas específicas da legislação trabalhista são comumente gravadas como trabalho análogo ao de escravo pelas instituições fiscalizadoras do trabalho."

Para a CNI é preciso separar "as questões trabalhistas daquelas que são definidas como crimes contra a liberdade pessoal". A entidade defende que haja "avaliações razoáveis de cada caso analisado, considerando questões geográficas ou culturais de cada região do território."

Como exemplo, cita que há casos de empresas "obrigadas a construir instalações em locais longínquos", quando "os próprios trabalhadores, por questões culturais, preferem dormir em redes".

A entidade quer que a caracterização do trabalho escravo seja limitada "a partir da delimitação do cerceamento efetivo da liberdade e não remuneração."

Sugere também mudança da Instrução Normativa número 91 da Secretaria de Inspeção Trabalho, que trata da fiscalização para a erradicação do trabalho em condição análoga à de escravo.

A IN 19 que a CNI quer revogar considera como situação análoga à de trabalho escravo a ocorrência de pelo menos uma das seguintes condições:

. Submissão de trabalhador a trabalhos forçados.

. Submissão de trabalhador a jornada exaustiva.

. Sujeição de trabalhador a condições degradantes de trabalho.

. Restrição da locomoção do trabalhador, seja em razão de dívida contraída, seja por meio do cerceamento do uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, ou por qualquer outro meio com o fim de retê-lo no local de trabalho.

. Vigilância ostensiva no local de trabalho por parte do empregador ou seu preposto, com o fim de retê-lo no local de trabalho.

. Posse de documentos ou objetos pessoais do trabalhador, por parte do empregador ou seu preposto, com o fim de retê-lo no local de trabalho.

Na mesma publicação, a CNI defende, entre outros pontos, a prevalência de convenções coletivas sobre a legislação trabalhista, a diminuição do intervalo obrigatório de uma hora para jornadas de trabalho superiores a seis horas diárias e a extinção dos pisos e salários mínimos regionais.


Confesso que não vi

separador Por Fernando Molica em 08 de julho de 2016 | Link | Comentários (0)

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Há dois anos, fui testemunha ocular da tragédia. Sim, estava no Mineirão quando a Alemanha nos sapecou o 7 a 1 (olha o ingresso aí, gente!).

Meninos, eu vi - poderia dizer, e mentir. Vi, até vi - estava lá no setor de imprensa, com os olhos abertos, provavelmente tão arregalados quanto os da ex-primeira-dama da Câmara dos Deputados -, mas não me lembro de quase nada.

Efeito da passagem do tempo? Nada disso. Mesmo durante o jogo eu tinha dificuldades de perceber o que se passava, de entender o que aqueles sujeitos de amarelo estavam tentando fazer diante de um time vestido com uma camisa de péssimo gosto.

Consegui prestar alguma atenção até o momento em que aquele zagueiro cabeludo falhou no primeiro gol. Desisti de encontrar alguma lógica naquilo que ocorria diante do meu nariz depois que o mesmo jogador tentou resolver a parada sozinho. E tome chutão, tome bola nas costas.

Eu olhava, olhava, de nada de nexo. De vez em quando uma bola entrava no gol à minha esquerda. Uma, duas, três, quatro, cinco vezes - acho que o primeiro tempo terminou depois do quinto gol. Lembro que, entre uma saída de bola e outra, olhei para o colega ao lado, que também trabalhava no jornal. Devo ter feito um muxoxo, perguntado o que se passava, murmurado a velha piada do "anotaram a placa?". Ele parecia tão apatetado quanto eu.

O início do intervalo serviu apenas para reforçar a angústia, a confirmação de que ainda haveria mais 45 minutos pela frente. Por que não imitar o xadrez e firmar ali mesmo, na beira do campo, um acordo que desse a partida por encerrada? Por que prolongar a tortura, cumprir o ritual de ida aos vestiários, o que Felipão teria a dizer aos jogadores? Nem o arrecua os arlfes pra evitar a catástre poderia ser invocado, a catástre já estava feita.

Dizem que houve um segundo tempo, que a Alemanha marcou mais duas vezes, que o Brasil fez um gol. É o que dizem, é o que vi no placar depois que tudo acabou. Lembrei que tinha que escrever um artigo sobre o jogo, sobre um jogo que eu não conseguia lembrar de ter visto.

Não estava irritado, inconformado, envergonhado - já saí do Maracanã e do Engenhão em condições muito piores. Um 7 a 1 é indiscutível, não dá margem para questionamentos, não admite recursos, embargos declaratórios, impeachment de juiz, pedidos de nova votação na Comissão de Ética. É o que é e pronto, como ouvi de um sujeito em Portugal.

Jantei com colegas de trabalho num restaurante meio caído no centro de BH e fui para a rodoviária (sim, decidira ir pra Minas na última hora, não havia mais passagens de avião). Na volta, ao embarcar, vi que teria um torcedor alemão devidamente uniformizado como companheiro de viagem. Ele, ufa, permaneceu calado durante todo o trajeto.

Devo ter dormido um pouco. Lembro que acordei na Avenida Brasil, ainda meio fora do ar, liguei na Bandnews e ouvi o Boechat dizendo que a seleção perdera de 7 a 1 da Alemanha. Claro que era sacanagem dele e do Zé Simão, aquilo jamais acontecera.



A cidade que virou quartel

separador Por Fernando Molica em 07 de julho de 2016 | Link | Comentários (0)

Para garantir a segurança de quem virá para a Olimpíada, o Rio será ocupado por 22 mil integrantes das Forças Armadas, pouco menos que os 25.445 soldados da Força Expedicionária Brasileira enviados para lutar na 2a. Guerra Mundial.

A exemplo de outros casos de ocupação da cidade em grandes eventos, a presença dos militares será saudada por muita gente, muitos e muitos cidadãos irão reivindicar a manutenção das tropas por aqui, uma espécie de solução final contra a insegurança que tanto nos afeta.

Não dá pra negar a importância da presença dos soldados, mas é triste saber que precisamos das Forças Armadas para nos proteger de nós mesmos - afinal, bandidos são brasileiros, cariocas, nasceram e/ou foram criados por aqui, dividem conosco as mesmas ruas e praias.

Sim, há o risco de atentados, a presença de delegações e turistas do mundo inteiro é tentadora para terroristas. Mas sabemos que a presença dos soldados é para, principalmente, impedir crimes que se acumulam e se tornam banais numa cidade que se acostumou a ver armas de guerra nas mãos de bandidos - equipamento que só consegue subir os morros graças à incompetência ou cumplicidade de agentes públicos.

A banalização da criminalidade tem a ver também com a incapacidade do Estado de romper com o ciclo que, ano após ano, seduz tantos jovens, meninos e meninas que não veem perspectivas de inclusão e crescimento numa sociedade excludente, autoritária, desigual ao extremo, injusta e racista. O crime tem sido bem mais eficiente neste processo de sedução e de desumanização.

Não é possível, insisto, recusar a presença das tropas federais, mas é preciso admitir que a vinda dos soldados é um novo atestado de nossa falência, de nosso fracasso. Mais uma vez as Forças Armadas são usadas não para combater um inimigo externo, mas para atuar de forma preventiva contra integrantes de seu próprio povo.

Para prevenir uma ameaça interna precisamos de quase tantos militares quanto os despachados para lutar contra fascistas e nazistas. Não é razoável achar que nossa utopia social se resume no sonho de viver numa espécie de gigantesco quartel.


A Islândia e sua torcida organizada demais

separador Por Fernando Molica em 05 de julho de 2016 | Link | Comentários (2)

Pode parecer implicância - sou implicante, admito -, mas não consigo achar assim tão legal esta interação coreografada entre jogadores e torcedores islandeses.

Talvez por ter crescido sob uma ditadura, certamente por ter visto muitos filmes sobre o nazismo e a Segunda Guerra, fico sempre meio de pé atrás com essas grandiosas manifestações coletivas, ainda mais quando têm viés nacionalista, são motivadas pelo tal do orgulho nacional.

Mesmo quando era (ainda) mais jovem evitava bater palmas ou entoar "ôôôôô" ou besteira semelhante quando a adesão ao coletivo era estimulada pelo artista que estava no palco.

A seleção da Islândia bateu um bolão, mostrou um futebol alegre, objetivo, não teve medo de encarar os medalhões. Foi legal ver o entusiasmo de sua torcida - é até engraçado notar que dois terços da população do país caberiam no Maracanã, no primeiro e único Maracanã.

Mas esse negócio de palmas marcadas por tambor, de todos juntos vamos, de Pra Frente Islândia, de com islandês não há quem possa, de união nacional, de multidão regida por um líder - político, religioso, esportivo - desperta meus instintos mais primitivos e ameaça acender aquele aviso de perigo, perigo, perigo.

Situações semelhantes sempre dão margem para algum canalha achar que é hora de invadir a Polônia, de expulsar imigrantes, de matar a minoria da vez, de tentar recuperar na marra as Malvinas.

Prefiro as manifestações espontâneas, o choro do bêbado, o maluco que sobe a escadaria da Penha envolto na bandeira do seu time, o beijo roubado numa comemoração, o abraço no desconhecido (uma vez, no Engenhão, após um gol do Botafogo, abracei integrantes de um grupo que, percebi depois, era formado por pacientes de um hospital psiquiátrico. Como tudo ia bem, passei a abraçar os sujeitos a cada novo gol alvinegro - tava tudo regulando, caramba, não quebraria o ritual (admito que os caras saíram do estádio com a certeza de que o doido era eu).

Mesmo nos desfiles de escolas de samba fico meio assim-assim com alas de passo marcado, algo que contradiz a lógica do carnaval, da festa, da ausência de controles. Festa muito organizada não é festa. Todo mundo tem o sagrado direito de não querer fazer parte de uma multidão.

Nada contra os islandeses, longe de mim ver naquele simpático povo alguma tendência autoritária. Apenas não gosto de multidões organizadas. Resta torcer para que a seleção deles continue a brilhar, com o tempo os caras vão aprender a alegria de comemorar de forma menos organizada e mais espontânea.


Protesto sobre rodas

separador Por Fernando Molica em 05 de julho de 2016 | Link | Comentários (0)

Não deixa de ser uma espécie de marketing de emboscada. Um pessoal que não anda muito animado com a Olimpíada colou nas bicicletas do Bike Rio, as laranjinhas, adesivos que classificam a Rio 2016 de "jogos da exclusão".

A bicicleta aí da foto estava, agora há pouco, na estação que fica no Humaitá, perto da Fonte da Saudade.

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Protesto sobre rodas

separador Por Fernando Molica em 05 de julho de 2016 | Link | Comentários (0)

Não deixa de ser uma espécie de marketing de emboscada. Um pessoal que não anda muito animado com a Olimpíada colou nas bicicletas do Bike Rio, as laranjinhas, adesivos que classificam a Rio 2016 de "jogos da exclusão".
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A bicicleta aí da foto estava, agora há pouco, na estação que fica no Humaitá, perto da Fonte da Saudade.


No RJ, helicópteros do gabinete do governador continuaram a voar

separador Por Fernando Molica em 04 de julho de 2016 | Link | Comentários (0)

Apesar da crise que, desde o ano passado, prejudica a manutenção e chega a impedir voos de helicópteros das polícias Civil e Militar e dos Bombeiros do Rio de Janeiro, os aparelhos colocados à disposição do gabinete do governador vinham operando normalmente até março passado.

Em maio de 2015, a PM admitiu que, por falta de pagamento às empresas responsáveis pela manutenção das aeronaves, seus seis helicópteros usados em operações estavam parados.

Naquele mesmo mês, dois helicópteros usados pelo gabinete do governador - o PP-GRJ e o PP-ERJ - fizeram 17 voos. Os aparelhos foram cedidos para viagens do governador, de secretários de estado e até para transportar o então ministro das Cidades, GIlberto Kassab.

Relatório da Subsecretaria Adjunta de Operações Aéreas disponível na internet informa que, no dia 12 de maio, Kassab foi o único passageiro de um voo que o levou à cerimônia de entrega de 1.554 unidades habitacionais construídas em Cosmos, na Zona Oeste do Rio.

Naquele mesmo mês, helicópteros foram utilizados para levar Pezão ao Galeão, onde receberia o primeiro-ministro da China, e para fazer com que o então secretário de Transportes, Carlos Roberto Osorio, chegasse mais rapidamente a uma agenda em Nova Iguaçu.

No mês seguinte, quando os helicópteros decolaram 18 vezes, o PP-GRJ levou Pezão e dois secretários de estado até Paty do Alferes e Piraí - segundo o relatório, para a abertura da Festa do Tomate.

Em agosto, uma das aeronaves decolou com o então ministro da Cultura, que tinha uma agenda em Duque de Caxias. No dia 22, Pezão e a mulher utilizaram um helicóptero para viajar até Piraí, terra natal do governador - segundo o relatório, o aparelho foi utilizado por recomendação da Subsecretaria Militar.

Em outubro, outro ministro, Patrus Ananias, do Desenvolvimento Agrário, voou às custas do contribuinte fluminense. Ele e dois assessores foram até Paraty. Em novembro foi a vez do Judiciário: o ministro Luiz Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça, foi levado até Mangaratiba para uma agenda não discriminada.

Naquele mesmo mês, os quatro helicópteros dos Bombeiros estavam parados (http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/10/helicopteros-do-corpo-de-bombeiros-do-rj-estao-parados-devido-debito.html) por atraso de pagamento à empresa responsável pelo serviço de manutenção.

A utilização dos helicópteros do gabinete caiu este ano - em janeiro foram oito decolagens; em fevereiro, cinco e, em março, seis. Entre o início de abril e o fim de maio houve apenas duas viagens, ambas para Piraí. O relatório não indica a presença de Pezão - já então afastado do governo - nos voos.

No último dia 28, a Polícia Civil informou que seus três helicópteros estão parados por falta de manutenção. Nesta segunda, o Corpo de Bombeiros afirmou ao blog que todas as suas quatro aeronaves estão operando. Já PM diz que, dos seus sete helicópteros, apenas dois, que passam por manutenção, não podem ser utilizados.


Três meses de 'Selfie com Lenin'

separador Por Fernando Molica em 04 de julho de 2016 | Link | Comentários (0)

'Uma selfie com Lenin' foi lançado há exatos três meses. Aí vão trechos de alguns comentários, resenhas e reportagens. Os textos estão reunidos aqui no site (basta clicar na capa do livro e ir para "Resenhas e reportagens".

. "Curto romance, em número de páginas, mas longo em significados, e no qual as atualidades políticas, existenciais e "lavajatorias" nele se colam, com malícia, ambição, sedução, grana, num texto cheio de ginga, bem carioca", Antônio Torres.

. "Promíscuo, cínico e vazio, ele simboliza nossa época desiludida", Ronaldo Bressane, Guia Folha, 'Folha de S.Paulo', sobre o personagem narrador do romance.

. "Por meio do olhar cético desse personagem, "Uma selfie com Lenin" oferece uma perspectiva irônica sobre a situação do país". Guilherme Freitas, 'O Globo'.

."(...) 'Uma selfie com Lenin' é de fato um ótimo livro". Ricardo Lísias, 'Peixe Elétrico'.

. "Nunca antes, que eu saiba, um romance carioquíssimo foi tão nacional, atual e revelador sobre o submundo da política, fluminense e brasileira (...)", Nei Lopes, 'Meu Lote'.

. "É aí que vemos como a novela do Molica lida tão bem com as contradições da vida alucinada dos nossos tempos", Nelson Vasconcelos, 'O Dia'.

. "(...) narrativa forte e impactante, dessas que têm tudo a ver com os tempos velozes, estilhaçados e doidos que vivemos", Jaime Cimenti, Jornal do Comércio, Porto Alegre.

. "Escrita ágil como filme de ação, vai direto ao ponto, sem encher linguiça, parece que coloca o leitor logo no centro do furacão, no meio da tempestade, na crista da onda do tsunami", Carol Botelho, 'Folha de Pernambuco'.

. "(...) creio que essa obra deveria entrar para o currículo escolar básico de literatura. Assim talvez meu filho no futuro consiga me explicar tudo o que está acontecendo hoje", Mariana Baptista, 'Litarasutra'.


Tucanos e Cunha

separador Por Fernando Molica em 01 de julho de 2016 | Link | Comentários (0)

O Painel da 'Folha' diz que o PSDB não se esforçará para que seus deputados votem pela cassação do Cunha, um agradecimento por seu empenho no impeachment da Dilma. É impressionante que políticos em geral não avaliem o dano que algumas de suas atitudes causam na população.

De jogada em jogada - e, claro, não me refiro apenas aos tucanos, PMDB, PT, PP, DEM e tantos outros também cometem absurdos parecidos -, os caras cavam as próprias sepulturas, aumentam a descrença no sistema representativo, estimulam o voto nulo e o crescimento de figuras como o Bolsonaro.


A Delta e o Engenhão

separador Por Fernando Molica em 30 de junho de 2016 | Link | Comentários (0)

Leio na 'Folha' que a Polícia Federal acusa a Delta de irregularidades na construção do Parque Aquático Maria Lenk, erguido para o Pan de 2007. Pois. Em abril de 2013, dediquei uma edição do 'Informe do DIA' aos absurdos cometidos na obra do Engenhão, tocada por um consórcio formado pela Delta, Recoma e Racional que não conseguiu terminar os trabalhos - a Odebrecht e a OAS foram convocadas pela prefeitura para concluir o estádio.

Houve acusações de direcionamento de licitação, a obra durou dois anos além do previsto, o estouro no orçamento chegou a 424,65%. Por conta dos problemas, a prefeitura acabou fazendo três licitações adicionais.

Ai vão as notas:

Engenhão: erros, atrasos e pressa

O torcedor-contribuinte tem o direito de vaiar: a interdição do Engenhão foi o apito final de uma partida marcada por erros dos responsáveis pela obra. Relatórios do Tribunal de Contas do Município citam a falta de planejamento como causa de problemas como a descoberta tardia de tubulação da Cedae sob o terreno, dificuldade na liberação de áreas, orçamento insuficiente e necessidade de se refazer vários projetos.

Documento do TCM aponta que, em 2007, a obra da cobertura foi apressada. Diz que serviços de execução da estrutura metálica sofreram modificações no projeto executivo visando "sua agilização". Problemas no teto é que causariam o fechamento do Engenhão. Projetista da estrutura, Flávio D'Alambert insiste que o estádio é seguro, mas já ressaltou: "A pressa é inimiga da perfeição".

A obra teve um estouro de 424,65% do orçamento, atraso de mais de dois anos em relação ao prazo inicial e denúncia de direcionamento de licitação. Foram necessários quatro contratos para fazer o previsto em apenas um, assinado em 2003 com o consórcio formado pela Racional, Delta e Recoma e que previa a "execução de obras e serviços de construção do Estádio Olímpico".

Em 2005, o grupo pediu mais 480 dias; em 2006, mais 120. Isso fez dobrar o prazo inicial de 600 dias. Com dez aditivos, o custo deste contrato passou de R$ 87,389 milhões para R$ 116,698 milhões.


CONTRATOS SUCESSIVOS

Em 2004 e 2006, a prefeitura fez outras concorrências: para "Complementação das obras" e para "Obras de complementação de acabamentos e urbanização intramuros". Vencidas por grupos liderados pela Odebrecht, geraram contratos de R$ 115,314 milhões e R$ 52,747 milhões.

O TCM frisou que, muitas vezes, os sucessivos contratos previam tarefas que deveriam ter sido executadas antes.

Em dezembro de 2006, Eider Dantas, secretário de Obras, manifestou ao consórcio da Delta "preocupação" com as obras, com serviços "de fabricação e montagem da estrutura metálica" e sugeriu a rescisão do contrato. O grupo aceitou no dia seguinte.
Em março foi feito, sem licitação, contrato de R$ 80,514 milhões com o consórcio Odebrecht/OAS, que já participava da obra. As empreiteiras sugeriram cláusulas que as eximissem de responsabilidades, pois não haviam começado aqueles serviços. Procuradora do município, Carmen Macedo classificou a proposta de "descabida". Mas o pedido das empresas foi acatado.


CESAR MAIA APROVA OBRA

Prefeito responsável pela construção do Engenhão, o hoje vereador Cesar Maia (DEM) cita o projetista Flávio D'Alambert para afirmar que o estádio é seguro.
Para Maia, a polêmica que resultou na interdição pode estar relacionada a interesses do futuro concessionário do Maracanã, disposto a criar dificuldades para tirar jogos do Fluminense e Flamengo do Engenhão.

Ele nega estouro de orçamento. Afirma que, inicialmente, seria um estádio pequeno, apenas para o Pan. Os planos olímpicos do Rio é que teriam gerado a ampliação da obra e dos custos. Mas especificações da primeira licitação falam em arena para 45 mil pessoas e trazem perspectivas de projeto semelhante ao Engenhão.

Apesar do que consta de documentos, Maia diz que a Odebrecht e a OAS (e não a Delta) é que, desde o início, iriam montar a estrutura do teto. Afirma ainda que ressalvas quanto à garantia da obra que constam do último contrato não têm valor. Segundo ele, construturas são sempre responsáveis por seus trabalhos.

Logo depois da assinatura do primeiro contrato para a obra do Engenhão, carta endereçada ao TCM enumerava supostas evidências de que a licitação fora "um grande engodo". O anonimato do documento fez com que os fatos não fossem apurados.


BG
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