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Os cúmplices dos candidatos bandidos

em 28 de setembro de 2016

A já meio antiga discussão sobre candidatos ligados à milícia e ao tráfico costuma deixar de lado uma questão fundamental, o respaldo que esses sujeitos recebem de políticos importantes, dirigentes partidários e ocupantes de cargos no Poder Executivo. Esse apoio é fundamental para viabilizar a presença na vida política de pessoas comprometidas com atividades ilegais.

Volta e meia, quando questionados pelo apoio a esses caras, dirigentes de partidos, govenadores e políticos alegam que eles têm ficha limpa, não apresentam antecedentes criminais, são cidadãos no gozo de seus direitos. Besteira, partidos têm o direito de escolher filiados e de barrar indesejáveis. As ligações de determinados candidatos com organizações criminosas são, de um modo geral, bem conhecidas, os próprios caras fazem questão de alardear suas vinculações nas comunidades que dominam.

De olho nos votos que esses sujeitos são capazes de obter - e sabemos como seus métodos são convicentes -, políticos importantes fingem que não sabem de nada, bajulam criminosos e fecham os olhos para suas atividades. Quando aceitam dividir panfletos e palanques com esses bandidos, governadores, prefeitos, senadores e deputados mandam um recado para a população, dizem que, sim, o crime compensa, que poder conquistado à bala tem direito a uma legitimação pelo Estado.

O gesto oportunista e irresponsável de tantos políticos reforça e estimula o crime que eles dizem combater, deteriora ainda mais a máquina do Estado, colabora para tornar a atividade política ainda mais suja e perigosa. Os apoiadores de bandidos são também responsáveis pelos assassinatos, na Região Metropolitana do Rio, de 16 pessoas que se candidatariam nas próximas eleições. Quem aceita notórios criminosos em seu partido deveria ser processado por associação ao crime.

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Degredados e racismo

em 25 de setembro de 2016

Essa história de atribuir nossas mazelas ao fato de que havia degredados entre os primeiros colonizadores resvala pesado no racismo. Mais, evoca uma espécie de determinismo genético ("Pau que nasce torto cresce torto") que justifica ataques a determinados grupos e, no limite, colabora para fenômenos como tentativas de extermínio daqueles apontados como degenerados ou impuros.

Falar em degredados é relatar apenas uma parte do preconceito tantas vezes cochichado. A justificativa para o nosso atraso tantas vezes apontada pelos arautos da simplificação e da eugenia costuma também citar a presença de negros e índios entre nossos antepassados. Quantas vezes não ouvimos que estávamos destinados ao fracasso por conta do cruzamento - a palavra usada é essa, que remete ao sexo entre animais - entre portugueses/degredados, negros e índios?

Esse tipo de estupidez costuma ganhar corpo principalmente entre aqueles que, por razões genéticas e/ou culturais, não se consideram fruto dos cruzamentos por eles classificados de malditos. Ou que, pelo menos, acham que, por conta do estudo e/ou da religião, conseguiram purgar as marcas da herança transmitida pelos antepassados, livraram-se do pecado original da colonização e das consequências da fornicação desmedida.

O viés racista fica ainda mais evidente ao se, com frequência, associar o lamento pela presença lusitana ao suspiro pelo fracasso das tentativas de colonização pela Holanda e França, pátrias de povos mais desenvolvidos - e brancos - que os portugueses. Um pensamento que, como já ressaltado por outros, não leva em conta as atrocidades cometidas por holandeses na África do Sul nem a barbárie promovida por franceses na Argélia e em outras colônias.

Na América, os cristãos ingleses não vacilaram em quase exterminar índios e em escravizar africanos. A Austrália, como frisou Fernando Brito, foi formada não por meia dúzia, mas por milhares de degredados. Por esta lógica, alemães e italianos deveriam ser isolados, afinal, muitos deles são (somos) descendentes de nazistas e fascistas.

A insistência no princípio do pecado original ofende a todos nós, herdeiros de portugueses, negros, índios, judeus, árabes, italianos, espanhóis, franceses, japoneses, coreanos, holandeses, poloneses, alemães. Desqualifica os que estavam aqui antes dos portugueses e todos aqueles que, escravizados ou em busca de uma vida melhor, chegaram depois.

Falar em herança maldita joga toda uma população contra a parede, faz como que todos sejamos suspeitos, necessitados de limpeza, purgação ou exorcismo. Foi assim, em nome de algum deus ou de uma suposta superioridade genética, que muita gente ao longo da história foi levada para a fogueira e para as câmaras de gás.

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Pitacos municipais 13 - Eleitores desconhecem números de candidatos

em 23 de setembro de 2016

Para conseguir chegar ao segundo turno da eleição carioca, Jandira Feghali (PCdoB) precisa, além de conquistar votos, se esforçar muito para que os eleitores aprendam a sua dezena (65). Entre os que disseram ao Datafolha que votarão nela, apenas 29% acertam o número que corresponde ao seu partido e que deve ser digitado na urna eletrônica, 4% responderam de maneira errada e 66% declararam que não sabiam o número da candidata.

Embolados com Jandira na disputa pelo segundo lugar, Marcelo Freixo (50) e Pedro Paulo (15) tiveram resultados melhores.No caso do candidato do Psol, 57% responderam à pergunta de forma correta; 3% erraram e 40% afirmaram que não sabiam qual era seu número. O resultado em relação ao peemedebista foi parecido: 56% citaram o número correto, 3% erraram e 40% afirmaram que não sabiam.

A vantagem de Freixo deve estar associada ao perfil de seus eleitores - 68% deles cursaram o ensino superior; 27%, o médio e 5%, o fundamental. No caso de Jandira, os percentuais são 22%, 41% e 37%; Pedro Paulo tem 19%, 47% e 34%. Pedro Paulo tem a vantagem de concorrer por um partido antigo e bem conhecido - a dezena que o identifica venceu as últimas eleições para governador e prefeito.

Segundo a pesquisa, o índice de acerto de números é diretamente proporcional ao grau de escolaridade dos eleitores: entre os que chegaram à faculdade foi de 49% - os percentuais caíram para 45% e 38% entre os que, respectivamente, cursaram o Ensino Médio e apenas o Fundamental.

Flavio Bolsonaro (PSC) e Indio da Costa (PSD) que, segundo o Datafolha, também estão tecnicamente empatados no segundo lugar, também vão ter que repetir muito seus números nos próximos dias. Apenas 26% de seus prováveis eleitores sabem associá-los à dezena que tem que ser digitada: 72% ignoram o número de Bolsonaro (20); 73% o de Indio (55).

Metade dos eleitores de Marcelo Crivella (PRB), líder isolado da pesquisa, acertou seu número (10); 3% erraram e 47% não arriscaram qualquer resposta.

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