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Chuva no mar

em 24 de fevereiro de 2018

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Nascido e criado num bairro distante do mar, sempre associei praia ao ir à praia, ao sol, à areia apinhada de gente. Mais do que paisagem que ficava tão longe, praia era programa, passeio dominical que começava bem cedo, com despertar por volta das 7h - na lógica doméstica suburbana, até o lazer tinha algo de trabalho, de dever, de sacrifício. Não havia tempo a ser desperdiçado com mar em dia de chuva, a beleza não bastava em si, tinha que ser útil.

Daí talvez meu fascínio pela praia em dias chuvosos, pela praia que esnoba frequentadores, que abandona a condição de animal domesticado por banhistas, vendedores, exposto à urina, ao lixo, à gritaria, às brigas.

A chuva liberta a praia, devolve o mar a si mesmo, à sua imponência, à sua brutalidade, mistério que assusta, que mata, que nos impõe respeito e medo. Água que descarta muito do azul ou verde, que reassume o peso do seu chumbo. Em dias de chuva, de praia quase deserta, o mar mostra quem é que manda por ali.

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Intervenção no Rio: uma coabitação complicada

em 16 de fevereiro de 2018

Salvo melhor juízo, esse decreto de intervenção parcial é muito complicado - a Constituição fala em intervenção, e ponto. Na prática, o governo do Rio foi fatiado, haverá um comando duplo, um para a segurança, o outro para o resto. Mas, no dia a dia, é impossível separar uma área da outra.

Se o interventor mandar suspender aulas em determinada área, o secretário de Educação será obrigado a concordar? O governador tem o direito de remanejar 20% das verbas orçamentárias - e se ele decidir retirar grana da segurança para cobrir um buraco na saúde? Como é que fica?

O decreto fala que o interventor poderá "requisitar, se necessário, os recursos financeiros, tecnológicos, estruturais e humanos do Estado do Rio de Janeiro afetos ao objeto e necessários à consecução do objetivo da intervenção." E se o governo estadual negar as requisições? Fica por isso mesmo?

A medida assinada por Temer deixa claro o limite do interventor, mas, ao mesmo tempo, dá poderes para o sujeito chutar o balde: "O Interventor fica subordinado ao Presidente da República e não está sujeito às normas estaduais que conflitarem com as medidas necessárias à execução da intervenção." Ou seja, em caso de conflito, valerá a palavra do interventor?

Para justificar a intervenção setorizada, o decreto cita "o disposto no Capítulo III do Título V da Constituição e no Título V da Constituição do Estado do Rio de Janeiro." Só que esses artigos capítulos não falam na possibilidade de intervenção parcial, tratam de definir segurança pública e os mecanismos para implementá-la.

Além disso, achei esquisito um decreto federal citar também a Constituição Estadual. Enfim, essa coabitação tende a ser muito complicada.

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MDB-RJ tem novo dono - o nome dele é Moreira

em 16 de fevereiro de 2018

A intervenção no Rio acaba de vez com o governo Pezão e representa um último golpe do governo federal no MDB fluminense. Preso desde novembro, Jorge Picciani, o presidente do partido no estado, nutria muitas diferenças com o grupo liderado por Michel Temer e Moreira Franco, ex-prefeito de Niterói e ex-governador do Rio de Janeiro. Em conversas com amigos, Picciani não economizava nas críticas ao hoje presidente.

A situação mudou apenas quando Picciani passou a apoiar o impeachment de Dilma Rousseff e a consequente ascensão de Temer - uma decisão que se revelaria decisiva para a derrubada da petista. A articulação rendeu a Leonardo Picciani, deputado federal e filho do cacique Jorge, um cargo de ministro no novo governo..

Com Cabral e Jorge Picciani presos e com Pezão liquidado politicamente, o MDB-RJ passa a ter um novo dono. O nome dele é Moreira.

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