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Pitacos rápidos e pessoais

em 18 de setembro de 2018

1. O Ibope de hoje indica que eleitores têm optado por candidatos que defendem posições claras, não querem saber dos que são mais ou menos isso ou aquilo.

. Marina Silva parece ser vítima de uma espécie de autogolpe - era de esquerda, migrou para posições mais conservadoras, radicalizadas com seu apoio a Aécio e ao impeachment. Agora, aparenta ter ficado no meio do caminho. O eleitor de esquerda acha que ela passou a ser de direita; o de direita, ainda vê nela uma petista. Ficou como aquela bola perdida no vôlei, a deixa-que-eu-deixo.
. Alckmin apostou que o país, cansado de conflitos e de escândalos, apostaria na conciliação - o problema é que, ainda outro dia, o PSDB foi pro ataque, pro tudo ou nada, apostou no impeachment, na entrega da Presidência para Temer. Fica difícil para o eleitor acreditar na sua bandeira branca. Pior ainda é o candidato dizer que faz oposição a um governo que seu partido integra. Ele também não tem como dizer que os tucanos passaram ao largo da corrupção.
. Ciro não peca pela dubiedade, ao contrário, tem um discurso direto, focado. Mas é provável que acabe engolido pela onda petista. Ele também gosta de não se ajudar. Quando muita gente achava (ainda acha) que ele seria mais palatável num segundo turno contra Bolsonaro, ele voltou a ser o Ciro de sempre, xingou um repórter e ainda pediu sua prisão.

2. Nesta semana, Haddad inaugurou uma versão própria do Lulinha Paz e Amor. Passou a acender uma vela para Lula e outra para o eleitor que rejeita o PT e que terá papel decisivo no segundo turno. Negou que vá indultar o ex-presidente e, na TV, encarnou o petista light, educado, aquele sujeito que, apesar das ideias de esquerda, não vai fazer feio na festa de Natal na casa dos sogros. O programa desta terça mostrou fotos do menino Haddad e ainda deu espaço para sua mulher falar como ele é legal. O cara é de família, veja só.

3. Já a campanha de Bolsonaro faz o caminho inverso. Nos últimos dias, Mourão, seu vice, desandou a falar impropriedades. Num só discurso citou países mulambos - numa evidente referência a nações africanas - e disse que mães e avós não conseguem cuidar direito de filhos e netos. Mais um pouco e petistas e pedetistas vão exigir que ele substitua o hospitalizado Bolsonaro nos próximos debates.

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O sol que esquenta o mercado editorial*

em 26 de agosto de 2018

É até sacanagem frisar que a biografia do Geovani ajuda na divulgação do livro. Claro que ajuda, mas, caramba, escritores de biografias semelhantes sequer conseguiam publicar livros, muitos continuam sem conseguir. Ao longo do tempo, histórias de vida como como as dele mais atrapalharam do que ajudaram. E de nada adiantaria o ótimo trabalho de marketing da editora se o livro não tivesse valor.

Lançado em meio a uma grave crise do mercado editorial, 'O sol na cabeça` levanta discussões importantes sobre a publicação de autores brasileiros contemporâneos. O sucesso comercial do livro mostra que, sim, há mercado para publicações de qualidade, que livro de prêmio pode ser também livro de vendas. Há um público capaz de comprar esses livros, desde que saiba de sua existência, que confie nos editores, que tenha acesso a um material crítico rigoroso, mais preocupado em discutir o autor do que em ressaltar teses e qualidades do resenhista.

Por conta da recessão e da ameaça de fechamento de grandes varejistas, as editoras passaram a jogar na retranca, reduziram e adiaram lançamentos, diminuíram contratações. Isto é péssimo, mas pode ser bom. Com menos dinheiro, o mercado tende a ser mais seletivo, deverá cuidar melhor do que é lançado. Livro é um produto complicado, artesanal, que não combina com a lógica de produção em massa. Um livro é fruto de muito trabalho de todos os envolvidos em sua produção - é justo e, mais do que nunca, necessário, que cada um seja tratado de maneira cuidadosa por todos os que fazem parte desse processo, o que inclui jornalistas que selecionam o que merece ou não ser divulgado.

Divulgação, repito, não faz milagre, não transforma livro ruim em bom. Mas possibilita que um bom livro seja lido, que não seja apenas mais um entre os tantos e tantos que, todos os dias, formam trincheiras nas mesas de repórteres e editores de cultura. Trincheiras que, com frequência, assumem o papel de impedir a chegada de qualquer novidade.

*Este texto é um comentário que fiz sobre post de Henrique Rodrigues no Facebook sobre o livro 'O sol da cabeça', de Geovani Martins.

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A guerra dos pobres

em 20 de agosto de 2018

Dois militares do Exército - um cabo e um soldado - estão entre os pobres mortos hoje em mais uma etapa da guerra contra a venda de drogas no Rio. Outros cinco homens também morreram na Penha, Zona Norte, suspeitos de envolvimento com o crime. Todos morreram numa guerra que dura mais de 30 anos e que só é mantida porque quase todos os seus mortos são pobres - moradores de favelas, bandidos, policiais e, agora, militares de baixa patente das Forças Armadas. Uma guerra que é estimulada por aqueles que, de um modo geral, não são pobres, que não vão para a linha de frente, que não tomam tiros.

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